A gastrite consiste numa inflamação do estômago frequentemente causada por uma bactéria. Fique a conhecer os seus principais sintomas e tratamentos.

A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago que se pode manifestar de forma aguda ou crónica. Neste último caso, a gastrite pode ser assintomática ou revelar-se através de sintomas como enfartamento, azia ou dor/desconforto na região do estômago, clinicamente chamado como dispepsia.

É comum confundir-se a gastrite com refluxo, no entanto, não são a mesma coisa. O refluxo gastroesofágico não atinge o estômago mas sim o esófago devido ao refluxo ácido gástrico, mais frequentemente traduzindo-se em sintomas de de azia (pirose) e regurgitação.

Para diagnosticar a gastrite, geralmente é necessário fazer uma endoscopia digestiva alta com biópsia e pesquisa de infeção por Helicobacter pylori, uma bactéria que causa a maioria dos casos.

Mas qual é o tratamento da gastrite? Quais os fatores de risco para esta doença? Quais os alimentos a privilegiar e a evitar? São algumas das questões a que vamos responder de seguida.

Diferença entre gastrite aguda e crónica

A gastrite aguda dá-se quando o processo inflamatório é transitório, ou seja, é possível restabelecer a mucosa do estômago, muitas vezes sem qualquer intervenção. Geralmente apresenta sintomas agudos e intensos mas autolimitados.

Já a gastrite crónica é uma inflamação que se prolonga no tempo, muitas vezes assintomática, mas que pode evoluir no período de anos para condições pré-malignas gástricas que podem ser situações irreversíveis 1.

A gastrite, além de poder ser aguda ou crónica, pode ainda ser erosiva ou não erosiva, dependendo se há quebra da integridade da mucosa (com formação de erosões/úlceras) ou não.

Diferença entre gastrite erosiva e não erosiva

A gastrite erosiva pode ser mais grave no imediato, pois consiste na perda da integridade da mucosa gástrica devido ao efeito corrosivo do ácido com formação de erosões ou úlceras, podendo levar a hemorragia digestiva e a anemia. Pode surgir no contexto de inflamação (inclusive pela infeção por Helicobacter pylori), mas também pode ser devido a múltiplas substâncias agressivas para o estômago (nestes casos mais corretamente designada por gastropatia reativa).

Normalmente, a gastrite/gastropatia erosiva é causada por fármacos e substâncias agressivas para a mucosa gástrica (como aspirina ou anti-inflamatórios não esteroides, álcool), e, mais raramente, por doença de Crohn, radiação, infeções bacterianas e virais, ingestão de substâncias corrosivas e lesões diretas (como pela inserção de um tubo nasogástrico).

Já a gastrite não erosiva manifesta-se através de alterações inflamatórias na mucosa gástrica sem perda da integridade da mesma. Na sua origem está, habitualmente, a infeção por Helicobacter pylori 2.

E a gastrite nervosa?

É comum haver a referência à gastrite nervosa como uma inflamação do estômago causada por alterações no sistema nervoso. No entanto, o stress ou a ansiedade apenas parecem poder agravar os sintomas, tornando-os mais intensos ou exuberantes. Neste sentido, não existe claramente uma gastrite nervosa com origem exclusiva no sistema nervoso.

No entanto, podem acontecer sintomas de desconforto gástrico como azia, sensação de queimadura no estômago ou de enfartamento, sem que haja uma inflamação da mucosa do estômago. Neste caso, não se trata de gastrite, mas sim, de dispepsia funcional, habitualmente associada a stress e ansiedade.

Teste positivo a Helicobacter pylori

Causas da gastrite e fatores de risco

A gastrite é causada por um desequilíbrio entre os mecanismos protetores e os mecanismos agressores. Apesar de estar, geralmente, associada à infeção por Helicobacter pylori, a gastrite pode ter outras causas e origens 1.

Helicobacter pylori

O fator de risco mais frequente para gastrite é mesmo a infeção por Helicobacter pylori, uma bactéria que está presente em até 90% dos casos de gastrite e até 50-80% das erosões e úlceras gastroduodenais.

Além disso, esta bactéria torna muito provável a evolução para gastrite crónica. Em alguns casos promove a progressão para condições pré-malignas gástricas com risco de evolução para cancro gástrico em cerca de 1% dos doentes. De facto, a infeção por Helicobacter pylori é o principal factor de risco para cancro do estômago.

Sistema imunitário

Em alguns casos, pode ser o próprio sistema imunológico a produzir anticorpos que agridem as células do estômago. Nestas situações, estamos perante uma gastrite autoimune. É também uma importante causa de gastrite nos países desenvolvidos e pode também evoluir para condições pré-malignas e para cancro gástrico. Frequentemente se associa a défice de vitamina B12 levando a anemia perniciosa.

Envelhecimento

Com a passagem dos anos, verifica-se uma redução na secreção das moléculas protetoras (mucinas) do estômago, o que pode explicar o maior risco que os idosos têm em vir a desenvolver gastrite. No entanto, por si só o envelhecimento não causa gastrite.

Consumo excessivo de álcool

Beber demasiadas bebidas alcoólicas pode irritar o estômago e torná-lo mais vulnerável à gastrite, nomeadamente em quadros de gastrite aguda.

Toma frequente de analgésicos

Muitos analgésicos, como a aspirina e o ibuprofeno, podem causar tanto gastrite aguda, como gastrite crónica.

Usar regularmente ou em doses excessivas estes fármacos pode fragilizar a camada protetora do estômago, deixando-o mais vulnerável a crises de gastrite, erosões e úlceras.

Outros fatores de risco possíveis

A gastrite pode, ainda, surgir associada a outras causas, tais como: infeções, lesões, certos medicamentos e distúrbios do sistema imunológico.

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Os principais sintomas de gastrite

Apesar da gastrite poder ser assintomática, em alguns casos manifesta-se por meio de certos sintomas. Alguns dos mais frequentes em caso de gastrite aguda são 1:

  • dor ou desconforto subesternal, na região do estômago, que pode irradiar para as costas (epigastralgia/dispepsia);
  • saciedade precoce;
  • sensação de enfartamento, após as refeições;
  • azia;
  • náuseas;
  • vómitos.

Por outro lado, os sintomas de gastrite crónica costumam ser menos intensos do que os de gastrite aguda, embora podendo ser mais persistentes.
Em qualquer um dos casos, independentemente das características dos sintomas apresentados, não é possível concluir, só pela análise da sintomatologia, que se trata uma gastrite e qual a sua gravidade.

Diagnóstico e exames para detetar gastrite

Como referimos, a simples verificação da sintomatologia associada à gastrite nem sempre é suficiente para chegar a um diagnóstico, até porque há outras doenças com sintomas semelhantes , como é o caso da dispepsia funcional ou das úlceras, por exemplo 1.

Assim, se houver suspeita de gastrite, pode ser recomendada a realização de alguns exames, nomeadamente:

  • Endoscopia digestiva alta com biópsia;
  • Pesquisa de infeção por Helicobacter pylori;
  • Deteção de autoanticorpos comuns na gastrite autoimune.

Pesquisa de infeção por Helicobacter pylori

Tratamento da gastrite

Como na grande maioria dos casos de gastrite existe infeção por Helicobacter pylori, o tratamento desta doença passa pela eliminação desta bactéria, nomeadamente através da toma de antibióticos, e pela suplementação em caso de défice nutricional.

Além disso, por vezes, é necessário controlar os sintomas através do recurso a fármacos que reduzem a produção de ácido gástrico. Alguns exemplos destes medicamentos incluem inibidores da bomba de protões (por exemplo omeprazol e afins), antiácidos e anti-histamínicos.

Possíveis complicações da gastrite

Se esta inflamação não for tratada, pode resultar noutras complicações, aumentando por exemplo o risco de se desenvolverem 3:

  • hemorragia digestiva alta;
  • úlcera no estômago e duodeno;
  • pólipos no estômago;
  • tumores no estômago (que podem ou não estar na origem de cancro).

Assim, os sintomas desta patologia não devem ser ignorados para garantir a deteção atempada pelo médico e o correto tratamento, evitando assim possíveis complicações.

Mulher a lavar alimentos

6 dicas para prevenir crises de gastrite

Quem tem, recorrentemente, crises de gastrite, deve procurar perceber qual a origem dessas crises, de modo a tentar prevenir os fatores de risco causadores desses episódios 3.

1. Moderar o consumo de anti-inflamatórios

Analgésicos, como a aspirina ou o ibuprofeno, podem favorecer o desenvolvimento de gastrite.

Por esse motivo, deve moderar o consumo destes medicamentos e apenas tomá-los em caso de indicação médica. A automedicação deve estar limitada a situações clínicas bem definidas e deve efetuar-se de acordo com as especificações estabelecidas para aqueles medicamentos. Por exemplo, serem tomados sempre após ingestão de alimentos.

2. Fazer uma dieta equilibrada e preventiva

A alimentação tem um papel importante na prevenção da gastrite. Não só é importante ser criterioso com aquilo que se come, como com a frequência e a quantidade com que se come.

Assim, é aconselhável fazer refeições mais frequentes, ingerindo porções mais pequenas de comida. Além disso, deve evitar-se a ingestão excessiva de alimentos que podem ser irritantes para o estômago, principalmente quando associados a sintomas, como é o caso de:

  • Café;
  • Chá preto;
  • Chocolate;
  • Refrigerantes;
  • Frutas ácidas, como laranja, abacaxi, tangerina e kiwi;
  • Fritos;
  • Temperos, molhos e condimentos ácidos ou picantes;
  • Produtos ricos em corantes e conservantes (como sumos ou salgados);
  • Laticínios;
  • Alimentos açucarados e doces (como bolos ou biscoitos);
  • Enchidos e produtos de charcutaria;
  • Sal em excesso na comida.

Também deve ter cautela ao adotar alguns tipos de dietas, como o jejum intermitente, por exemplo. Ao passar muitas horas sem comer, os sucos gástricos podem acumular-se e ferir as paredes do órgão, o que naturalmente pode agravar quadros de gastrite. Assim, nestes casos, deve pedir antes aconselhamento do seu médico.

3. Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas

Tal como os alimentos picantes, ácidos e fritos, também as bebidas alcoólicas se revelam irritantes para o estômago. Portanto, quem sofre de gastrite deve evitar o consumo de álcool, sobretudo em excesso.

4. Não fumar

O tabaco também pode ser uma substância particularmente irritante para o estômago, potenciando vários problemas de saúde, entre os quais a gastrite e a formação de úlceras, para além de aumentar o risco de cancro. Por isso, é fundamental deixar de fumar, de modo a prevenir crises.

5. Manter-se calmo

O stress é um problema recorrente e que pode ter uma influência muito negativa na nossa saúde. A ansiedade pode agudizar quadros de gastrite ou estar mesmo na origem de alguns deles.

Portanto, é fundamental evitar o stress, procurando ter um estilo de vida saudável, sem subestimar as horas de sono e o exercício físico, por exemplo.

6. Lavar bem as mãos e os alimentos

Tendo em conta que esta bactéria se transmite, sobretudo, através do contacto com água ou comida contaminadas, é importante lavar regular e corretamente as mãos e cozinhar muito bem todos os alimentos, antes de os consumir.

A importância do diagnóstico

A gastrite tem um prognóstico favorável, se o seu diagnóstico e tratamento forem atempados. Para isso, não se devem desvalorizar os sintomas suspeitos da doença e é muito importante consultar um médico para uma correta avaliação.

Como dissemos, para confirmar o diagnóstico e perceber a gravidade da doença, podem ser prescritos alguns exames médicos, os quais pode realizar com toda a segurança e profissionalismo numa Unidade Unilabs.

A execução destes exames é da máxima importância para um diagnóstico correto e preciso.

Finalmente, é essencial cumprir com o tratamento indicado pelo médico, o qual terá uma vertente farmacológica, mas também passará pela alteração de alguns comportamentos e hábitos de vida.

+ Fontes

  1. Dias, Ana Lídia, et al (2017). Gastrite crónica autoimune. Disponível em: http://www.metis.med.up.pt/index.php?title=Especial:Exportar_em_PDF&page=Gastrite_cr%C3%B3nica_autoimune
  2. Vakil, Nimish. (2020). Gastrite, Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/dist%C3%BArbios-digestivos/gastrite-e-%C3%BAlcera-p%C3%A9ptica/gastrite
  3. NHS. (2019). Gastritis. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/gastritis/
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