O cancro da pele é o mais prevalente entre os caucasianos, tendo a sua incidência vindo a aumentar desde há décadas, principalmente fruto de uma exposição solar excessiva.

A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, este tipo de cancro apresenta um prognóstico favorável. Por isso é importante estar atento aos sinais que a sua pele dá. Fique, agora, a conhecer os diferentes tipos de cancro de pele que existem.

O que é o cancro da pele?

Há três tipos principais de cancro da pele: o Melanoma, o Carcinoma basocelular ou basalioma e o Carcinoma pavimentoso ou espinocelular, embora ainda existam outros menos frequentes, como o carcinoma de Células de Merkel, o Sarcoma de Kaposi, os linfomas, entre outros.

homem com pele com sinais

Melanoma

O melanoma é um dos tumores malignos mais agressivos. Por isso, o seu diagnóstico e tratamento precoces são especialmente importantes.

Na origem deste problema, está a transformação maligna dos melanócitos, as células responsáveis por produzir melanina e dar cor à nossa pele. Esta alteração celular costuma estar relacionada com uma exposição solar que, até pode ser pontual, mas é feita sem proteção e habitualmente resulta em queimaduras solares.

Sintomas

Pode manifestar-se através de um sinal que muda de cor, tamanho ou bordos ou de um novo sinal que aparece na pele. É capaz de surgir em qualquer zona do corpo, mesmo nas mucosas.

É, por isso, importante estar atento ao aparecimento de um pequeno nódulo ou mancha, de tom alcatrão, assimétrico, com bordo irregular e esfumado, de cor heterogénea e dimensão superior a 6 mm.

O chamado ABCDE do melanoma é um indicador que sinaliza e faz suspeitar da presença de melanoma, sendo necessário, consequentemente, realizar biópsia para diagnóstico.

  • A – Assimetria: aspecto irregular;
  • B – Bordas: bordas irregulares;
  • C – Cor: mudanças de cor de um nevo existente;
  • D – Diâmetro: maior que 6 milímetros de largura;
  • E – Evolução: aparecimento de um nevo novo em pessoa acima de 30 anos ou um nervo com alterações acima descritas.

médico a examinar sinal

Fatores de risco

Afeta, principalmente, pessoas mais jovens, de pele clara, cabelo ruivo ou loiro, olhos azuis ou esverdeados, que têm dificuldade em bronzear-se, possuem sardas e muitos sinais irregulares e castanhos escuros espalhados pelo corpo.

A hereditariedade desempenha um papel central no desenvolvimento do melanoma. Dessa forma, recomenda-se rastreio naqueles cujos familiares foram diagnosticados com a doença, pois o risco aumenta quando há casos registados em familiares de primeiro grau.

Caso não seja detetado atempadamente, o melanoma pode desenvolver-se para o interior da pele, criando metástases nos gânglios, fígado, pulmões ou cérebro.

O principal tratamento é a cirurgia para retirada da lesão, que deve ser realizada numa fase precoce, de modo a permitir a desejada cura.

Contudo, na presença de metástases, a cirurgia não é geralmente uma opção, por isso é importante detetar e tratar a doença o quanto antes.

Embora não tenha cura, o tratamento do melanoma avançado evoluiu muito nas últimas décadas, graças a testes genéticos capazes de determinar quais mutações o paciente apresenta. Com isso, há a possibilidade de escolha de tratamento que podem retardar a evolução da doença.

Carcinoma basocelular ou basalioma

Este é o cancro da pele mais comum. Surge nas células da camada basal da epiderme e é mais prevalente em pessoas de pele clara que costumam passar muito tempo sob os raios solares. É costume desenvolver-se após os 40 anos de idade e atinge as zonas corporais mais expostas ao sol, como o rosto, o pescoço e o dorso.

Normalmente, o primeiro sinal suspeito deste problema é o aparecimento de um nódulo rosado e brilhante, que cresce devagar ou forma uma espécie de ferida à superfície da pele e que surge sem razão aparente e que não cicatriza.

Se diagnosticado atempadamente, o tratamento passa, habitualmente, pela realização de uma cirurgia clássica, criocirurgia e laser, existindo uma taxa de cura superior a 95%. 1

Raramente causa metástases, contudo, estas invadem e destroem lentamente os tecidos circundantes, devendo tomar redobrada atenção quando surgem em algumas localizações como, por exemplo, próximo dos olhos, da orelha, da boca, de um osso ou do cérebro, pois as consequências do crescimento e invasão do cancro podem ser graves e até fatais.

médico dermatologista a examinar sinais

Carcinoma pavimentoso ou espinocelular

O carcinoma espinocelular é o segundo cancro da pele mais prevalente. Surge nos queratinócitos das camadas intermédias da epiderme e atinge a pele, mas também as mucosas. É mais comum em pessoas mais velhas e com uma vida marcada por uma exposição solar excessiva.

Costuma afetar as regiões corporais mais expostas, como o rosto, o lábio inferior, o pescoço, o dorso das mãos e as pernas, e que já têm lesões, como é o caso das dermatoses pré-cancerosas (queratoses solares ou queratoses actínicas), cicatrizes pós-queimadura, úlceras, fístulas crónicas e radiodermites crónicas.

Apresenta-se sob a forma de um nódulo, de crescimento rápido, que pode ulcerar e sangrar ou, então, também pode surgir como uma ferida que cresce e não cicatriza. Se não for diagnosticado e tratado precocemente, pode metastizar e invadir outros órgãos. 1

Diagnóstico do cancro da pele

O diagnóstico do cancro da pele deve ser feito o mais precocemente possível, pois isso é determinante para o sucesso do tratamento e para a sua taxa de cura.

O seu principal método de diagnóstico consiste numa biópsia, ou seja, na remoção total ou parcial de parte da área de aspeto anómalo, de modo a que ela seja posteriormente analisada.

Este é um procedimento feito em regime ambulatório, com anestesia local. Há quatro tipos de biópsia que podem ser efetuados, a saber: punção-biópsia; biópsia incisional; biópsia excisional; e excisão tangencial.

médico a examinar sinais a jovem

A biópsia permite ficar a saber se a neoplasia é benigna ou maligna (cancro de pele) e, também, o estadio em que se encontra, isto é, o seu estado evolutivo que pode ir de 0 (carcinoma in situ) a IV (cancro disseminado).

Porém, antes de chegar a esta fase, é necessário que cada um de nós esteja atento aos sinais de alerta e aos sintomas suspeitos de cancro de pele. 2

Sintomas

Como vimos, o cancro de pele pode manifestar-se através de neoplasias ou feridas de aspetos muito distintos. Por isso, há que estar atento a qualquer sinal novo que apareça ou à alteração de qualquer sinal pré-existente. 2
Assim, é motivo para consultar um dermatologista sempre que detetar:

  • Nódulos pequenos, lisos, brilhantes, opacos, serosos vermelho e/ou duros;
  • Feridas ou nódulos que sangram ou ganham crosta, mas não cicatrizam;
  • Sinais vermelhos ou castanhos e achatados, rugosos, secos ou espessos, que podem causar comichão.

autoexame a sinal nas costas

Auto-exame

Neste sentido, o auto-exame da pele revela-se um hábito essencial. Deve fazê-lo após o banho, num sítio bem iluminado e com espelho, de modo a que consiga procurar por sinais, manchas, verrugas, entre outras marcas, no seu corpo. Deve estar atento ao seu aspeto e textura bem como a sinais de alerta e sintomas suspeitos, tal como já foi referido.

Além disso, neste auto-exame, não se deve esquecer de verificar todas as zonas do corpo, nomeadamente as costas, o couro cabeludo, os genitais, as nádegas, o rosto, o pescoço, as orelhas e o couro cabeludo.

Não se esqueça também ainda das unhas, das palmas das mãos, da parte interna dos antebraços, dos braços e das pernas. Veja, ainda, os pés, as unhas, a planta do pé e os espaços entre os dedos.

Em caso de suspeita de alguma lesão, deve fotografar de imediato e consultar um dermatologista, para que possa ser observado e avaliado por um especialista. 2

Tratamento

O tratamento do cancro da pele depende sempre do tipo de tumor, estadio, tamanho, localização, estado geral de saúde do doente e antecedentes clínicos.

A remoção do tumor é o principal procedimento a ser executado e pode ser feito no momento de realizar a própria biópsia ou, então, através de uma cirurgia.

jovem a retirar sinal da pele

Contudo, em determinadas situações, o médico pode sugerir outras terapêuticas, como quimioterapia tópica, terapia fotodinâmica (indicada para tumores que se encontram à superfície da pele) ou radioterapia (recomendada para tumores localizados em zonas de difícil acesso ou sensíveis, como as pálpebras, as orelhas ou o nariz).

Há muitas técnicas de cirurgia que podem ser utilizadas e que variam em função de diversos aspetos, nomeadamente do tamanho e do local onde se encontra a neoplasia. 2

Algumas dessas técnicas cirúrgicas são:

  • Excisão ou exérese;
  • Cirurgia de Mohs;
  • Eletrocoagulação e curetagem;
  • Criocirurgia;
  • Cirurgia a laser;
  • Enxertos.

Prevenção

Tendo em conta que o cancro da pele está muito associado a uma exposição solar excessiva ou desprotegida, ter cuidado com o sol é a melhor forma de evitar o cancro de pele.

jovem a colocar protetor nas costas

Estas precauções devem ser tomadas desde a infância, com as crianças. Siga as próximas recomendações: 2

  • Limitar o tempo de exposição solar;
  • Evitar outras fontes de radiação UV;
  • Não estar ao sol entre as 11h e as 17h;
  • Proteger-se dos raios UV refletidos pela areia, água, neve, gelo ou que atravessam os pára-brisas, janelas e nuvens;
  • Vestir roupas com mangas e pernas compridas, feitas de um tecido forte;
  • Colocar um chapéu de aba larga e óculos de sol que absorvam as radiações UV;
  • Aplicar protetor solar que filtre os raios UVB e UVA e tenha FPS de, pelo menos, 30;
  • Evitar câmaras de bronzeamento artificial.

Este verão, aproveite o sol de forma saudável e consciente, investindo numa boa proteção solar e moderando o número de horas passadas ao sol, sobretudo no horário mais perigoso, entre o final da manhã e o final da tarde.

Se encontrar uma lesão suspeita, não hesite em consultar preferencialmente um dermatologista, o mais rapidamente possível.

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+ Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia. Doenças de Pele. Disponível em: https://www.spdv.pt/_doencas_de_pele_2
  2. Liga Portuguesa Contra o Cancro.  Cancro da Pele Não-melanoma. Disponível em: https://www.ligacontracancro.pt/cancro-da-pele-nao-melanoma/
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