Chegou a hora de regressar à rotina habitual, mas o medo e ansiedade imperam. Conheça algumas estratégias para cuidar da saúde mental em tempo de incerteza.

A situação de pandemia e consecutivo isolamento social parecem constituir uma situação de risco para a saúde mental. Assim sendo, importa conhecer e colocar em prática estratégias para cuidar da saúde mental em tempo de incerteza como o que vivemos.

Pandemia por COVID-19: qual o perigo para a saúde mental

Nunca anteriormente se havia verificado uma situação como a que vivemos nos dias de hoje, uma pandemia que tem por consequência a realização de quarentena por milhões de pessoas, em simultâneo, em todo o mundo.

Existem estudos acerca das consequências negativas da situação de quarentena para a saúde mental, no entanto, sempre baseados em pequenos grupos de pessoas, associados a outros vírus, de como é exemplo o Ébola.

O que esses estudos nos dizem é que, de facto, apesar de a quarentena ter efeitos positivos ao nível da limitação do contágio pelo novo coronavírus, quanto mais tempo estivermos isolados maiores serão os riscos de sofrermos danos ao nível da nossa saúde mental.

A situação de isolamento pode causar sintomas como humor deprimido, irritabilidade, ansiedade, medo, raiva e insónia e, a longo prazo, pode constituir fator de risco para o aparecimento de abuso de álcool, sintomas de perturbação de stress pós-traumático e depressão.

Há ainda outras condicionantes com o potencial de afetar negativamente a saúde mental, nomeadamente: o stress associado ao receio de contrair a doença; as dificuldades económicas decorrentes desta pandemia; o risco do aumento do desemprego1 .

Mulher em casa a olhar pela janela

Desconfinamento: o início do fim do isolamento

As autoridades políticas e de saúde deram início ao período de desconfinamento, aconselhando que este seja feito de forma gradual, não colocando em risco o esforço que todos os portugueses fizeram até então.

A pandemia e o estado de emergência colocaram a nossa vivência em sociedade quase que em suspenso, no entanto, chegou a hora de gradualmente retomar as rotinas diárias, com os cuidados (uso de máscara; distanciamento físico; etiqueta respiratória; higienização das mãos e das superfícies) e as alterações que se impõem, dado que ainda temos transmissão da doença em Portugal2 .

A retoma gradual de alguma normalidade não é sinónimo de fim da pandemia, nem é momento de relaxar. Por isso mesmo, as mudanças no dia-a-dia continuam a ser várias. São muitos os portugueses que se mantêm em regime de teletrabalho e muitas as crianças que mantêm o ensino à distância, nomeadamente através da telescola.

Em suma, o regresso à normalidade possível, quer de adultos, quer de crianças/adolescentes, requer uma adaptação das rotinas de outrora e a implementação de novas práticas com vista a prevenir o contágio.

Sair da fase de confinamento e isolamento domiciliário pode, portanto, ser uma tarefa exigente e indutora de stress e de insegurança para algumas pessoas. Assim sendo, importa conhecer algumas estratégias para cuidar da saúde mental em tempo de incerteza.

7 estratégias para cuidar da saúde mental em tempo de incerteza

Nos últimos tempos, o mundo em geral, e as nossas vidas em particular, sofreram enormes mudanças, que nunca julgamos que fossem possíveis. Mudanças desta dimensão podem deixar a sua marca e regressar à rotina habitual pode não ser tarefa fácil.

A incerteza e o medo relativos à exposição ao vírus estão presentes em cada um de nós. O desejo de retomar os contactos e atividades sociais é enorme mas sabemos que as medidas de desconfinamento não são sinónimo de fim da pandemia.

Assim sendo, há que garantir a adaptação a esta nova fase e promover o bem-estar e a saúde psicológica. Estas 7 estratégias para cuidar da saúde mental em tempo de incerteza podem ajudar.

Mulher a preparar-se para sair de casa

1. Reconhecer que sentir ansiedade é normal

A ansiedade é uma função normal e saudável que nos alerta para ameaças e nos ajuda a tomar medidas que garantam a nossa proteção. Nesta nova fase é natural que a ansiedade e insegurança surjam, mas importa não esquecer aquilo que está nas nossas mãos fazer: cumprir as medidas difundidas pelas entidades de saúde3 .

2. Continuar a moderar o acesso à informação

Nesta nova fase, importa manter a moderação do acesso às diversas informações difundidas. Devemos manter-nos informados acerca do estado atual e das medidas de proteção a adotar, no entanto, é importante que o acesso à informação não seja excessivo e constante, de tal forma que cause ansiedade e preocupação incontrolável4 .

3. Antecipar as mudanças

É importante ser capaz de planear e antecipar as adaptações, pessoais, familiares e profissionais que terão de existir no regresso progressivo à vida “normal”, tendo especial atenção às situações que podem constituir uma fonte de ansiedade5.

4. Reenquadrar as exigências da nova realidade

A COVID-19 não desapareceu, nem desaparecerá brevemente, mas teremos de aprender que é possível viver com ela. Há que cumprir todas as recomendações que garantem a nossa segurança e a segurança daqueles que nos rodeiam5 .

5. Reorganizar a rotina

Há que adaptar o dia-a-dia à nova realidade. Importa planear como e quais as tarefas e procedimentos a abandonar, os que são para manter ou adaptar, bem como as novas tarefas e procedimentos a incluir na rotina diária5 .

6. Recomeçar

Este não é o único momento desafiante das nossas vidas. É importante ter em mente que se trata apenas de mais um grande desafio. Assim, ainda que com cuidados acrescidos, e seguindo todas as recomendações das autoridades de saúde, é tempo de retomar, progressivamente, rotinas e horários, tarefas e projetos5.

7. Sentir e transmitir confiança

É preciso confiar que todas as medidas e ações possíveis estão a ser tomadas para tornar seguro o regresso à normalidade possível. Mais ainda, é importante que os adultos sejam capazes de sentir esta confiança e de a transmitir às crianças e aos adolescentes. Antecipar os aspetos positivos do regresso à vida “normal” pode ser uma ajuda, por exemplo, pensar como será bom reencontrar amigos e colegas e voltar a sair à rua6.

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+ Fontes

  1. Afonso, P. (2020). O Impacto da Pandemia COVID-19 na Saúde Mental. Acta Med Port 2020 May;33(5):351-358. Disponível em: https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/1387
  2. Direção Geral da Saúde. (2020). Desconfinamento será um processo gradual. Disponível em: https://covid19.min-saude.pt/desconfinamento-sera-um-processo-gradual/
  3. Unicef. (2020). How to protect your mental health during the coronavirus (COVID-19) pandemic. Disponível em: https://www.unicef.org/serbia/en/how-protect-your-mental-health-during-coronavirus-covid-19-pandemic
  4. Ancis, J. (2020). hree Tips for Mental Health During COVID-19 and Zoom. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-cyberpsychology-page/202004/three-tips-mental-health-during-covid-19-and-zoom
  5. Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2020). COVID-19 Desconfinamento – regressar a (algumas) rotinas habituais. Recomendações para gestores e colaboradores. Disponível em: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_desconfinamento_gestores.pdf
  6. Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2020). COVID-19 Desconfinamento – regressar a (algumas) rotinas habituais. Recomendações para pais e professores. Disponível em: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_desconfinamento_pais.pdf
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