As doenças da tiroide afetam 1 em cada 200 adultos, sendo mais comum nas mulheres e com o aumento da idade.
A tiroide é uma pequena glândula, localizada na face anterior do pescoço, com cerca de 5 cm de diâmetro. A sua função é produzir hormonas tiroideias que controlam diversas atividades metabólicas do organismo, nomeadamente a temperatura corporal, frequência cardíaca, tensão arterial, peso e estados de humor.

Quais as principais doenças da tiroide?

1. Bócio

O bócio pode apresentar dois tipos de morfologia: difusa ou multinodular. Quando a tiroide apresenta um aumento de volume de forma difusa, trata-se de bócio simples. Quando se verifica a formação de nódulos, trata-se de bócio nodular.

2. Nódulos

Os nódulos podem ser únicos ou múltiplos. Na maioria dos casos não se consegue qual o motivo do seu aparecimento, mas suspeita-se que possam ser:

  • Causas genéticas (hereditariedade);
  • Radioterapia da cabeça e pescoço;
  • Determinado tipo de medicação;
  • Deficiência de iodo.

Estes nódulos podem ser benignos (nódulos coloides, quistos, adenomas) ou malignos. A este respeito, importa sublinhar que a maioria dos cancros da tiroide não têm a gravidade dos outros cancros, por isso são designados de “pouco agressivos”. Tratam-se através da cirurgia e, por vezes, com iodo radioativo, exigindo vigilância para o resto da vida.

Já os nódulos únicos, com menos de 1 cm, não se valorizam em termos clínicos e exigem apenas um controlo anual. Os nódulos com mais de 1 cm necessitam da realização de uma citologia para se verificar se se trata de um nódulo benigno (o mais frequente) ou maligno (o mais raro).

Os nódulos múltiplos (ou bócio multinodular), quando volumosos, podem determinar desconforto/compressão a nível do pescoço, podendo justificar tratamento cirúrgico.

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Hipertiroidismo

Numa situação de hipertiroidismo, a glândula da tiroide encontra-se hiperativa, a produzir quantidades excessivas de hormonas tiroideias. Esta condição tem maior prevalência no sexo feminino (2% nas mulheres vs 0,2% nos homens) e em populações com carência de iodo.

Os principais sintomas são:

  • Ansiedade e irritabilidade;
  • Cansaço, particularmente muscular (braços, coxas, dificuldade em levantar objetos ou subir escadas);
  • Tremores;
  • Palpitações;
  • Sudação;
  • Emagrecimento;
  • Alterações menstruais, no caso do sexo feminino.

Hipotiroidismo

Neste caso, a glândula da tiroide tem produção insuficiente ou mesmo nula de hormonas tiroideias. Estas hormonas são muito importantes em todas as fases da vida, desde a formação dos órgãos fetais (principalmente o cérebro), o crescimento, o desenvolvimento, a fertilidade e a reprodução. Tem atuação nos batimentos cardíacos, sono, raciocínio, memória, temperatura do corpo, funcionamento intestinal e metabolismo.

Os principais sintomas do hipotiroidismo são:

  • Cansaço;
  • Intolerância ao frio;
  • Obstipação;
  • Aumento de peso;
  • Perda de cabelo;
  • Secura e espessamento da pele;
  • Dificuldade de concentração ou memorização (podendo ser confundido com quadros clínicos de demência);
  • Formigueiro e dor nas mãos;
  • Na mulher, também podem surgir alterações menstruais.

Doenças autoimunes

Na doença de Graves e na Tiroidite de Hashimoto, o organismo produz anticorpos que podem estimular ou destruir a glândula.

A Tiroitide de Hashimoto é a causa mais comum de hipotiroidismo em adultos, sobretudo em mulheres.

Já a doença de Graves é a principal causa do hipertiroidismo. Estudos confirmam que um aumento da ingestão de iodo promove um aumento de prevalência da doença de Graves (1, 2).

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Doenças da tiroide: as causas associadas

As doenças da tiroide são geralmente despoletadas por uma combinação de fatores genéticos, ambientais e endógenos, tal como acontece com outras doenças autoimunes.

Dos fatores ambientais destacam-se:

  • Hábitos tabágicos;
  • Stress;
  • Consumo de determinados fármacos;
  • Consumo de iodo.

Dos fatores endógenos, salienta-se a gravidez como importante fator de risco para o hipotiroidismo autoimune, para a Doença de Graves, bem como para a tiroidite pós-parto.

Comprovadamente associadas à tiroidite autoimune crónica (Tiroidite de Hashimoto) estão as seguintes doenças:

  • Doença de Addison;
  • Diabetes Mellitus tipo 1;
  • Doença Celíaca;
  • Anemia Perniciosa;
  • Esclerose Múltipla;
  • Lúpus Eritematoso Sistémico;
  • Artrite Reumatoide (1).
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Diagnóstico

Perante uma suspeita clínica de doenças da tiroide, as análises ao sangue para avaliar os níveis das hormonas (T3,T4,TSH) são o primeiro passo para o diagnóstico.

No hipertiroidismo é necessário dosear os valores em circulação das hormonas tiroideias (T3 livre e T4 livre), que estão habitualmente elevadas, e a TSH (que se encontra diminuída).

No hipotiroidismo a confirmação do diagnóstico faz-se por análise da TSH e da tiroxina livre (FT4) no sangue; habitualmente a TSH está aumentada e a T4 livre.

Na presença de um nódulo, o exame inicial é a ecografia à tiroide que por si só não determina se estamos perante um nódulo maligno ou benigno. Para tal, teremos que realizar mais análises e avaliação de características específicas, como o tamanho do nódulo.

Se o nódulo cumpre esses critérios, o próximo passo é a citologia com agulha fina, onde se retira uma amostra para análise. Em algumas situações particulares faz-se a cintigrafia da tiroide (2).

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Tratamento das doenças da tiroide

Tratamento do hipotiroidismo

O tratamento do hipotiroidismo faz-se através de medicação, com comprimidos de tri-iodotironina (T3) ou de tiroxina (T4) – sendo esta última a preferida por ser suficiente a sua toma uma vez por dia. Por vezes o hipotiroidismo pode ser transitório e só nesses casos o tratamento não será feito durante toda a vida.

Tratamento do hipertiroidismo

Para o tratamento do hipertiroidismo estão indicados antitiroideus, que diminuem a quantidade de hormonas tiroideias em circulação (metimazol e o propiltiouracilo).

Fármacos conhecidos como β-bloqueadores são úteis assim que é feito o diagnóstico visto que melhoram alguns dos sintomas do hipertiroidismo. No entanto, não reduzem a produção de hormonas tiroideias, pelo que deverão ser suspensos quando a doença está controlada.

O iodo radioactivo permite lesar as células da tiroide, levando à diminuição da capacidade de produzir hormonas tiroideias – conseguindo-se uma normalização da quantidade de hormonas tiroideias em circulação.

Em algumas doenças da tiroide é necessária a retirada da glândula, seja por falta de resposta ou tratamento, seja pela presença de nódulos malignos. Nestes casos o doente tomará comprimidos de hormonas e suplementos de cálcio para toda a vida (1).

Quando deve procurar um médico

Ao observar algum dos sintomas descritos, deve sempre procurar um médico. Muitas vezes, as alterações na tiroide são confundidas com depressão, preguiça e desânimo. O tratamento correto das doenças da tiroide permite o retorno à vida normal e impede que o quadro do doente se agrave.

+ Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo . Grupo de estudo da tiroide. Disponível em: http://www.spedm.pt/grupo-de-estudo-da-tiroide/
  2. Associação das doenças da tiroide. Disponível em: https://adti.pt/
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