Controlar a alergia ao pólen não é impossível! Aprenda a contornar os espirros, a falta de ar ou o comichão com medicação e dicas práticas.

A estação das flores pode também ser a estação dos espirros, da falta de ar, dos olhos vermelhos e irritados, do comichão, entre outros sintomas nada simpáticos. Contudo, é possível controlar a alergia ao pólen, se tomar algumas medidas preventivas.

O que é uma alergia?

O termo “alergia” vem do grego “allos”, que significa alteração a um estado original. Assim, podemos considerar a alergia uma resposta exagerada do organismo ao ambiente que nos rodeia. Uma resposta do sistema imunitário a substâncias/partículas estranhas que agridem o organismo. Os tipos de alérgenos mais comuns são: partículas de pó e esporos de fungos e pólens (o principal causador das “alergias da primavera”)1 .

Segundo a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), as doenças alérgicas afetam perto de 1/3 da população. Aproximadamente 25% dos portugueses tem rinite alérgica e cerca de 7% tem asma.

A alergia ao pólen

As ditas “alergias da primavera” estão, essencialmente, relacionadas com os ácaros ou a libertação de pólen pelas flores, pólen esse que entra em contacto com o aparelho respiratório, provocando crises alérgicas que, em pacientes mais sensíveis, podem mesmo manifestar-se em sintomas de asma2 .

A polinose pode causar doenças alérgicas no aparelho respiratório (asma e rinite alérgica), nos olhos (conjuntivite alérgica) ou na pele (urticária e eczema). Estas doenças não têm cura, sendo crónicas3 .

Alergia ao pólen: pólenes no ar

Sintomas mais comuns da alergia ao pólen

  • Corrimento nasal, obstrução nasal e/ou prurido nasal;
  • Espirros;
  • Tosse, pieira, sensação de falta de ar e aperto torácico;
  • Olhos vermelhos, lacrimejo e prurido ocular;
  • Pele muito seca, descamativa, com muito prurido, com lesões avermelhadas e exsudativas nas fases de agravamento;
  • Queixas respiratórias ou cutâneas associadas à ingestão de alguns alimentos ou medicamentos.

Estas manifestações podem variar em função da doença alérgica provocada. Por exemplo:

  • A rinite alérgica: sendo os seus sintomas mais frequentes os espirros, nariz entupido ou pingo e comichão;
  • A conjuntivite alérgica: é outra doença que os pólens podem motivar, com consequências como olhos vermelhos e inchados, lacrimejo e comichão;
  • A asma alérgica: pode surgir acompanhada de dificuldade em respirar, pieira, cansaço/fadiga e tosse, efeitos por vezes agravados por esforços físicos;
  • A alergia de pele: manifestada em urticárias e eczemas.

Causas e diagnóstico

Estas doenças podem existir em simultâneo e têm, normalmente, origem genética/hereditária. Além disso, elas podem ser influenciadas por fatores ambientais, sedentarismo, aumento da poluição atmosférica e tabagismo, obesidade e alteração dos regimes alimentares4 .

Para diagnosticar qualquer uma destas alergias, deve consultar um médico alergologista, que tenha em conta a sua história clínica e testes de diagnóstico, como testes cutâneos de alergia ou métodos de diagnóstico laboratoriais.

Mas, será que é possível evitar a alergia ao pólen?

Esta é a grande questão que, sobretudo quem tem alergias, coloca frequentemente. Sim, é possível evitar ou, pelo menos, controlar estas alergias, quando já são conhecidos os agentes alergéneos que as originam.

Porém, isso não significa que essa prevenção seja fácil visto que, na primavera, os níveis de pólens e pó no ar (dentro e fora de casa) são consideravelmente elevados, provocando sintomas mais incómodos e agudos que podem exigir cuidados médicos/medicação.

Há medicamentos preventivos, anti-inflamatórios, e medicamentos sintomáticos, para o alívio das queixas, além de vacinas antialérgicas disponíveis. Ainda assim, há dicas práticas que pode adotar para o ajudar a passar uma primavera sem alergias ou, pelo menos, sem crises alérgicas tão fortes que condicionem o dia a dia e o bem-estar de quem sofre destas reações.

10 medidas a adotar para controlar a alergia ao pólen

Para controlar uma doença alérgica deve minimizar a exposição ao alérgeno e recorrer a medicamentos que lhe sejam prescritos pelo seu médico.

No caso da alergia ao pólen, embora não seja fácil, é possível adotar algumas medidas capazes de proteger ou minimizar os sintomas desta doença, tais como:

  1. Manter a casa arejada, ventilando-a apenas ao final do dia e ao início da noite, altura em que existem menos agentes alérgenos no ar.
  2. Dormir sempre com a janela fechada e manter as janelas fechadas durante o dia.
  3. Reduzir a atividade em ambiente exterior, especialmente quando há elevados níveis de pólen no ar.
  4. Usar óculos escuros fora de casa.
  5. Manter a casa limpa e aspirada, para evitar a acumulação de pó, sobretudo em cortinados e tapetes.
  6. Usar máscara, quando está em zonas com níveis de pólen elevados.
  7. Mudar de roupa e tomar banho quando chega do exterior, para evitar que os pólens que trouxe da rua se espalhem pela casa.
  8. Evitar zonas com fumo.
  9. Ter um filtro de partículas no carro e evitar viajar com as janelas abertas.
  10. Aconselhar-se com o seu médico, se é recomendável ou não ter um animal de estimação.

Mulher com sintomas de alergia ao pólen

Alergia ao pólen vs COVID-19

A alergia ao pólen e a COVID-19 têm um sintoma comum: a tosse seca. Tal, pode gerar algumas dúvidas, mas há maneira de distinguir uma doença da outra.

De acordo com o Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, o modo mais fácil de distinguir a tosse causada pela COVID-19 da tosse de origem alérgica é ter em conta o historial clínico do paciente.

Eventualmente, quem tem crises alérgicas, já as vivenciou no passado, logo conseguirá perceber se os sintomas que sente são ou não compatíveis com essas alergias ou se, por outro lado, podem estar relacionadas com outra patologia, como a COVID-19.

Todavia, se associado à tosse houver lugar a febre ou a dores no corpo, então é importante contactar a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e despistar um eventual caso de COVID-19.

CONHEÇA OS CENTROS DE RASTREIO DA COVID-19
A Unilabs dispõe de centros de rastreio ao novo coronavírus em vários pontos do país

Saiba mais!

+ Fontes

  1. Lewis H Ziska, PHD; Prof László Makra, PhD; Susan K Harry, AAS; Nicolas Bruffaerts, PhD; Marijke Hendrickx, PhD; Frances Coates, MS; et al. Temperature-related changes in airborne allergenic pollen abundance and seasonality across the northern hemisphere: a retrospective data analysis. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanplh/article/PIIS2542-5196(19)30015-4/fulltext
  2. Zhi-Juan Xie, Kai Guan, Jia Yin. Advances in the clinical and mechanism research of pollen induced seasonal allergic asthma. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6420698/
  3. Ernesto Akio Taketomi; Mônica Camargo Sopelete; Priscila Ferreira de Sousa Moreira; Francisco de Assis Machado Vieira. Doença alérgica polínica: polens alergógenos e seus principais alérgenos. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992006000400020
  4. Charles W. Schmidt. Pollen Overload: Seasonal Allergies in a Changing Climate. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4829390/
Unilabs Autor Unilabs

Presente em Portugal desde 2006, a Unilabs é líder nacional em Diagnóstico Clínico, com mais de 1000 Unidades de atendimento ao seu dispor. Serviços: Análises Clínicas, Cardiologia, Anatomia Patológica, Radiologia, Genética Médica, Medicina Nuclear, Gastrenterologia.