A doença coronária atinge as artérias coronárias e pode provocar angina de peito ou enfarte do miocárdio. Conheça os sintomas e como prevenir esta patologia.

A doença coronária afeta milhões de pessoas em todo o mundo e possui uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade. Em Portugal, anualmente e ao longo do últimos 10 anos, são mais de 12 mil os portugueses que sofrem enfartes agudos do miocárdio.

Entende-se por doença coronária toda a patologia que afeta as artérias coronárias, que são as artérias responsáveis por levar o oxigénio às células do coração. A doença coronária manifesta-se clinicamente como angina de peito ou, nos casos mais graves, com enfarte do miocárdio.

Na maior parte das vezes, na origem das manifestações de doença coronária, está a aterosclerose, associada à idade e aos factores de risco vascular “major”: o tabagismo, a diabetes, a hipertensão, a dislipidemia, situações muitas vezes associadas a um mau estilo de vida.

Porém, a doença coronária também pode ser causada pela presença de um coágulo sanguíneo numa das artérias coronárias ou pelo espasmo repentino de uma artéria coronária 1. Fique a saber mais sobre este tema.

O que é e por que se dá a doença coronária?

A doença coronária pode definir-se como um envolvimento progressivo das artérias coronárias pelo processo aterosclerótico. Por outras palavras, a gordura circulante vai-se acumulando nas nas paredes das artérias de médio e grande porte, levando a uma obstrução do fluxo sanguíneo progressiva, impedindo o aporte necessário de oxigénio ao músculo cardíaco.

aterosclerose

Fatores de risco da doença coronária

Há hábitos que constituem fatores de risco para a aterosclerose e, consequentemente, para a doença coronária. Alguns exemplos desses comportamentos são:

  • Alimentação desequilibrada;
  • Obesidade;
  • Tabagismo;
  • Consumo alcóolico pesado
  • Sedentarismo;
  • Stress ou depressão;
  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol elevado;
  • Diabetes;
  • História familiar de aterosclerose e/ou de doença coronária.

A prevalência de doença coronária aumenta significativamente nos homens após os 50 anos, sendo mais baixa na mulher onde se manifesta mais frequentemente depois da menopausa.

Os sintomas da doença coronária

De um modo geral, a doença coronária manifesta-se através de uma dor torácica, descrita como uma “sensação de aperto”, “pressão”, “ desconforto”, “ardor no peito”, normalmente retroesternal (no centro do tórax) ou sobre o lado esquerdo, com irradiação para os ombros ou para o maxilar inferior, por vezes para a região dorsal ou abdomén superior.

mulher com dores no peito

Angina de peito

A angina de peito é uma dor de duração normalmente inferior a 30 minutos, surgindo mais tipicamente associada ao esforço, especialmente a subir, com alívio típico com o repouso.

Corresponde a um período transitório de falta de oxigenação das células do miocárdio, pois as placas de aterosclerose limitam o fluxo sanguíneo quando é preciso aumentar o débito, como no caso do exercício fisico.

Surge mais frequentemente acima dos 50 anos em doentes com fatores de risco vascular.

Enfarte do miocárdio

Uma dor de características semelhantes, intensa, normalmente com duração de 6-12 horas, estendendo-se até 24 horas, sem relação com o esforço, associada a palidez, mal estar intenso, vómitos, caracteriza o enfarte do miocárdio (“ataque cardíaco”).

Neste caso há uma completa obstrução do fluxo sanguíneo e consequentemente do aporte do oxigénio às células do miocárdio, que vão progressivamente morrendo, levando à substituição do tecido cardíaco, muscular, por zonas de fibrose, sem capacidade de contração.

Perante estes sintomas, deve agir-se com rapidez e contactar de imediato o número de emergência 112, que na suspeita de enfarte acionará o INEM e a via Verde Coronária. O objetivo destes procedimentos é que a intervenção pré-hospitalar e o atendimento intra-hospitalar sejam o mais rápidos e eficazes possível 2.

A rapidez é fundamental, pois a abertura da artéria obstruída nas primeiras duas horas de dor, restabelecendo o aporte de oxigénio, salva a grande maioria das células em risco.

Nesse momento, é encaminhada uma ambulância medicalizada para o local onde a pessoa se encontra, de modo a ser realizada uma avaliação médica e um eletrocardiograma.

Também existem “ataques cardíacos silenciosos”, isto é, enfartes do miocárdio que não se manifestam através de quaisquer sintomas. Estes quadros são mais comuns em indivíduos diabéticos e/ou mais idosos 3.

Diagnóstico da doença coronária

O diagnóstico da doença coronária passa pela avaliação dos sintomas do paciente, dos seus fatores de risco, assim como da sua história clínica individual e familiar.

Para confirmar o diagnóstico ou excluir doença é necessário fazer alguns exames:

  1. Baseados nos sintomas e no eletrocardiograma com a prova de esforço;
  2. Baseados na imagem como o ecocardiograma de sobrecarga, angio-TAC coronário, cintigrafia de perfusão do miocárdio ou a ressonância magnética cardíaca;
  3. Caso necessário, podem ser realizados exames mais invasivos como o cateterismo cardíaco com coronariografia.

Angioplastia coronária com colocação de stent

Tratamento da doença coronária

Em caso de doença coronária, com repercussão clínica, existem vários tratamentos disponíveis, nomeadamente:

  • Angioplastia coronária com colocação de stent, no qual se faz uma dilatação da zona da obstrução com um balão, a que se segue a colocação de uma prótese metálica cilíndrica expansível, para evitar o estreitamento do vaso sanguíneo (reestenose).
  • Cirurgia cardíaca de revascularização miocárdica, uma das mais frequentes cirurgias do mundo.

Não é demais referir que o tratamento médico é muito importante na estabilização da doença coronária e para evitar da progressão dos fenómenos de arteriosclerose, nas coronárias e em outros territórios arteriais.

Medicação para o tratamento

Os fármacos mais importantes são estatinas em doses elevadas (que estão indicadas para tratar a arteriosclerose e não apenas o colesterol) e os anti-agregantes plaquetários, como a aspirina.

A importância de controlar os fatores de risco

O controle de fatores de risco como a cessação tabágica, o tratamento da hipertensão e da diabetes, atingindo os níveis alvo, quer através de terapêutica médica, quer pela modificação do estilo de vida, contribuem decisivamente para reduzir os eventos e a mortalidade cardiovascular.

Complicações da doença coronária

Assim que alguém sofre um enfarte do miocárdio, podem registar-se algumas complicações imediatas, tais como 4:

  • Arritmias;
  • Descida da tensão arterial (choque cardiogénico);
  • Diminuição dos níveis de oxigénio no sangue (hipoxemia);
  • Acumulação de fluidos nos pulmões (edema pulmonar).

A doença coronária é uma doença crónica, sem cura, controlável com a toma regular da medicação prescrita pelo seu médico.

A realização de exames cardiovasculares periódicos, de análises sanguíneas regulares, permite evitar novos eventos em toda as nossas artérias (do coração, do cérebro e do membros inferiores), como sejam:

  • Novo enfarte do miocárdio;
  • Angina de peito;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Arritmias malignas, algumas com morte súbita;
  • Acidente vascular cerebral (“trombose”);
  • Doença arterial periférica (“obstruções das artérias dos membros inferiores”).

jovem a praticar exercício físico ao ar livre

Prevenir a doença coronária é o mais importante

Apostar na prevenção global de todo o processo aterosclerótico é mesmo a melhor medida a adotar. Para isso, só precisa de dar alguns passos essenciais, nomeadamente:

  • Fazer uma alimentação saudável (ingerir cinco porções de fruta e de vegetais por dia e reduzir o consumo de alimentos gordos, como carnes vermelhas, queijo e bolos);
  • Praticar exercício físico regularmente (como fazer caminhadas, por exemplo);
  • Não fumar, nem beber álcool de forma excessiva.

Todos estes hábitos vão fortalecer as suas artérias, e nos caso das coronárias garantir que o seu músculo cardíaco está alimentado por artérias sãs, evitando-se assim problemas e complicações graves, como é por exemplo o caso do enfarte do miocárdio.

+ Fontes

  1. Catarino, Carlos. A doença coronária. Disponível em: http://www.fpcardiologia.pt/a-doenca-coronaria/
  2. Centro Hospitalar de Setúbal. Enfarte do miocárdio. Disponível em: http://www.chs.min-saude.pt/wp-content/uploads/sites/5/2020/05/ENFARTE-MIOCARDIO.pdf
  3. NHS. Ataque cardíaco. Disponível em: https://www.nhs.uk/translationportuguese/documents/heart_attack_portuguese_final.pdf
Tags
Unilabs Autor Unilabs

Presente em Portugal desde 2006, a Unilabs é líder nacional em Diagnóstico Clínico, com mais de 1000 Unidades de atendimento ao seu dispor. Serviços: Análises Clínicas, Cardiologia, Anatomia Patológica, Radiologia, Genética Médica, Medicina Nuclear, Gastrenterologia.