De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em 2015, cerca de 48.9% das mulheres residentes em Portugal consideravam o seu estado de saúde bom ou muito bom. Porém, a saúde da mulher tem especificidades, assim como a saúde masculina, o que significa que, além dos cuidados gerais que ambos os géneros devem ter, há precauções especiais que as mulheres devem tomar.1

Quais as consultas, análises e exames imprescindíveis para monitorizar adequadamente a saúde da mulher? A partir de que idade é que se deve ir ao ginecologista? Quais os cancros mais prevalentes no género feminino? Respondemos a estas e a outras questões.

Saúde da mulher: os cuidados físicos

Não há diferenças significativas nos cuidados físicos entre o género feminino ou masculino.

Apostar num estilo de vida saudável, caracterizado por uma alimentação equilibrada, pela prática frequente de desporto, por não fumar e pela visita periódica ao médico, são algumas das medidas a adotar para prevenir certas doenças, nomeadamente as patologias que mais afetam as mulheres.

Assim, de um modo geral, a partir dos 18 anos de idade, as mulheres devem fazer um check-up anual que inclua:2

  • Observação clínica;
  • Medição da tensão arterial;
  • Prescrição de análises ao colesterol, glicemia, ureia, entre outras.

Doenças crónicas

Em 2012, a Organização Mundial de Saúde, indicou que aproximadamente 4,7 milhões de mulheres com menos de 70 anos de idade tinham morrido de doenças não transmissíveis, como a hipertensão arterial, a diabetes, as doenças respiratórias crónicas, as doenças malignas, entre outras.

Muitas destas doenças podem ser controladas quer através da adoção de um estilo de vida saudável, quer através de medicação.

As consultas médicas e a realização de análises e de exames são fatores essenciais para monitorizar a evolução destas patologias e para reduzir a taxa de mortalidade causada por estas doenças.3

Cancro

Os estudos indicam que os cancros do colo do útero e da mama são os mais prevalentes no género feminino.

Ter um estilo de vida saudável é fundamental para manter o normal funcionamento do organismo, mas os rastreios e o diagnóstico precoces são essenciais, pois podem prevenir a progressão da doença ou o seu conhecimento numa fase avançada.

Assim, é de extrema importância ir a consultas de ginecologia e de realizar exames como a citologia cervico-vaginal, a mamografia e a ecografia mamária.

A citologia permite detetar, por exemplo, alterações nas células do colo do útero, inflamações/infeções (virais ou bacterianas) ou células cancerígenas. Assim que a mulher inicia a sua vida sexual ou depois dos 20 anos de idade, ela deve fazer este exame, pelo menos de três em três anos.

Também a partir dos 20 anos, é importante que a mulher, sete dias depois da menstruação, faça a palpação da mama, de modo a detetar algum sinal de alerta, como assimetria excessiva; pele casca de laranja; vermelhidão; ou líquido no mamilo.

Geralmente, depois dos 40 ou 50 anos de idade (em função da existência ou não de fatores de risco), são ainda recomendadas a mamografia e a ecografia mamária, exames que devem ser efetuados todos os anos ou de dois em dois anos.2

mãos com o laço luta contra o cancro

Doenças ósseas

As doenças ósseas apresentam uma maior prevalência nas mulheres, sobretudo após a menopausa ou depois dos 65 anos de idade, pois os ossos tendem a perder densidade e enfraquecer.

Assim, é importante adotar comportamentos que podem prevenir estas patologias, nomeadamente no que diz respeito à alimentação e atividade física.

Fazer uma alimentação rica em nutrientes essenciais para a saúde óssea como:

  • Proteínas (carne, peixe, ovos, laticínios, leguminosas);
  • Gorduras insaturadas (peixes gordos, frutos oleaginosos, azeite);
  • Cálcio (laticínios, legumes de folha verde escura);
  • Fósforo (leite e derivados, carne de aves, peixe, ovos, leguminosas, grãos);
  • Vitamina D (alimentos fortificados, exposição solar).

Praticar exercício físico regularmente é essencial para manter uma boa saúde óssea porque estimula a formação de tecido ósseo. Assim, incluir exercícios de resistência (como caminhadas ou natação) e força (musculação), ajudam na prevenção de quedas e fraturas, principalmente em idades mais avançadas.

A realização periódica de análises e de exames específicos permite diagnosticar doenças como, por exemplo, a osteoporose. Determinar a densidade mineral óssea pode ser um passo importante na deteção de alguma patologia óssea.2

Cuidados psicológicos

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão é uma doença com maior incidência no género feminino do que no masculino.3

Os próprios estudos têm evidenciado que há mais mulheres com ansiedade e queixas somáticas do que homens. Logo, a preservação da saúde mental feminina é fundamental.

Assim, é muito importante a consulta de um psicólogo ou de um psiquiatra, sempre que haja sinais de sofrimento emocional.

Cuidados ginecológicos

Assim que a mulher inicia a sua vida sexual ou a partir dos 20 ou 25 anos de idade, é recomendável visitar o ginecologista, de modo não só a ser examinada, como a ficar mais esclarecida sobre alguns cuidados a ter com a sua vida íntima e sexual, bem como esclarecer dúvidas sobre temas como a menstruação, a infertilidade, a menopausa, entre outros.2

mulher feliz com teste de gravidez

Problemas sexuais e reprodutivos

Algumas doenças femininas estão, precisamente, relacionadas com problemas sexuais e reprodutivos, os quais costumam manifestar-se entre os 15 e os 44 anos. Em 2016, 28.5% dos novos casos de VIH foram diagnosticados a mulheres entre os 30 e os 39 anos de idade.

A prevenção de algumas destas patologias pode passar pela ida a consultas de planeamento familiar e pela adoção de métodos contraceptivos adequados, que previnam doenças sexualmente transmissíveis.

Em relação ao HPV, convém lembrar que o Plano Nacional de Vacinação recomenda que as meninas com 10 anos de idade tomem duas doses da vacina contra infeções de nove genótipos do vírus papiloma humano (HPV9).

A realização periódica de análises, de exames e de rastreios pode ser uma forma de garantir o diagnóstico precoce de eventuais doenças sexualmente transmissíveis, podendo assim melhorar o seu prognóstico clínico.

Importa ainda salientar os casos de infertilidade ou de dificuldade em engravidar que podem afetar algumas mulheres e que devem ser devidamente diagnosticados e, se possível, tratados, recorrendo às alternativas disponíveis e mais apropriadas para cada caso.2

Pré-conceção e gravidez

Um dos momentos importantes na vida de certas mulheres é a gravidez. Os cuidados nesta fase da vida são essenciais e podem contribuir, de forma determinante, para a diminuição da mortalidade materna e infantil.

Assim, ainda antes de engravidar, a mulher deve fazer uma consulta pré-natal, que visa avaliar diferentes aspetos da sua saúde, sendo recomendada a realização de algumas análises e exames, tais como: 4

Analises clínicas

  • Grupo Sanguíneo;
  • Tipagem ABO e fator Rh;
  • Hemograma completo;
  • Glicemia em jejum;
  • TSH;
  • FT4.

Exames serológicos

  • Rubéola (lgG e lgM);
  • Toxoplasmose (lgG e lgM);
  • Citomegalovírus (lgG e lgM);
  • Sífilis (VDRL);
  • Hepatite B (AgHBs);
  • Hepatite C;
  • HIV (Ac VIH 1 e 2);
  • Citologia cervical: Teste de HPV.

Depois de engravidar, a gestante deve ser acompanhada nos cuidados de saúde mais adequados à sua situação, tendo em conta se a sua gravidez é ou não de risco.

Durante a gestação, há várias análises e exames de rotina que são recomendados e que devem ser feitos pela mulher, de modo a garantir que a gravidez decorra dentro da normalidade, sem complicações e com segurança para a mãe e para o feto.

Algumas das análises e exames que podem ser recomendados durante a gravidez são:4

1º Trimestre

Analises clínicas

  • Citologia Cervicovaginal;
  • Grupo Sanguíneo;
  • Tipagem ABO e fator Rh;
  • Pesquisa de Aglutininas Irregulares (Teste de Coombs indirecto);
  • Hemograma completo;
  • Glicemia em jejum.

Exames serológicos

  • Rubéola (lgG e lgM);
  • Toxoplasmose (lgG e lgM);
  • Sífilis (VDRL);
  • Hepatite B (AgHBs);
  • HIV (Ac VIH 1 e 2);
  • Teste Urocultura com eventual TSA;
  • Rastreio Bioquímico;
  • 12 trimestre: free-ßHCG + PAPP-A.

Testes de rastreio pré-natal não invasivo (TPNI)

Radiologia

  • Ecografias Fetal 2D (eventual 3D).

médico a auscultar grávida

2º Trimestre

Análises clínicas

  • Pesquisa de Aglutininas Irregulares (Teste de Coombs indirecto);
  • Hemograma completo;

Exames serológicos

  • Toxoplasmose (lgG e lgM);
  • Teste Urocultura com eventual TSA;
  • Rastreio Bioquímico 2º trimestre: AFP+ free-ßHCG+ Estriol + lnibina A;
  • Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO com 75g).

Testes de rastreio pré-natal não invasivo (TPNI)

  • Teste Harmony;
  • Teste Tomorrow.

Radiologia

  • Ecografias Fetal 2D (eventual 3D).

3º Trimestre

Análises clínicas

  • Pesquisa de Aglutininas Irregulares (Teste de Coombs indirecto);
  • Hemograma completo.

Exames serológicos

  • Toxoplasmose (lgG e lgM);
  • Sífilis (VDRL);
  • Hepatite B (AgHBs);
  • HIV (Ac VIH 1 e 2);
  • Teste Urocultura com eventual TSA;
  • Pesquisa de Streptococcus ß hemolítico do grupo B.

Radiologia

  • Ecografias Fetal 2D (eventual 3D).

Saúde da mulher: corpo são em mente sã

A saúde da mulher deve ter por base um equilíbrio entre cuidados físicos e mentais. Assim, além das consultas, das análises e dos exames de rotina específicos que a mulher deve realizar ao longo dos anos, é importante não descurar o seu bem-estar físico e emocional e pedir ajuda, sempre que necessitar.

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+ Fontes

  1. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Infográfico Saúde da Mulher. Disponível em: http://repositorio.insa.pt/bitstream/10400.18/6097/2/INSA-info-saude-da-mulher-PT-A4.jpg
  2. Pires da Silva, Vera et al. (2019) Saúde da Mulher. Disponível em: https://apmgf.pt/wp-content/uploads/2020/07/Artigo-JMF-n%C2%BA14.pdf
  3. Organização Mundial de Saúde. (2009) Mulheres Saúde. Evidências de hoje, agenda de amanhã. Disponível em: https://www.who.int/eportuguese/publications/Mulheres_Saude.pdf
  4. Unilabs. Espaço Grávidas. Disponível em: https://unilabs.pt/espaco-gravidas-0

 

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