A infeção urinária pode ter várias causas como gravidez, os maus hábitos de higiene, aumento do número de relações sexuais, entre outras.

Segundo a Associação Portuguesa de Urologia, a infeção urinária representa um problema de saúde grave, em parte devido à sua ocorrência frequente.
São conhecidas as causas e os fatores de risco deste tipo de infeção, apesar de ainda existirem alguns mitos acerca do assunto. Um deles, a ideia de que aguentar a urina aumenta as chances de contrair a infeção.
Fique a par de alguns dos sintomas e de outras tantas recomendações para evitar este tipo de infeção.

Classificação das infeções do trato urinário

As infeções classificam-se em:

  • Baixas e Altas;
  • Não complicadas e Complicadas.

As baixas incluem infeções da uretra, bexiga e próstata, e designam-se uretrite, cistite e prostatite, respetivamente. As altas referem-se a infeções que afectam a pélvis e parênquima renal, e designam-se, pielonefrites.
A infeção urinária não complicada, é a que ocorre sem alterações da via urinária, enquanto que a complicada afeta doentes com alterações anatómicas e funcionais da via urinária.
Neste grupo incluem-se as grávidas, doentes imunodeprimidos, doentes após manipulação urológica recente, doentes com cateter urinário e portadores de infeções causadas por microrganismos multirresistentes. 2

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Fatores de risco para infeções urinárias

Entre os fatores de risco, que favorecem o aparecimento de infeções urinárias, temos 1:

  • Relações sexuais frequentes: provocam alteração do pH vaginal e tornam o meio mais propício para a proliferação bacteriana, a ação mecânica da relação sexual pode facilitar a entrada de cepas de E. coli na bexiga;
  • Uso de diafragma/espermicida: provocam alteração do pH vaginal, reduzindo a população de lactobacilos;
  • Uso de tampão vaginal e toma recente de antibióticos (modificando a microflora vaginal);
  • Na mulher grávida, o principal fator de risco é a existência de antecedente de infeção, prévia à gravidez;
  • Homens com mais de 50 anos tornam-se mais susceptíveis a infeção urinária, e tem estreita relação com a patologia prostática. Apenas 20% das infeções ocorrem em homens;
  • Os factores de risco para a cistite em homens jovens incluem relações anais, não circuncisão, parceira sexual colonizada com uropatogéneos e a imunodepressão (como a produzida pelo vírus da SIDA);
  • A infeção urinária associada à cateterização urinária é a infecção em pacientes hospitalizados mais frequente (40% do total, 80% da hospitalar) e a duração da cateterização é o factor mais determinante para a adquirir, com um risco de infecção de 3-7 % por dia de sondagem;
  • Em crianças há uma série de fatores relacionados ao hospedeiro, como idade, sexo, raça, circuncisão, anormalidades genito-urinárias, e estado imunológico, que afetam a probabilidade do indivíduo desenvolver infeção urinária.
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(H3) Aguentar a urina pode causar uma infeção urinária?

Tem o medo de apanhar uma infeção urinária por estar a aguentar a urina? Pode ficar descansado pois a urina que está na bexiga não causa infeção urinária e não é fator de risco para que a infeção ocorra.

Para prevenir a infeção urinária, a Associação Portuguesa de Urologia recomenda que a bexiga seja esvaziada sempre que houver micção, para que não fique urina retida, e esta venha a favorecer o crescimento bacteriano.

O jato de urina tem a função de “lavar a uretra”, minimizando a subida de bactérias, vindas da vagina e ânus 1.

(H2) Sintomas da infeção urinária

Os principais sintomas de uma infeção urinária são 2:

  • Ardor ou dor ao urinar;
  • Ocorrência de micções frequentes e em pequena quantidade;
  • Vontade urgente e frequente de urinar;
  • Urina com cheiro fétido;
  • Alterações na cor;
  • Dificuldade em iniciar a micção;
  • Eliminação de sangue na urina;
  • Dor na parte inferior do abdómen;
  • Febre;
  • Calafrios;
  • Dor lombar;
  • Náuseas;
  • Vómitos.
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Recomendações nas infeções urinárias

Segundo a Sociedade Portuguesa de Urologia, algumas atitudes podem ajudá-lo a combater esse mal 1:

Beber muitos líquidos

Beber água ao longo do dia (cerca de 1,5 a 2 litros diários, no inverno; mais no verão, conforme o calor, se fizer exercício físico, se transpirar, ou por outra eventual razão que proporcione a diminuição da diurese).
Pode ser água da torneira ou mineral, sem ser muito ácida ou alcalina. Pode ser água “chalada” ou infusões. Refrigerantes, sobretudo gaseificados, devem ser condicionados.

Manter uma alimentação saudável e variada, sem excessos

Evitar excessos de condimentos, picantes, especiarias, aperitivos, salgados, avinagrados, “petiscos”, citrinos, bebidas alcoólicas, com exceção de um a dois copos de vinho tinto, acompanhando as refeições. Café e chá preto devem ser de consumo moderado.
Outros chás, tisanas ou infusões são de consumo à vontade, alguns chás e sumos poderão ser eventualmente benéficos (chá de barbas de milho, sumo de arando). Alimentos, frutos, sumos, ou produtos/medicamentos muito ácidos ou alcalinos são de evitar.

Evitar a congestão pélvica

Não estar muito tempo sentado, sobretudo em sofás e poltronas fundas. Levantar-se periodicamente (hora a hora) e deambular um pouco;
Nas viagens grandes de automóvel, autocarro, moto, ou no avião, em grandes viagens, passear quando para tal houver condições, e esvaziar regularmente a bexiga e o intestino;
À noite, a ver televisão, no computador, a ler ou a conversar, evitar os sofás mais fundos, e levantar-se a intervalos;
Nos espetáculos, levantar-se e deambular nos intervalos. Nas reuniões fazer (ou pedir que façam) intervalos para deambular.

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(H3) Urinar até ao fim

Despejando toda a bexiga, não interrompendo, e eventualmente, se for caso disso, facilitando o seu esvaziamento através da posição “de cócoras” ou com nova micção a seguir.
Aguarde ou promova o esvaziamento da uretra. Contrariamente ao que muitos pensam, as infeções urinárias não se apanham nas casas de banho, embora uma grande falta de higiene possa ser fator predisponente.

(H3) Ter cuidado com a higiene genital

Tenha uma higiene genital regular utilizando produtos adequados de modo a evitar irritações na pele ou alergias é fundamental.

Evite o uso de roupa demasiado apertada e sintéticos que dificultam a transpiração e podem favorecer a proliferação de microorganismos indesejados.

(H3) Manter uma vida sexual saudável

Tenha uma vida sexual saudável, regular e sem excessos. Urine depois das relações sexuais. É importante, no sexo feminino, que tenha uma boa lubrificação genital e uma boa troficidade vaginal, se não, há que corrigir essas situações.
Não ter sexo vaginal a seguir a sexo anal. Certas posições exageradas de prática coital são desaconselháveis, por poderem facilitar a entrada de micróbios vaginais na uretra. As infecções urinárias não são doenças sexualmente transmissíveis, embora o coito possa ser fator predisponente.

(H3) Evacuar regularmente

Mantenha uma alimentação saudável de forma a evitar a obstipação. As fezes não devem ser duras, mas moldadas. Se tem tendência para obstipação, faça uma dieta apropriada com fruta, vegetais verdes, fibra e farelo, evite o sedentarismo e eduque o intestino “à mesma hora e às mesmas circunstâncias”, diariamente.
Para além destas medidas, poderão ainda ser usadas, em alguns casos, vacinas e probióticos. Deve consultar um médico no caso de doenças de aparelhos urinário, genital e/ou digestivo para um tratamento adequado.

(H2) Diagnóstico

Para um diagnóstico de rotina, o seu médico irá avaliar a história da doença, exame físico e urinálise por dipstick, incluindo glóbulos brancos e vermelhos e reação aos nitratos.
À exceção em episódios isolados de infeção não complicada inferior (cistite) em mulheres saudáveis, pré-menopáusicas, recomenda-se a urocultura em todos os outros tipos de infeção urinária antes do tratamento, de modo a permitir o ajuste da terapêutica antimicrobiana, se necessário.
Em casos de suspeita de pielonefrite, poderá ser necessário avaliar o trato urinário superior para excluir obstrução do trato urinário superior ou doença litiásica 1.

+ Fontes

  1. Associação Portuguesa de Urologia. 2019. Guidelines de Infeções Urinárias. Disponível em: https://www.apurologia.pt/guidelines/Infeccoes-Urinarias.pdf
  2. Direção Geral de Saúde. Terapêutica de infeções do aparelho urinário (comunidade). 2019. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0152011-de-30082011-jpg.aspx
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