Uma patologia cuja prevalência tem vindo a aumentar, a diabetes gestacional, trata-se de um subtipo de hiperglicemia, diagnosticada na gravidez.

O perfil da diabetes entre as mulheres mudou, tendo a diabetes tipo 2 prévia à gravidez aumentado a sua prevalência. De igual forma, a prevalência da diabetes gestacional também tem vindo a aumentar em todo o mundo, o que implica um acréscimo de recursos em saúde. 

Apesar dos progressos nos recursos na vigilância e tratamento da diabetes nas grávidas, o objetivo de conseguir que o resultado da gravidez na mulher com diabetes se aproxime do resultado da gravidez na mulher sem diabetes ainda não foi conseguido 1.

O que é a diabetes gestacional?

Em 2013, a Organização Mundial de Saúde definiu a Diabetes Gestacional como um subtipo de hiperglicemia, diagnosticada pela primeira vez na gravidez em curso, devido a uma maior resistência à insulina que pode ocorrer nesta fase, uma vez que as hormonas produzidas pela placenta dificultam a ação da insulina. 

Apesar do feto recorrer à glicose em circulação da mãe, conduzindo a valores mais baixos de glicemia, se a resistência à insulina for muito significativa, estes valores podem aumentar bastante, superando o desejado 2.

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Fatores de risco para a diabetes gestacional

Associadas a esta patologia, poderão desenvolver-se várias consequências negativas para a grávida, como pré-eclâmpsia ou excesso do líquido amniótico, assim como diretamente para o feto e, futuramente, para a criança, como por exemplo, excesso de peso do feto, parto prematuro, icterícia e hipoglicemias no recém-nascido, e maior risco de desenvolvimento de obesidade infantil e juvenil e de diabetes tipo 2.

Existem diversos fatores de risco para esta patologia, muitos dos quais não podem ser controlados, tais como:

  • histórico familiar de diabetes tipo 2;
  • obesidade anterior à gestação;
  • aumento de peso muito acentuado durante a gravidez;
  • idade avançada da grávida;
  • diabetes gestacional em gravidezes anteriores;
  • gravidezes anteriores com bebés de peso à nascença superior a 4 kg.

 Como diagnosticar diabetes gestacional

O diagnóstico da patologia é fundamental para que possam ser tomadas as medidas terapêuticas adequadas. Para isso, é efetuada a avaliação da glicemia em jejum no primeiro trimestre (entre a 8ª e a 12ª semanas), sendo o diagnóstico positivo para valores glicémicos superiores a 92 mg/dL

Em caso de diagnóstico negativo, a avaliação deverá voltar a ser feita entre a 24ª e a 28ª semanas, através de um teste de tolerância à glicose oral, em que são registados os valores da glicemia em jejum, 1 hora após a ingestão da bebida com 75g de glicose e novamente após 2 horas. Para um diagnóstico positivo, geralmente é realizada uma nova avaliação após 6 a 8 semanas do parto, no sentido de confirmar se os valores glicémicos normalizaram conforme esperado, já que mulheres com diabetes gestacional têm maior probabilidade de desenvolverem diabetes.

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Onde fazer o diagnóstico da diabetes gestacional?

A análise clínica da glicemia em jejum para o diagnóstico da patologia, pode ser feita em qualquer Unidade Unilabs, de norte a sul do país. No entanto, a pensar no conforto das futuras mamãs, criámos o Espaço Grávidas unicamente dedicado a mulheres grávidas.

Assim, a Unilabs do Lago, no Porto, inaugurou um novo espaço com um conjunto de serviços personalizados que incluem Spotify, Netflix e wi-fi gratuito, que pode usufruir num dos vários espaços acolhedores e privativos disponibilizados na Unidade. 

Tem ainda a possibilidade de fazer marcação prévia para análises de média/longa duração, como é o caso do diagnóstico da diabetes gestacional.

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Quais os cuidados a ter e como tratar a diabetes gestacional?

Em caso de diagnóstico positivo, existem alguns cuidados que a grávida deve considerar, no sentido de melhor controlar os valores de glicemia. 

Para isso, uma terapêutica nutricional adequada é essencial durante toda a gravidez, considerando os estados de saúde materno e fetal individuais, tais como os hábitos e rotinas da grávida. 

Nesse sentido, o ideal será consultar um nutricionista, que poderá esclarecer todas as dúvidas que tenha acerca da sua alimentação e elaborar um plano alimentar personalizado, distribuindo adequadamente o valor energético e de hidratos de carbono ao longo do dia. 

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Alimentação adequada e personalizada

A terapêutica nutricional é fundamental no tratamento da diabetes gestacional, devendo incluir um plano alimentar personalizado e de acordo com o estado nutricional, antecedentes clínicos, hábitos alimentares e sócio-culturais da grávida. 

Algumas considerações baseadas numa alimentação saudável e equilibrada deverão ser  tidas em conta, como por exemplo:

  • Fazer 5 a 6 refeições por dia;
  • Procurar incluir hidratos de carbono complexos na ceia, no sentido de evitar situações de hipoglicemia noturna;
  • Distribuir os macronutrientes de forma adequada ao longo do dia, especialmente os hidratos de carbono, que deverão rondar os 50 a 55%, respeitando as doses indicadas pelo nutricionista de alimentos como pão, massa, arroz, batata e fruta;
  • Garantir um aporte ajustado de alguns micronutrientes essenciais durante a gestação, tais como ferro, iodo, cálcio, ácido fólico e vitamina C, assim como de fibras;
  • Evitar o consumo de produtos açucarados, como bolos, bolachas, chocolates ou refrigerantes.

Atividade física e terapêutica farmacológica

 Associada a uma alimentação adequada, a atividade física deve ser incentivada, no caso do médico não indicar nenhum inconveniente associado. Procure, por exemplo, fazer cerca de 30 minutos de caminhada após uma das refeições principais.

Para além destes cuidados, uma terapêutica farmacológica também poderá ser prescrita pelo médico. Nesse sentido, numa fase inicial, deverá ser efetuada a medição da glicemia após cada refeição, o que irá permitir avaliar se o plano alimentar que está a seguir é eficaz para diminuir e estabilizar os níveis glicémicos. 

Caso a terapêutica nutricional não seja suficiente, o médico poderá avançar com a prescrição da medicação que achar indicada, devendo o controle diário da glicemia continuar a ser feito.

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Diabetes gestacional, uma patologia silenciosa

Apesar de geralmente ser uma doença silenciosa já que não apresenta sintomas significativos para a mãe, deve ser sempre corretamente diagnosticada e valorizada, no sentido de evitar complicações graves para o feto e que a diabetes da mulher não se prolongue após a gravidez. 

Nesse sentido, é essencial que se façam todos os exames prescritos pelo médico, assim e que se ponha em prática as medidas aconselhadas pelo mesmo, como a elaboração de um plano alimentar ajustado à condição junto de um nutricionista, a prática de exercício físico e, se necessário, a terapêutica farmacológica. 

Para além disso, uma vigilância adequada do estado de saúde materno e fetal serão também cruciais para um saudável desenvolvimento do bebé.

+ Fontes

Unilabs Autor Unilabs

Presente em Portugal desde 2006, a Unilabs é líder nacional em Diagnóstico Clínico, com mais de 1000 Unidades de atendimento ao seu dispor. Serviços: Análises Clínicas, Cardiologia, Anatomia Patológica, Radiologia, Genética Médica, Medicina Nuclear, Gastrenterologia.