Por que é a amamentação tão importante? Saiba porquê, quais as recomendações das autoridades de saúde e fique a par de algumas dicas para uma amamentação bem sucedida.

O aleitamento materno, feito idealmente através da amamentação, é tido como o tipo de alimentação mais indicado quer para recém-nascidos de termo saudáveis, quer para recém-nascidos pré-termo e/ou com alguma doença.

Isto, porque o leite materno é considerado um alimento vivo, completo e natural, repleto de benefícios e capaz de se adaptar às mais diversas necessidades do bebé. Por essa razão, a amamentação, principalmente até aos 6 meses de vida do bebé, tem sido defendida e sublinhada por entidades de saúde como a Organização Mundial de Saúde e a UNICEF1 .

A importância da amamentação para a OMS e SNS

Como referimos, a Organização Mundial da Saúde é uma das entidades de saúde que tem defendido a importância da amamentação e, por isso, juntamente com a UNICEF, criou a iniciativa “Hospitais Amigos dos Bebés”, a qual teve e tem por objetivo dotar as unidades hospitalares de competências para implementar os “Ten steps to successful breastfeeding” (10 passos para uma amamentação bem sucedida)2.

Esses passos visam apoiar a mãe e o bebé ao longo de todo o processo de amamentação, enquanto tal se revelar necessário.

O Serviço Nacional de Saúde e a Direção-Geral da Saúde também reconhecem a importância da amamentação e, por isso, os hospitais públicos do nosso país seguem, na sua generalidade, as diretrizes enunciadas pela Organização Mundial da Saúde.

10 passos para uma amamentação bem sucedida

De acordo com a Organização Mundial da Saúde e a UNICEF, estas são as principais medidas para uma amamentação bem sucedida2.

  1. As políticas hospitalares não devem incentivar o recurso aos leites de fórmula, biberões ou tetinas.
  2. Os profissionais de saúde devem obter formação, de modo a conseguirem apoiar as mães no processo de amamentação.
  3. As grávidas devem ser sensibilizadas e esclarecidas quanto à importância da amamentação e de todo o processo inerente a ela.
  4. No momento do nascimento, deve ser posto em prática, de imediato, o contacto pele a pele (entre a mãe e o bebé) e a amamentação.
  5. Após o nascimento, os profissionais de saúde devem ajudar as mães a amamentar, adequando a posição do bebé ou verificando se ele faz ou não bem a pega da mama.
  6. A suplementação só deve ser feita, se houver justificação médica para tal. Nesses casos, deve privilegiar-se suplementação com leite humano (de bancos de dadoras) ou ensinar a mãe como dar leite de fórmula ao bebé de forma segura.
  7. Durante o internamento na maternidade, a mãe deve poder pernoitar junto do seu bebé, de modo a facilitar a amamentação, mesmo durante a noite.
  8. Os profissionais de saúde devem ajudar a mãe a perceber quando o bebé tem fome e explicar-lhe que a amamentação não deve ter horas definidas, nem limite de duração.
  9. Os profissionais de saúde devem também alertar as mães para os riscos do uso de biberões, tetinas e chupetas.
  10. Após a alta hospitalar, as mães que necessitem devem ser informadas sobre os grupos de apoio à amamentação que existem na sua comunidade.

Mãe a amamentar bebé

Por que é a amamentação tão importante?

Segundo a Organização Mundial da Saúde e a UNICEF, a amamentação deve ser exclusiva até aos 6 meses de idade, sendo recomendada até aos 2 anos de idade da criança, em conjugação com outros alimentos.

A importância do leite materno está relacionada com a sua composição que se altera em função das necessidades do bebé. Assim, este é capaz de proteger o bebé de patologias como diarreia, otites, pneumonias, asma, alergias e obesidade, além de facilitar o seu desenvolvimento intelectual.

A amamentação também é importante para a mãe, nomeadamente na recuperação pós-parto, diminuindo ainda o risco de vir a ter hemorragias depois do parto, bem como de vir a ter cancro de mama e/ou dos ovários e osteoporose3.

Características e quantidade do leite

Como já explicámos, o leite materno está em constante mutação e adaptação e é essa uma das suas principais vantagens. No pós-parto, começa por surgir o colostro, um leite muito concentrado e rico, suficiente para as primeiras necessidades do recém-nascido.

A esta fase, segue-se a chamada “subida de leite” que corresponde ao aumento da produção de leite. A partir daí, há lugar a um equilíbrio entre a quantidade de leite produzido pela mãe e as necessidade do bebé, ou seja, quanto mais o bebé mamar, mais leite a mãe terá3.

Sinais de que o bebé está bem alimentado

É natural a mãe sentir sempre alguma insegurança em relação ao bem-estar do seu bebé e recear que ele não esteja satisfeito ou bem nutrido. Alguns sinais de que o bebé está a ser bem alimentado são3:

  • Largar espontaneamente a mama;
  • Ganhar peso;
  • Urinar mais de 6 vezes por dia;
  • A mãe ficar com a mama mole, no fim da amamentação.

Biberão com leite e bomba de leite

Dicas para uma amamentação bem sucedida

Além de tudo o que já foi dito, há sempre algumas dicas que podem ser deixadas, no sentido de orientar as mães quer no que respeita ao momento da amamentação propriamente dito, quer no que toca a algumas dúvidas ou complicações que possam decorrer do mesmo.

Alimentação da mãe

Principalmente enquanto a mãe estiver a amamentar em exclusivo o seu bebé, deve ter alguns cuidados mais específicos com a sua alimentação, tais como3:

  • Fazer uma dieta diversificada, pobre em gordura e rica em frutas e legumes;
  • Garantir um aporte de proteína adequado ao longo do dia, recorrendo às diferentes fontes (laticínios, carne, peixe, ovos, leguminosas, etc);
  • Consumir aproximadamente 2 litros de água por dia;
  • Não beber álcool;
  • Evitar o consumo de café, chá ou outras bebidas estimulantes;
  • Não tomar medicação “nova”, sem indicação ou aconselhamento médico.

Como amamentar

Amamentar é um processo natural, o que não significa que não possa colocar alguns desafios a algumas mães. Por essa razão, há pequenas técnicas ou truques que podem ajudar a atingir uma amamentação mais eficaz e bem sucedida, nomeadamente3:

  • Amamentar num ambiente calmo;
  • Escolher uma posição confortável para a mãe e para o bebé;
  • Levar o bebé à mama, mesmo antes dele mostrar sinais mais evidentes de fome, como o choro;
  • Colocar sempre o bebé de frente para a mama, pois isso facilita uma “boa pega”;
  • Oferecer a outra mama, só quando a outra tiver ficado vazia (na mamada seguinte, deve começar pela mama que deu em último lugar);
  • Dar de mamar em livre demanda, ou seja, sempre que o bebé manifestar esse desejo;
  • Retirar o bebé da mama, introduzindo sempre o dedo mindinho no canto da boca do bebé, de modo a parar a sucção, sem causar desconforto.

Nota: Não é expectável sentir dor, enquanto amamenta. Por isso, deve procurar apoio, caso sinta algum desconforto ou incómodo ao amamentar.

Problemas que podem surgir durante a amamentação

Há algumas complicações que podem surgir, durante o processo de amamentação, principalmente nos primeiros meses de vida do bebé, enquanto o corpo da mulher, nomeadamente a mama, se adapta a todas estas novas rotinas.

Alguns dos problemas que podem ocorrer são4:

Mamilos gretados

Devido a alguns erros cometidos durante a amamentação ou, simplesmente, fruto da sensibilidade da zona em causa, os mamilos podem ganhar algumas feridas e gretar.

Neste caso, deve tentar começar sempre a amamentação pelo mamilo que não está gretado e aplicar 2 a 3 gotas de leite materno no mamilo e aréola em ferida, deixando secar preferencialmente ao ar livre.

Mastite

A mastite ou inflamação da mama pode ser causada pela sua compressão excessiva.

Nesta situação, deve iniciar a amamentação pela mama não afetada e garantir que esvazia sempre aquela mama, depois da cada mamada. Pode ainda colocar compressas frias sobre o peito para aliviar o desconforto.

Ingurgitação

Os principais sintomas de ingurgitação é sentir a mama quente e tensa, o que pode estar relacionado com o não esvaziamento completo da mama. Por isso, deve ser essa a primeira mama a oferecer ao bebé que, se não a esvaziar, deve ser esvaziada por si, recorrendo a uma bomba extratora, por exemplo.

Nesta circunstância, deve ainda colocar compressas quentes ou tomar um banho de água morna, massajando a mama com movimentos circulares. Depois, aplique compressas frias ou gelo durante 5 minutos. Pode repetir o processo entre mamadas, até se sentir melhor.

Nota: Nenhum destes problemas se deve prolongar no tempo, pelo que deve sempre consultar um profissional de saúde habilitado para a ajudar.

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+ Fontes

  1. Direção-Geral da Saúde. Aleitamento materno. Disponível em: https://www.saudereprodutiva.dgs.pt/aleitamento-materno.aspx
  2. World Health Organization. Ten steps to successful breastfeeding. Disponível em: https://www.who.int/activities/promoting-baby-friendly-hospitals/ten-steps-to-successful-breastfeeding
  3. Serviço Nacional de Saúde. Guia para pais. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/guia/guia-para-pais/
  4. Serviço Nacional de Saúde. Amamentação. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/tema/saude-da-mulher/amamentacao/
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