Estima-se que a Diabetes Mellitus afete cerca de 13,3% da população portuguesa, entre os 20 e os 79 anos de idade. Conheça mais sobre este tema.

A prevalência da Diabetes Mellitus é superior nos homens (12,1%) em comparação com as mulheres (7,7%), sendo que cerca de 44% da população portuguesa ainda não terá sido diagnosticada. Esta doença afeta não só idosos e adultos, mas também crianças. Saiba como é feito o diagnóstico e de que forma é possível controlar a diabetes.

O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença caracterizada pela elevada quantidade de glicose (ou açúcar) presente no sangue. Tal acontece devido à incapacidade do organismo produzir insulina (hormona gerada pelo pâncreas, que tem como função levar a glicose para o interior das células para que sejam absorvidas e convertidas em energia).

Quando este mecanismo não acontece ou as células deixam de responder à insulina (também designada de resistência à insulina), há uma elevada concentração de glicémia no sangue. A longo prazo, a hiperglicemia irá deteriorar os vasos sanguíneos e levar a inúmeras doenças como as cardiovasculares, enfarte agudo do miocárdio ou até a morte súbita.

É normal que, ao longo do dia, os níveis de glicose sofram alterações. Após as refeições, os níveis de glicose aumentam e o organismo vai produzir insulina para que ocorra a passagem desta para as células. No entanto, após duas horas, os valores devem regressar ao normal.

Para pessoas saudáveis, os níveis de glicose devem situar-se entre 70 a 110 (mg/dl). Considera-se diabética toda a pessoa com sintomas de hiperglicemia e níveis de glicemia superiores a 126mg/dl em jejum, ou mais de 200mg/dl a qualquer medição ao longo do dia.

Médica a medir nível de açúcar no sangue a paciente

Que tipos de diabetes existem?

Existem diferentes tipos de diabetes, nomeadamente:

1. Pré-diabetes

A pré-diabetes, tal como o nome indica, é a condição inicial desta doença. Neste caso, o valor da glicose encontra-se elevado face ao normal, mas não atingiu ainda o valor para ser considerado diabetes.

É considerada pré-diabética a pessoa cuja glicemia em jejum se situe entre 100 mg/dl e 125 mg/ld, ou se a glicemia duas horas após o teste oral de tolerância à glicose se situe entre 140 mg/dl e 199 mg/dl. Em alguns casos, é possível reverter esta condição adotando um estilo de vida saudável, uma alimentação cuidada e exercício físico adequado.

2. Diabetes tipo 1

A diabetes tipo 1, ou insulino-dependente, é a forma menos comum de diabetes e atinge sobretudo crianças e jovens. No entanto, pode também surgir em adultos ou mesmo idosos, embora seja menos frequente. Neste caso, o sistema imunitário ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, o que causa a sua destruição permanente.

Os sintomas iniciam-se de forma drástica e são muito característicos: náuseas, vómitos, dor abdominal e um aroma frutado do hálito. O tratamento adequado deve ser imediato para evitar um quadro clínico grave designado cetoacidose diabética (produção de ácido em excesso pelo organismo), que pode ocorrer e levar a coma ou até mesmo à morte.

Pessoas com diabetes tipo 1 necessitam de insulina para o resto da vida, pois o organismo deixou de produzir esta hormona. Até aos dias de hoje, a causa deste tipo de diabetes não é conhecida.

3. Diabetes tipo 2

A diabetes tipo 2 carateriza-se por um desequilíbrio no metabolismo da insulina. Neste caso, o pâncreas produz uma quantidade elevada de insulina, o que leva a uma resistência aos seus efeitos.

Com o avançar da doença, o organismo vai tendo maior dificuldade em compensar este desequilíbrio e os níveis de glicose aumentam.

Pessoas com diabetes tipo 2 têm uma predisposição genética que pode ser agravada por fatores de risco como a obesidade e o sedentarismo. No entanto, este tipo de diabetes pode ser prevenido com um estilo de vida saudável ao longo da vida.

4. Diabetes gestacional

A diabetes gestacional, tal como o nome indica, ocorre durante a gravidez. Muitas vezes mulheres que não eram diabéticas desenvolvem esta condição que termina após o parto.

Sabe-se que a diabetes gestacional afeta uma em cada 20 grávidas. Através de uma dieta específica, ou em alguns casos insulina, é possível controlar esta condição.

O diagnóstico e acompanhamento adequado é fundamental, pois estima-se que metade das grávidas com diabetes gestacional desenvolvem diabetes tipo 2 no futuro.

Mulher a beber água

Outras causas da diabetes

Outras causas podem estar na origem da diabetes, tais como:

  1. Medicação: o uso de medicamentos corticosteróides pode elevar a concentração sanguínea desta substância e desencadear a Síndrome de Cushing.
  2. Acromegalia: produção excessiva pelo organismo da hormona de crescimento.
  3. Tumores secretores de hormonas.
  4. Pancreatite: infeção do pâncreas.

Principais sintomas da diabetes

Os sintomas mais frequentes de diabetes são:

  • Aumento da sede;
  • Aumento da frequência urinária;
  • Aumento da fome;
  • Boca seca;
  • Visão turva;
  • Sonolência;
  • Náuseas;
  • Cansaço.

Devido à pessoa com diabetes urinar em excesso, existe uma perda acentuada de nutrientes e minerais, pelo que também há perda de peso. Para compensar, existe um aumento do apetite.

Como se avalia a diabetes?

A diabetes pode ser avaliada com recurso a:

  1. Medição da glicemia em jejum: efetuada com base numa amostra sanguínea colhida em jejum, ou em alguns casos após a pessoa ter feito uma refeição. O valor da glicemia em jejum não deve ser superior a 100 mg/dl nem 140 mg/dl duas horas após a última refeição.
  2. Medição da glicemia capilar: para quem tem diagnóstico de pré-diabetes ou diabetes, deve controlar os valores com recurso aos testes de glicemia capilar. Uma picada é efetuada no dedo e a pequena quantidade de sangue é colocada numa tira para ser lida numa máquina de medição rápida.
  3. Hemoglobina glicada: o teste da hemoglobina glicada (A1c) consiste na colheita de uma amostra de sangue em jejum, na qual será analisada a quantidade de glicose circulante no sangue nos últimos 3 meses.
  4. Teste de tolerância à glicose: tem como objetivo avaliar o comportamento do metabolismo quando existem diferentes níveis de glicose no sangue. Geralmente são realizadas três medições: a primeira em jejum, a segunda após a ingestão de um líquido açucarado (75 mg de glicose) e a terceira, duas horas após a primeira medição. Este exame é muito utilizado no diagnóstico da diabetes gestacional (durante o 2º trimestre de gravidez), mas também nos outros subtipos desta doença.

Picada no dedo para medir a glicemia em jejum

Complicações da diabetes

A diabetes afeta os vasos sanguíneos, o que causa o seu estreitamento e dificuldade no fluxo de sangue. Dado que este cenário pode ocorrer em qualquer parte do corpo, muitos órgãos podem ser afetados. Por isso, é fundamental que a diabetes esteja controlada, sob pena de ocorrerem complicações graves como:

  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Hipertensão arterial;
  • Perda de visão;
  • Enfarte;
  • Doença renal crónica;
  • Diminuição da sensibilidade nos pés e mãos;
  • Pé diabético;
  • Disfunção sexual;
  • Maior probabilidade de infeções fúngicas e bacterianas devido ao sistema imunitário mais fragilizado.

Tratamento da diabetes

O tratamento da diabetes passa por alguns pilares fundamentais como:

  • Dieta adequada;
  • Atividade física adequada (pelo menos 150 minutos por semana, três vezes por semana. Pessoas com diabetes, devem ter em atenção os níveis de glicémia que tendem a diminuir durante o exercício prolongado);
  • Perda de peso;
  • Educação do doente e da família.
  • Especificamente, no caso de pessoas com diabetes tipo 1, há a necessidade de injeções de insulina ao longo de toda a vida. Já na diabetes tipo 2, habitualmente o tratamento é feito com recurso a terapêutica por via oral e, por vezes, injeções de insulina.

Prevenir a diabetes

Uma vez que não existe um exame preventivo à diabetes, é recomendada a medição anual da glicemia a todas as pessoas com:

  • Mais de 45 anos de idade, em especial os idosos;
  • Pré-diabetes;
  • Excesso de peso ou obesidade;
  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol elevado;
  • Doença cardiovascular;
  • História familiar de diabetes;
  • Diabetes gestacional ou bebé com peso ao nascimento superior a 4kg;
  • Síndrome do ovário policístico;
  • Etnia afro-americana, hispânica, asiático-americana ou de índios americanos, em que a diabetes tem maior incidência.

Diabetes e Nutrição: 5 cuidados a ter

Não é segredo que a dieta é essencial na gestão de muitas doenças, incluindo a diabetes. Embora a dieta deva ser individualizada aos gostos e necessidades específicas de cada doente, existem algumas linhas orientadoras que servem como alicerces da prescrição nutricional para os diabéticos

1. Escolha cuidada e consciente das fontes de hidratos de carbono

Variedade de massas e cereais integrais em cima de mesa

Se é diabético, deve controlar de forma cuidada a ingestão de alimentos com elevado índice glicémico, ou seja, alimentos que provocam subidas rápidas e bruscas do açúcar no sangue.

Uma vez que este parâmetro é ditado pelo equilíbrio entre o teor de açúcar e de fibras, quantidade total de macronutrientes e água no produto em questão, é normal que alimentos ricos em hidratos de carbono simples como pão branco e açúcar apresentem elevados índices glicémicos e sejam desaconselhados para doentes diabéticos.

Uma forma simples de contornar esta questão é garantir que a escolha dos hidratos de carbono caia sobre opções menos processadas e com mais fibra. No entanto, caso haja ingestão de produtos com maior carga glicémica, como doces e produtos de pastelaria, deve garantir que é após a ingestão de refeições com teor controlado de proteínas, gordura e fibras, de forma a modelar a velocidade com que os açúcares são absorvidos no intestino.

Quanto às fontes de hidratos de carbono mais complexos, exemplos claros são os pães elaborados com farinhas integrais, leguminosas, grãos como quinoa, cereais integrais e opções integrais de massas e arroz.

Estas, para além de serem absorvidas mais lentamente, são ainda fontes interessantes de fibras, vitaminas e minerais que frequentemente se encontram em falta nas versões mais processadas.

Tenha atenção, no entanto, porque integral nem sempre é significado de dietético ou saudável. Consulte o seu médico assistente ou nutricionista no sentido de incluir estes alimentos, muitas vezes mais calóricos que as versões standard, no seu plano alimentar diário.

2. Escolha cuidada e consciente das fontes de gordura

Ingredientes para fazer uma salada de salmão e abacate

Embora se saiba que alimentos ricos em gordura saturada, colesterol e gordura trans podem aumentar o risco de doença cardiovascular, as gorduras são parte fundamental da dieta e nunca devem ser totalmente eliminadas.

De acordo com a Harvard School of Public Health, alimentos ricos em gorduras “boas” ou insaturadas podem ajudar a baixar os níveis de colesterol e triglicerídeos, contribuindo para controlar o risco de doenças cardiovasculares.

Assim sendo, tente substituir fontes proteicas como carnes vermelhas por peixes gordos como salmão, sardinha e arenque, e inclua no seu dia alimentos como azeite, abacate, frutos secos e sementes, mas sempre com supervisão médica.

3. Aumente a ingestão de frutas e vegetais

Variedade de frutas e legumes

O equilíbrio do tipo de hidratos de carbono na dieta é essencial para o controlo da diabetes. Incluir fontes de hidratos ricas em fibra, como é o caso dos cereais inteiros e integrais, frutas e vegetais, é vital para o sucesso do controlo glicémico.

Além disso, uma vez que as fibras são importantes para aumentar a saciedade das refeições, podem ser úteis no combate ao excesso de peso, um dos fatores de risco da diabetes tipo 2.

As frutas são, regra geral, fontes interessantes de fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes e, quando ingeridas com a casca, potenciam o aporte de todos estes nutrientes. Opções ricas em fibra incluem as peras, cerejas, amoras, framboesas, arandos e mirtilos.

Por outro lado, frutas como a melancia, ananás, uvas (incluindo as uvas passas) e laranjas, pelo pobre teor em fibra e/ou baixo teor de água (como é o caso das passas), devem ser evitadas no sentido de potenciar o controlo do açúcar no sangue.

Quanto aos vegetais, estes são carateristicamente pobres em calorias e ricos em água, o que aumenta a sensação de saciedade sem grande ingestão energética. Algumas opções interessantes são os brócolos, espinafres, pimentos, cenouras, feijão verde, tomates e alface.

4. Planeie as suas refeições

Mulher a planear ementa semanal

Na diabetes, a ingestão de hidratos de carbono deve ser fragmentada ao longo do dia, especialmente no caso da diabetes tipo 1.

Neste sentido, deve garantir que segue não só o esquema terapêutico, mas também o plano alimentar proposto aquando do diagnóstico, de forma a evitar tanto subidas como descidas do açúcar no sangue.

5. Evite ou restrinja a ingestão de bebidas alcoólicas

Mulher a recusar que lhe sirvam vinho

O etanol está associado com o risco de hipoglicemia tardia, especialmente quando associado com a toma de medicamentos como secretagogos e sensibilizadores da insulina, como sulfonilureias e biguanidas, ou mesmo insulina.

A hipoglicemia caracteriza-se por valores de glicemia inferiores a 70 mg/dL e os sinais e sintomas incluem, mas não se limitam, a tremores, irritabilidade, confusão, taquicardia e fome. Constitui um problema inconveniente e assustador para os doentes diabéticos, podendo inclusive ser mais perigoso que um episódio de hiperglicemia.

Em doentes diabéticos e pré-diabéticos é recomendada moderação na ingestão de bebidas alcoólicas, correspondendo a 1 e 2 copos por dia, para mulheres e homens.

Conclusão

A diabetes é uma doença com grande prevalência na população portuguesa. Afeta todas as faixas etárias e tem grande impacto na vida do doente e sua família. Por isso, é fundamental ao longo da vida adotar um estilo de vida saudável, praticando uma alimentação equilibrada e exercício físico para prevenir ou evitar complicações mais graves desta doença.

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+ Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2016). Observatório Nacional de Diabetes: relatório de 2016. Disponível em: http://www.spd.pt/images/bolsas/dfn2015.pdf
  2. Direção-Geral da Saúde (2017). Programa Nacional para a Diabetes. Disponível em: https://www.dgs.pt/portal-da-estatistica-da-saude/diretorio-de-informacao/diretorio-de-informacao/por-serie-894111-pdf.aspx?v=%3D%3DDwAAAB%2BLCAAAAAAABAArySzItzVUy81MsTU1MDAFAHzFEfkPAAAA
  3. American Diabetes Association (2020). Diabetes. Acedido a 8 de Outubro de 2020. Disponível em: https://www.diabetes.org/diabetes
  4. Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (2020). ABC da Diabetes. Acedido a 8 de Outubro de 2020. Disponível em: https://apdp.pt/diabetes/abc-da-diabetes/
  5. ADA. (n.d.). The big picture: checking your blood glucose. Disponível em: http://www.diabetes.org/diabetes/medication-management/blood-glucose-testing-and-control/checking-your-blood-glucose
  6. Harvard School of Public Health. (n.d.). Fat and Cholesterol. Disponível em: https://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/what-should-you-eat/fats-and-cholesterol/

 

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