Sabe-se que 10% da população portuguesa sofre de asma e que esta doença afeta sobretudo as crianças. Saiba mais sobre este tema.

Em Portugal, mais de 600 mil pessoas sofrem de asma. As crises de asma têm grande impacte na qualidade de vida dos doentes e das suas famílias, especialmente quando falamos dos mais novos. Mas, o que está na sua origem? E como a tratar?

O que é a asma?

A asma é uma doença obstrutiva das vias aéreas que tem por base um processo inflamatório crónico, nomeadamente, o seu estreitamento que pode ser revertido.

Os brônquios são pequenos tubos com paredes musculares onde estão presentes células (receptores) que detetam a presença de substâncias específicas, estimulando a contração ou relaxamento dos músculos. Os receptores mais importantes na asma são:

  1. Receptores beta-androgénicos: aumentam o fluxo de ar para os pulmões. São responsáveis pelo relaxamento muscular e dilatação das vias aéreas. Respondem a substâncias como a epinefrina.
  2. Receptores colinérgicos: diminuem o fluxo de ar para os pulmões. Respondem a acetilcolina e são responsáveis pela contração muscular das vias aéreas.

Como se dá uma crise de asma?

Durante uma crise de asma, dá-se a broncoconstrição, ou seja, os músculos lisos dos brônquios contraem e impedem o fluxo de ar para os pulmões. Isto acontece devido à inflamação da mucosa brônquica, que secreta muco nas vias aéreas e causa a sua obstrução e estreitamento.

Devido à dificuldade respiratória, a pessoa asmática tem de fazer um esforço redobrado para respirar. No entanto, esta condição é completamente reversível desde que se atue de imediato. Através de terapêutica adequada é possível parar as contrações musculares, reverter a inflamação e restabelecer o normal fluxo de ar.

Como é classificada a asma?

Os sintomas da asma apresentam variações ao longo do tempo e, por isso, a sua avaliação frequente é tão importante. Geralmente, a gravidade da asma é avaliada antes de dar início ao tratamento e pode ser:

  • Intermitente: os sintomas ocorrem até 2 vezes por semana mas não interferem nas atividades diárias da pessoa;
  • Leve persistente: a presença de sintomas é superior a 2 vezes por semana e as atividades diárias são ligeiramente afetadas;
  • Moderadamente persistente: os sintomas ocorrem todos os dias e algumas tarefas diárias são limitadas;
  • Grave persistente: durante todo o dia, os sintomas afetam a pessoa asmática e interferem gravemente na sua rotina diária.

Mulher com alergia a utilizar broncodilatador

Estado de mal asmático

O estado de mal asmático corresponde à forma mais severa de asma. Neste caso, há uma obstrução grave das vias aéreas e o fluxo de oxigénio é interrompido. Os pulmões deixam de fornecer oxigénio suficiente a todos os órgãos, o que pode levar à sua falência. Também a remoção do dióxido de carbono resultante das trocas gasosas fica comprometida. Nesta situação, terá de se recorrer à ventilação artificial e a medicação intensiva.

Controlo da asma

O controlo da asma é utilizado para medir os efeitos provocados pela doença nas atividades diárias e qual o risco de desenvolver crises graves. Assim, o controlo pode ser classificado como:

  • Bem controlado: os sintomas ocorrem no máximo 2 vezes por semana;
  • Moderadamente controlado: os sintomas ocorrem mais que 2 vezes na semana mas não durante todo o dia;
  • Mal controlado: diariamente, a pessoa sofre com sintomas de asma.

Quais as principais causas da asma?

A causa da asma não é totalmente conhecida, mas sabe-se que na sua base estão mecanismos de hiperreatividade que algumas pessoas apresentam quando são expostas a determinados estímulos.

Nos asmáticos, os recetores colinérgicos são mais sensíveis e, por isso, desencadeiam a contração muscular dos brônquios com mais frequência. Os estímulos que podem desencadear crises de asma são:

Alergénios ambientais e ocupacionais

A grande maioria das crises de asma são desencadeadas após a exposição a substâncias ambientais como: ácaros, poeiras, poluição, pólen, pelos de animais e fumo de tabaco. As gripes, constipações e bronquites são também fatores importantíssimos que podem desencadear crises.

Em contexto ocupacional, a asma pode ser desencadeada quando existe exposição a agentes químicos como desinfetantes, produtos de limpeza, tintas entre outros. As principais queixas são congestão nasal, tosse e irritação ocular.

As profissões onde a asma ocupacional é mais incidente são cabeleireiros, agricultores, veterinários, enfermeiros e pintores.

Alergénios alimentares

Alguns alimentos podem funcionar como gatilhos para a asma. São eles:

  • Amendoins;
  • Ovos;
  • Leite de vaca;
  • Trigo;
  • Peixe;
  • Camarão e outros crustáceos;
  • Soja;
  • Saladas e frutas frescas;
  • Conservantes e aditivos alimentares específicos.

Mudanças de temperatura

Os asmáticos possuem uma sensibilidade acrescida às mudanças bruscas de temperatura. Além das crises de asma, também a tosse ou rinite podem ser agravadas.

Medicamentos

A toma de alguns medicamentos anti-inflamatórios (ex. ibuprofeno) podem funcionar como um gatilho para a asma. Por atuarem na via de inflamação em tratamento, acabam por sobrecarregar as vias aéreas que, já por si, apresentam maior fragilidade. Nunca se automedique e consulte sempre o seu médico ou farmacêutico.

Exercício físico

Algumas pessoas podem apresentar sintomas de asma quando fazem algum esforço ou exercício físico e mesmo assim não serem asmáticas.

As queixas ocorrem nos primeiros minutos após o início do exercício físico e são regra geral, dificuldade em recuperar o fôlego e regressar ao estado de repouso. Esta situação acontece devido à pessoa respirar ar frio e seco pela boca durante a atividade física. Neste caso, deve consultar o seu médico que, em alguns casos, pode prescrever um broncodilatador para uso antes do esforço.

Período noturno

À noite é bastante comum que os asmáticos sintam um agravamento dos sintomas e possam mesmo sofrer uma crise. Deve-se à asma ser muito influenciada pelo ritmo circadiano ou sono-vigília (ciclo biológico que regula funções vitais do organismo e tem por base a luz solar).

É também durante a noite que as temperaturas baixam acentuadamente e as vias aéreas arrefecem, o que também funciona como um gatilho para a asma.

Stress, ansiedade e emoções fortes

A exposição a determinadas situações emocionais pode levar a elevados níveis de stress e ansiedade. Neste caso, há uma liberação de substâncias como a histamina e leucotrienos que estimulam os mecanismos que levam à contração dos músculos das vias aéreas.

Inalador de pessoa asmática em cima de mesa

Fatores de risco

Os fatores de risco associados à asma são:

  • Predisposição genética: pessoas com histórico familiar de alergias possuem maior predisposição a desenvolver quadros alérgicos, em especial asma;
  • Histórico de alergias: alergias anteriores favorecem a sensibilidade a estímulos externos. A asma pode ser, por isso, uma consequência;
  • Obesidade: o excesso de peso desencadeia inúmeras doenças, entre elas a asma, pois facilita o processo inflamatório das vias respiratórias;
  • Doença do refluxo gastroesofágico: quando o conteúdo gástrico sobe em direção ao esófago, além da azia, pode ocorrer aspiração do conteúdo. Ao chegar aos pulmões, pode desencadear a sua inflamação e outros quadros graves como bronquite, asma ou pneumonia;
  • Baixo peso ao nascimento: bebés prematuros ou com mães que não adotaram comportamentos saudáveis na gravidez (ex. fumadoras), apresentam maior predisposição a sofrer de asma;
  • Não ter sido amamentado/a: a não amamentação constitui fator de risco para inúmeras doenças, entre elas a asma.

Sintomas da asma

As queixas variam de doente para doente, mas agravam-se sobretudo à noite e nas primeiras horas da manhã. Os sintomas mais comuns de asma são:

  • Falta de ar;
  • Ruídos respiratórios (pieira ou “gatinhos”);
  • Sensação de peso no peito;
  • Tosse seca.

Em quadros moderados a graves de asma, os sintomas mais frequentes são:

  • Aumento da frequência respiratória;
  • Dificuldade em terminar frases;
  • Diminuição dos níveis de oxigénio no sangue;
  • Cianose (coloração azulada ao nível da língua e mucosas);
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Transpiração excessiva;
  • Sonolência;
  • Fadiga diurna, que afeta os níveis de concentração e rendimento escolar ou laboral.

Homem asmático com falta de ar

Diagnóstico

O diagnóstico de asma é realizado essencialmente com base na história clínica, sinais e sintomas, sazonalidade e identificação dos fatores que desencadeiam as crises. Podem ainda ser prescritos exames complementares, tais como:

Testes de função pulmonar

Nos testes de função pulmonar, é possível avaliar a capacidade pulmonar através do sopro para um equipamento. Com os resultados obtidos, é possível avaliar se existem alterações e em caso de dúvida pode ser pedido à pessoa que sopre novamente após o uso de um broncodilatador.

Caso se verifique uma melhora na condição pulmonar, é possível que se esteja perante uma pessoa asmática.

Também o teste de espirometria pode ser realizado para avaliar o estreitamento dos brônquios e qual a quantidade de ar emitida após uma inspiração profunda.

Para avaliação da asma induzida por exercício físico, pode ser medida a quantidade de ar expirado por segundo antes e após uma prova de esforço com recurso a passadeira. É considerada asma se o volume de ar sofrer uma diminuição superior a 15% após o esforço.

Prova com metacolina

Em alguns casos, pode ser realizada a prova com metacolina, uma substância administrada em pequena quantidade de forma a atuar nos brônquios e causar a sua constrição. Nos asmáticos, esta pequena dose é suficiente para haver estreitamento considerável das vias aéreas.

Testes cutâneos

Os testes cutâneos podem identificar agentes ou substâncias que desencadeiam crises de asma, como por exemplo, o pelo de animais de estimação ou certos alimentos. Caso se verifique reação alérgica, são solicitadas análises sanguíneas específicas para avaliar a sensibilidade ao alergénio em causa e a presença de anticorpos produzidos pelo organismo.

Tratamento da asma

O tratamento da asma tem como principal objetivo controlar os sintomas e prevenir crises graves que possam levar ao internamento. Tem também por base a educação do doente e sua família e evitar a exposição a substâncias potenciadoras de crises. É de extrema importância saber que nunca se deve automedicar, e em caso de dúvida deve sempre consultar o médico.

Anti-inflamatórios

Atuam na inflamação das vias respiratórias que causa o seu estreitamento. Fazem parte os corticosteróides (inalados, de toma oral ou intravenosa) que são responsáveis pelo controlo da grande maioria dos casos de asma.

Broncodilatadores

Os broncodilatadores devem ser utilizados apenas em situação de crise de asma e não para controlo. Estes medicamentos atuam de forma imediata e ajudam no relaxamento dos brônquios e dilatação das vias aéreas. Fazem parte deste grupo os beta-androgénicos, anticolinérgicos e metilxantinas.

Anti-histamínicos

Caso a asma seja desencadeada por substâncias alergénicas, o uso de anti-histamínicos pode ser aconselhado. Geralmente, são administrados em spray oral ou nasal.

Como monitorizar a asma em casa?

O pico de fluxo expiratório (ou taxa de ar expirado) é possível ser avaliada através de um dispositivo chamado medidor de pico de fluxo. Com este pequeno aparelho, é possível testar a gravidade da asma e atuar mesmo antes dos sintomas se agravarem.

Geralmente, os valores mais baixos são observados entre as 4 e as 6 horas da manhã, e os mais altos às 16 horas. Pessoas com asma grave, devem monitorizar os valores com frequência e ter consigo as indicações clínicas de como agir em situações mais graves. Assim é possível eliminar a ansiedade e gerar mais autonomia.

Complicações graves da asma

A asma não tem cura. No entanto, é possível prevenir crises e ter uma vida normal. Quando o tratamento adequado não é realizado, podem ocorrer complicações mais graves como:

  • Redução da capacidade pulmonar com impacto em actividades diárias e físicas;
  • Perturbações do sono devido aos sintomas nocturnos da asma;
  • Tosses persistente;
  • Dificuldade respiratória com necessidade de ventilação;
  • Internamento por crises graves de asma;
  • Efeitos secundários das terapêuticas usadas na asma;
  • Em casos muito graves, pode mesmo levar à morte.

Como se podem prevenir as crises de asma?

As crises de asma podem ser prevenidas através de alguns comportamentos no dia a dia. São eles:

  • Diagnosticar e tratar adequadamente as doenças alérgicas, nomeadamente a rinite que pode evoluir para asma;
  • Evitar ao máximo a exposição a alergénios;
  • Caso tenha um animal de estimação, mantenha a casa sem pelos e não durma na mesma divisão que ele;
  • Evitar situações de stress e ansiedade;
  • Pausas regulares no trabalho;
  • Praticar exercícios respiratórios;
  • Realizar a terapêutica de controlo da asma;
  • Adotar um estilo de vida saudável, praticando atividade física e mantendo um peso adequado

Conclusão

A asma é uma doença com grande impacto na qualidade de vida dos doentes e suas famílias. Uma vez que atinge maioritariamente as crianças, é fundamental que os pais, cuidadores e professores tenham um papel ativo na prevenção de crises.

Através da educação para a saúde, é possível dotar as crianças e adultos de informações essenciais como: o que pode desencadear uma crise, como distinguir a sua gravidade e como se deve atuar. É também fundamental, que pessoas que sofrem de asma tenham consigo a medicação habitual e a realizar em SOS.

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+ Fontes

  1. Fundação Portuguesa do Pulmão (2020). Asma. Disponível em: https://www.fundacaoportuguesadopulmao.org/apoio-ao-doente/asma#137
  2. Direção-Geral da Saúde (2017). Programa Nacional para as Doenças Respiratórias. Disponível em: https://www.dgs.pt/portal-da-estatistica-da-saude/diretorio-de-informacao/diretorio-de-informacao/por-serie-884765-pdf.aspx?v=%3d%3dDwAAAB%2bLCAAAAAAABAArySzItzVUy81MsTU1MDAFAHzFEfkPAAAA
  3. Sociedade Portuguesa de Pneumologia (2017). Tudo o que deve saber sobre asma. Disponível em: https://www.sppneumologia.pt/uploads/subcanais_conteudos_ficheiros/guia-asma_2017.pdf
  4. Allergy and Asthma Network (2020). What is Ashtma? Acedido a 12 de Outubro de 2020. Disponível em: https://allergyasthmanetwork.org/what-is-asthma/
  5. American Academy of Allergy, Ashtma & Immunology (2020). Ashtma. Acedido a 12 de Outubro de 2020. Disponível em: https://www.aaaai.org/conditions-and-treatments/asthma
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