A gravidez é uma das experiências mais marcantes na vida de uma mulher. Quer seja uma gravidez planeada ou não, é natural que no início se sinta insegura e com muitas dúvidas acerca dos procedimentos a seguir.

É importante estar devidamente informada acerca deste seu novo estado, a sua evolução, sinais e sintomas, exames a realizar. Por este motivo, a Unilabs criou este guia de apoio à gravidez, no qual poderá encontrar respostas às dúvidas que forem surgindo.

Os primeiros sinais de gravidez e o que fazer

1. Os principais sintomas de gravidez

Há mulheres que sabem que estão grávidas mesmo antes de fazer o primeiro teste. Outras, porém, podem passar o primeiro trimestre sem sentirem o efeito dos sintomas de gravidez mais comuns, entre eles:

  • Atraso menstrual (amenorreia);
  • Tensão mamária;
  • Dores pélvicas;
  • Perda de sangue;
  • Alterações de paladar e olfato;
  • Náuseas e vómitos;
  • Frequência urinária;
  • Prisão de ventre;
  • Sonolência.

2. Teste de gravidez

Se suspeita que poderá estar grávida, a primeira coisa a fazer é um teste de gravidez. Deverá fazê-lo logo nos primeiros dias após a ausência de menstruação – o sintoma mais frequente de uma gravidez, além de outros sintomas físicos.

Se fizer o teste e o resultado der negativo, convém fazer um novo teste passado alguns dias. Isto porque, apesar dos testes serem muito fiáveis, há sempre a possibilidade de obter um falso negativo.

Se se vier a confirmar a gravidez, deve consultar de imediato o seu médico de forma a poderem agendar os exames necessários.

No decorrer desta fase, importa ainda estar atenta às alterações hormonais e físicas, bem como a alguns sinais de alerta. De seguida, explicamos quais.

Quando fazer o teste?

Se a menstruação não lhe aparecer na data esperada, ao fim de uma semana é aconselhável fazer um teste de gravidez. Pode realizar o teste assim que suspeitar que possa estar grávida, quer devido ao atraso menstrual ou a outros sintomas sugestivos de gravidez.

O teste deve ser feito com a primeira urina da manhã, antes de ter ingerido água ou outros líquidos, para evitar diminuir a concentração da urina, uma vez que, quanto mais concentrada estiver a urina, mais fácil será detetar a hormona Beta-hCG e, por conseguinte, mais fiáveis serão os resultados.

Se o resultado der positivo, deve marcar uma consulta com o seu médico para poderem agendar as próximas consultas e exames.

Como fazer o teste e analisar os resultados?

Para fazer o teste de gravidez, estes são os passos a seguir:

  • Para iniciar o teste de gravidez, abra a bolsa e remova o equipamento de teste;
  • Remova a tampa expondo a extremidade absorvente;
  • Urine diretamente sobre a extremidade absorvente durante cerca de cinco segundos para que fique uniformemente molhada, não permitindo que o fluxo de urina ultrapasse a zona designada para o efeito;
  • Volte a colocar a tampa e espere que apareçam as bandas coloridas no respetivo local de Controlo (C) e de Teste (T).

Em alternativa, pode recolher a urina para um reservatório limpo e seco e mergulhar a extremidade no reservatório durante, pelo menos, 20 segundos.

Se aparecer apenas uma linha colorida na zona de Controlo (C), este resultado indica que não foi detetada gravidez.
duas linhas distintas indicam que foi detetada a presença da hormona Beta-HCG, o que significa que está grávida.

mulher a ver resultado de teste de gravidez

3. Alterações hormonais e físicas nas primeiras semanas da gravidez

No que toca às alterações hormonais e físicas, o primeiro mês de gravidez pode passar despercebido para a maioria das mulheres.

Desde a fase lútea (última fase do ciclo menstrual), a passar pela fecundação, até à nidação (implantação do óvulo fecundado no útero), as primeiras semanas estão repletas de acontecimentos que, no final do primeiro mês, começam a apresentar sintomatologia e podem ser confirmados com um teste.

Na segunda semana após a relação sexual que deu origem à gravidez, inicia-se a produção da hormona Beta-HCG, essencial para a manutenção e desenvolvimento da gravidez. Nas primeiras semanas de gestação, os níveis desta hormona duplicam a cada dois ou três dias.

Se nos primeiros 30 dias de gravidez o ritmo de elevação desta hormona estiver nitidamente pouco elevado, é possível que haja algo de errado, tal como inviabilidade fetal ou uma gravidez ectópica (gravidez que ocorre fora do útero, não sendo viável).

Na terceira semana forma-se o zigoto, que se aloja no útero através da sua fixação no endométrio e, aí, ocorre a nidação. É frequente ocorrer algum sangramento nesta fase, uma espécie de corrimento rosado, mas a mulher pode manter-se assintomática.

Assim, em termos hormonais, verifica-se um conjunto de mudanças na mulher, sendo que, neste mês, ocorre principalmente:

  • Produção da hormona Beta-HCG;
  • Produção de progesterona que ajuda a manter o revestimento do útero, inibindo as contrações que podem ser prejudiciais para o feto;
  • Produção de estriol que contribui para a formação da membrana uterina e para o aumento do fluxo sanguíneo;
  • Produção de prolactina, que é diretamente responsável pela produção de leite;
  • O aumento da espessura da parede uterina, aumento da vascularização e o colo do útero mais mole;
  • A formação da placenta e do cordão umbilical.

Já quanto às alterações físicas, é normal que não as sinta de forma evidente nas primeiras duas a três semanas de gravidez. Porém, os primeiros sinais corporais de uma gravidez começam a surgir a partir da 4ª ou 5ª semana de gestação, nomeadamente:

  • Sono e fadiga;
  • Enjoo matinal e vómitos;
  • Tonturas e vertigens;
  • Aumento do volume e sensibilidade mamária;
  • Obstipação e aumento da frequência urinária;
  • Dor pélvica;
  • Sensibilidade aos odores;
  • Sabor metálico na boca;
  • Pressão arterial diminuída;
  • Corrimento vaginal;
  • Irritabilidade.

4. Consultas na gravidez

Durante a gravidez irá realizar uma série de consultas pré-natais com o objetivo de acompanhar quer o seu estado de saúde, quer o do seu bebé.

Importa sublinhar que na primeira consulta ser-lhe-á entregue o Boletim de Saúde da Grávida, no qual serão registados todos os dados relativos à sua gravidez e que deverá guardar e trazer sempre consigo.

Após a primeira consulta, a periodicidade das consultas distribui-se da seguinte forma:

  • A cada 4-6 semanas até às 30 semanas;
  • A cada 2-3 semanas entre as 30 e as 36 semanas;
  • A cada 1-2 semanas após as 36 semanas até ao parto.

Assim, estas são as semanas em que devem ser realizadas as consultas pré-natais:

  • 1ª Consulta (antes das 12 semanas);
  • 2ª Consulta (entre 14 e as 16 semanas e 6 dias);
  • 3ª Consulta (antes das 24 semanas);
  • 4ª Consulta (entre as 27 e as 30 semanas e 6 dias);
  • 5ª Consulta (entre as 34 e as 35 semanas e 6 dias);
  • 6ª Consulta (entre as 36 e as 38 semanas e 6 dias);
  • 7ª Consulta (após as 40 semanas);
  • Consulta do puerpério (6 semanas pós-parto).

As datas referidas podem variar, não só com as suas necessidades específicas, mas também com o protocolo da instituição de saúde onde está a ser seguida.

mulher a falar com o ginecologista

5. Sinais de alerta na gravidez

Apesar de os sintomas já descritos serem considerados normais numa gravidez saudável, é preciso não confundir estes sintomas com outros que lhe possam provocar um profundo mal-estar. Por exemplo, os enjoos matinais são normais, mas enjoos excessivos que a impeçam de comer ou mesmo de se hidratar, não podem ser ignorados. De igual forma, a dor abdominal na gravidez é muito comum, mas uma dor abdominal intensa, associada a contrações uterinas e perdas de sangue, podem ser sinais de que algo não está bem.

Recorde-se que nos três primeiros meses de gravidez o risco de aborto espontâneo é bastante elevado, razão pela qual é necessário estar atenta à exacerbação de um qualquer sintoma da gravidez ou a outros sintomas que considerar anormais, nomeadamente:

  • Hemorragia vaginal;
  • Perda de líquido amniótico;
  • Corrimento vaginal com comichão, ardor ou odor não habitual;
  • Dores abdominais;
  • Arrepios ou febre;
  • Dor/ardor ao urinar;
  • Vómitos persistentes;
  • Dores de cabeça fortes ou contínuas;
  • Perturbações da visão;
  • Diminuição dos movimentos fetais.

Outras possíveis complicações graves no primeiro trimestre são a ocorrência de doenças, tais como: toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus, que também prejudicam a formação da placenta e do bebé.

Toxoplasmose

A toxoplasmose é uma infeção causada por um parasita, o Toxoplasma gondii. A reprodução deste parasita dá-se nos intestinos dos gatos pelo que os seus ovos se encontram nas fezes destes animais.

A transmissão pode ocorrer aquando da ingestão de alimentos crus ou mal cozinhados que contenham a forma inativa (quisto) do parasita ou após o contacto com terrenos que contenham fezes de gatos com este parasita.

Rubéola

A rubéola, também conhecida como sarampo alemão, é uma infeção contagiosa causada por um vírus e é caracterizada por erupções vermelhas na pele. É transmitida de pessoa para pessoa por meio do espirro ou tosse, sendo altamente contagiosa.

Citomegalovírus

O citomegalovírus (CMV) é um vírus da família do Herpes simples, que pode infetar a maior parte das pessoas e não causar sintomas. No entanto em grávidas e pessoas com o sistema imunitário deprimido, torna-se preocupante.

Seja qual for o caso, a medicina fetal hoje possui recursos para identificar e tratar precocemente muitos desses problemas. Por isso, não desvalorize qualquer uma destas complicações e dirija-se de imediato a um Centro de Saúde ou à Urgência de um hospital/maternidade.

6. Exames a fazer durante a gravidez

Exames e rastreios a fazer no primeiro trimestre

Como referido, o primeiro exame a fazer é o teste de gravidez. Após confirmar que está grávida deve procurar o seu médico de família ou ginecologista/obstetra.

Na consulta, o médico pedirá análises ao sangue e programará o primeiro exame ecográfico, bem como o rastreio bioquímico. Recorde-se que este rastreio consiste numa análise ao sangue materno para detetar eventuais complicações cromossómicas do feto na fase inicial da gestação (por exemplo, Síndrome de Down, Trissomia 18 e Trissomia 13), sendo realizados ambos os exames perto das 12 semanas de gestação.

É também habitual a realização de um exame do estado de saúde geral da grávida bem como um exame ginecológico, através de uma citologia cervical, ou papanicolau.

Assim, e de acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS), os procedimentos serão os seguintes:

  • Análises de avaliação do estado geral de saúde da grávida (hemograma, glicemia em jejum e função renal);
  • Tipagem sanguínea, com identificação do grupo sanguíneo e fator Rh;
  • Análises imunológicas (toxoplasmose, rubéola, hepatite B e C, VIH entre outros);
  • Avaliação de fatores infeciosos, através de análise da urina.

Para além destas análises é também realizada a primeira ecografia da gravidez (que deve ser realizada entre as 11 e as 13 semanas), com os seguintes objetivos:

  • Avaliar se o local de fixação do saco gestacional é intra-uterino ou ectópico;
  • Verificar a viabilidade do embrião;
  • Determinar a idade gestacional através da medição do comprimento crânio-caudal (CCC) do embrião;
  • Determinar a data provável para o parto (DPP);
  • Determinar o número de embriões;
  • Avaliar a anatomia fetal através da análise dos ossos e órgãos do embrião para despistar cromossomapatias;
  • Diagnosticar malformações congénitas através da medição da translucência da nuca e da presença dos ossos do nariz.

Nesta consulta, ser-lhe-á ainda fornecido o Boletim de Saúde da Grávida onde serão registados todos os dados clínicos relativos à saúde da mãe e do bebé.

grávida a fazer uma ecografia

Exames e rastreios a fazer no segundo trimestre

No segundo trimestre da gravidez, deverá repetir alguns dos exames que realizou no primeiro trimestre, nomeadamente as análises ao sangue. Nesta fase também é aconselhável repetir os exames serológicos de doenças como a toxoplasmose. Não deve excluir ainda o exame ao vírus da imunodeficiência humana (VIH) ou hepatite B.

É ainda neste trimestre que é realizado o rastreio da diabetes gestacional, através da prova de tolerância à glicose, PTGO. Este exame é efetuado por todas as grávidas que realizaram análise à glicemia em jejum no primeiro trimestre, cujo resultado foi negativo. Para as grávidas que já tenham sido diagnosticadas com diabetes gestacional nos exames laboratoriais do primeiro trimestre, não há a necessidade de realizar este teste.

Como se deve realizar pelo menos uma ecografia por trimestre, esta será a altura para realizar a segunda ecografia morfológica (que deve ser realizada entre as 20 e as 22 semanas). Não será demais lembrar que a sua realização é fundamental para avaliar a anatomia do bebé.

Também no segundo trimestre é realizada a isoimunização RhD. Esta é feita através da administração duma injeção de imunoglobulina anti-D. Este procedimento é realizado às 28 semanas de gestação. Caso seja a primeira gravidez e se o bebé for RhD positivo, é administrada outra dose de imunoglobulina anti-D até 72 horas após o parto. Isto é feito para prevenir possíveis complicações em futuras gestações.

Este procedimento também é efetuado após algumas situações:

  • Gravidez ectópica;
  • Aborto espontâneo ou induzido;
  • Mola hidatidiforme;
  • Amniocentese;
  • Colheita das vilosidades coriónicas;
  • Hemorragia vaginal;
  • Trauma durante a gestação.

Exames e rastreios a fazer no terceiro trimestre

No terceiro trimestre de gravidez, e além da terceira ecografia morfológica (a realizar entre a 29ª e 32ª semana), começa a ser necessária a realização da cardiotocografia (CTG), procedimento que serve para avaliar a frequência cardíaca do bebé e os seus movimentos, assim como para verificar a existência ou ausência de contrações.

Entre as 35 e as 37 semanas de gestação também é realizado o rastreio de Streptococcus agalactiae grupo B, o principal causador de infeção neonatal podendo, em casos graves, provocar danos neurológicos. A colheita do exsudado vaginal é realizado com uma zaragatoa. O exame deve ser efeito com um intervalo máximo de cinco semanas antes do parto, uma vez que quanto maior o intervalo, menor será o seu valor preditivo.

Recorde-se que aproximadamente 10 a 30% das grávidas estão colonizadas pelo Streptococcus grupo B. Por este motivo, ser-lhe-á administrado um antibiótico durante o trabalho de parto, para prevenir a transmissão deste microorganismo para o bebé.

7. Espaço grávidas Unilabs: o local para fazer os exames de que necessita

Como a gravidez é um momento especial para todas as mulheres, a Unilabs tem disponível um espaço destinado especificamente às mamãs, de modo a que esta fase seja vivida com o máximo conforto, sobretudo no momento das análises clínicas. Assim, a unidade da Unilabs no Porto (situado na Rua Arquitecto Cassiano Barbosa, junto ao Pinheiro Manso) já tem um espaço exclusivo para atendimento a grávidas.

O ambiente foi pensado ao pormenor para promover o relaxamento das grávidas e para que se sintam como se estivessem em casa.

Este espaço tem salas equipadas com cadeirões reclináveis e iPads, através dos quais as futuras mães podem assistir a séries e filmes, através do serviço de streaming Netflix, ou então descontrair ao som das suas músicas preferidas, através da aplicação Spotify. Em cada uma das salas também é possível encontrar livros sobre a gravidez e maternidade.

Nesta unidade, poderá então fazer todas as análises necessárias ao longo da gravidez, nomeadamente:

Análises clínicas pré-concepção:

  • Grupo sanguíneo: Tipagem ABO e factor Rh;
  • Hemograma completo;
  • Glicemia em jejum;
  • TSH;
  • FT4.

Análises clínicas do primeiro trimestre:

  • Citologia Cervicovaginal;
  • Pesquisa de Aglutininas Irregulares (Teste de Coombs indireto);
  • Hemograma completo;
  • Glicemia em jejum.

Análises clínicas do segundo e terceiro trimestres:

  • Pesquisa de Aglutininas Irregulares (Teste de Coombs indireto);
  • Hemograma completo.

Testes de rastreio pré-natal não invasivos:

Exames serológicos:

  • Toxoplasmose;
  • Rubéola;
  • Citomegalovírus;
  • Hepatite B;
  • Hepatite C;
  • HIV;
  • Sífilis;
  • Teste de HPV;
  • Teste de Urocultura com eventual TSA;
  • Rastreio bioquímico (primeiro e segundo trimestres);
  • Prova de glicose oral;
  • Colheita para pesquisa do Streptococcus agalactiae grupo B.

Radiologia:

  • Ecografia fetal 2D (eventual 3D).

Aqui, poderão também marcar as suas próprias ecografias para o centro de diagnóstico Unilabs mais próximo.

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Cuidados na gravidez

1. Mitos sobre a gravidez

Ainda hoje existem muitos mitos em torno da gravidez, que passam de geração em geração sem sabermos exatamente a sua origem. Não acredite em tudo o que ouve, até porque já basta o turbilhão de emoções e de alterações físicas que terá que enfrentar.

Pense que a ciência evoluiu e tem explicações concretas para as mudanças físicas e emocionais da mulher grávida. Os mitos não passam de teorias que serviam para justificar mudanças que, para o senso comum, eram aparentemente inexplicáveis. Desmistificamos, a este propósito, algumas dessas histórias:

“A grávida precisa de comer por dois”

A mulher grávida não precisa de comer por dois. Aliás, precisa de apenas mais 300 calorias por dia para passar por uma gravidez saudável, sem engordar demasiado. O ideal é que mantenha uma dieta saudável e equilibrada.

“A grávida precisa de beber muito leite para ter leite para o seu bebé”

O consumo de leite, seja durante a gravidez ou no pós-parto, em nada afeta a produção de leite. O que define a produção de leite são as hormonas responsáveis pela amamentação, que se libertam após o parto e o contacto com o bebé.

Para aumentar a produção de leite a mulher deve ter uma alimentação saudável e equilibrada e beber muitos líquidos.

“Se a grávida tem muitos enjoos, é de certeza uma menina”

Os enjoos estão relacionados com níveis elevados da hormona Beta-HCG e com as alterações fisiológicas da gravidez no sistema digestivo. Nada têm a ver com o sexo do bebé.

“Se a grávida tem azia, é sinal que o bebé vai nascer com muito cabelo”

Com o crescimento do útero, o estômago começa a ficar comprimido. Isto faz com que haja algum refluxo e a grávida sinta azia. Obviamente que o que faz com que o bebé seja cabeludo ou não, é a genética.

“Se a barriga da grávida for larga vai nascer uma menina; se for pontiaguda nascerá um menino”

Não há nenhum estudo que comprove que o formato da barriga é influenciado pelo sexo do bebé. A barriga da grávida desenvolve-se de acordo com as características corporais do seu corpo e do seu bebé. A posição do bebé pode influenciar o formato da barriga.

“Se a grávida andar com chaves no bolso ou medalhas, o bebé nascerá com marcas na pele”

Não há nenhuma evidência científica que comprove que o uso de medalhas ou chaves junto ao corpo provoque alterações na pele do bebé.

“Ter relações sexuais durante a gravidez prejudica o bebé”

Ter relações sexuais não prejudica, nem magoa o bebé. Aliás, o ato sexual aumenta o aporte de sangue para aquela zona, fazendo com que haja uma maior oxigenação do bebé.

As relações sexuais durante a gravidez provocam a libertação de endorfinas que proporcionam bem-estar à mãe e ao bebé e ajudam no trabalho de parto.

As relações só serão contra-indicadas caso o médico encontre alguma alteração na gestação.

Grávida a sobressair a barriga

2. Evolução do bebé mês a mês

No primeiro mês de gravidez, o feto começa por ter a forma de um disco oval composto por três camadas de células, a partir das quais se vão originar as várias estruturas do corpo do bebé.

Durante o desenvolvimento do feto, a camada interna, a endoderme, dará lugar aos órgãos do aparelho digestivo, tais como, os rins, o pâncreas e os órgãos do sistema respiratório.

A camada externa, chamada de ectoderme, formará o sistema nervoso e outros órgãos, como a pele, as unhas e os pêlos.
A terceira camada formará a maior parte da estrutura óssea, o coração, o trato urinário e os órgãos sexuais.

No centro da mesoderme temos o notocórdio, que fará as funções de coluna vertebral provisória, e a partir do qual se formarão o sistema nervoso central, o futuro cérebro e a cabeça. O feto parece-se agora com uma pequena vírgula, com uma cabeça e alguns pequenos relevos que serão os seus futuros quatro membros.

Desde o final da 3ª semana, o coração do seu bebé já bate sob a forma de um tubo cardíaco, apesar de ainda ser um batimento muito leve.

Na 4ª semana ocorre a organogénese, ou seja, a criação dos órgãos internos e o início do estabelecimento da circulação sanguínea entre o feto e a placenta.

O segundo mês da gravidez (da 5ª à 9ª semana) é considerado um mês crítico no desenvolvimento do bebé. Os olhos, o nariz, a boca e as orelhas começam a definir-se. O estômago produz sucos gástricos, o fígado células sanguíneas e os rins ácido úrico.

A partir da 9ª semana até à 12ª (o terceiro mês de gravidez), acontecem uma série de desenvolvimentos no corpo do bebé. Os dedos do bebé, que à 9ª semana ainda estão ligados entre si, separam-se e termina a formação dos órgãos.

Nesta fase, às 11 semanas, o bebé já mede 47 mm, sendo que o tamanho da cabeça mede um terço do comprimento total. Os olhos começam a aproximar-se da zona ventral e o diafragma está quase formado.

Às 12 semanas, os olhos já estão na parte central, as orelhas perto do local definitivo e os membros atingem o tamanho relativo em proporção ao corpo.

Por esta altura já é possível determinar o sexo do bebé. Os órgãos e os músculos começam a trabalhar. O coração já tem a estrutura definitiva e o sistema respiratório está formado.

A partir das 12 semanas é quando o útero começa a empurrar a parede abdominal. Nessa altura poderá notar, na balança, um ligeiro aumento de peso.

No início do segundo trimestre e quarto mês de gravidez (da 13ª à 16ª semana), surgem os 20 alvéolos dentários e o bebé começa a produzir urina.

grávida com ecografias na barriga

Na 14ª semana, o bebé mede 11,5 cm e pesa cerca de 19 gramas. A coluna vertebral já está ossificada e o coração está formado no sítio definitivo.

No final deste período, o bebé já está muito ativo, consegue ouvir, os genitais estão bem formados e o intestino já forma mecônio (matéria fecal). Começa a levar as mãos à boca e a chuchar no dedo.

A partir da 17ª semana, início do quinto mês da gravidez, o bebé já é do tamanho de um abacate. A partir desta semana o bebé começa a engordar, porque agora, a formação passa a ser mais lenta e o ganho de peso fica mais intenso.

Na 18ª semana, formam-se os alvéolos pulmonares, o córtex e os órgãos sexuais amadurecem. As sobrancelhas e as pestanas já se notam, a pele está menos transparente, as pernas estão mais longas e a distância do umbigo à púbis aumentou.

Na 19ª semana, o cérebro está em fase de aperfeiçoamento e todos os sentidos estão a desenvolverem-se.
Nesta fase, começará a perceber os movimentos do bebé. Quando chega às 20 semanas, já mede 22 cm e já pesa 300 gramas. A partir deste momento, o bebé ouve, vê, tem emoções, e participa ativamente na vida da mãe, partilhando as suas mudanças de humor e sensações.

No sexto mês (da 21ª à 25ª semana), que marca o fim do segundo trimestre, o bebé já mede 32 cm e pesa o dobro do mês anterior, 600 gramas.

Todos os neurónios de que o bebé necessitará ao longo da sua vida aparecerão durante este mês, embora as ligações entre os nervos demorem anos a completar-se. Vasos sanguíneos minúsculos, chamados de capilares, começam a desenvolver-se por debaixo da pele, que lhe darão uma cor rosada.

A 26ª semana marca não só o início do sétimo mês de gravidez, mas também do terceiro trimestre. Nesta fase, o tamanho da barriga vai aumentar significativamente e, emocionalmente, estará mais sensível. Em termos físicos começam as dificuldades respiratórias, o cansaço e as dores nas pernas e costas, relacionadas com o peso e a pressão do bebé no diafragma.

No final deste mês, o comprimento do bebé já será cerca de 40 cm e pesará, mais ou menos, 1,5 kg. Nesta etapa ele já responde a estímulos externos como a voz dos pais e carícias na barriga.

No final do oitavo mês (à 37ª semana), o bebé já é considerado um bebé de termo, capaz de sobreviver sozinho no caso de nascer. Aliás, já age cada vez mais como um recém-nascido: dorme, acorda, mexe as mãos e abre e fecha os olhos.

No início do nono mês (da 38ª à 41ª semana), importa estar atenta aos sinais do parto. Se sentir contrações de 5 em 5 minutos, com a duração de 1 minuto, deverá dirigir-se para o hospital.

Se, entretanto, a bolsa de águas rebentar, não pode esperar mais do que 12 horas para ir para hospital, independentemente das contrações.

Nesta fase, o bebé apenas ganha peso e pode pesar cerca de 3,3 kg e medir cerca de 50 cm. Se até à 41ª semana, as contrações não começarem espontaneamente, o médico provavelmente terá que fazer a indução do parto, com ocitocina sintética no hospital.

3. Contagem dos movimentos fetais

Quando se inicia o terceiro trimestre é aconselhável que comece a ter uma noção de quantas vezes o bebé se mexe por dia. Por esta altura, deverá mexer-se pelo menos 10 vezes durante o período de 12 horas. Se não sentir movimentos durante 12 horas seguidas, isto significa que ou o bebé está a dormir ou em sofrimento.

Para se certificar que está tudo bem com o bebé, deve fazer o seguinte:

  • Deite-se de lado com o suporte de uma almofada e tente abstrair-se dos ruídos à sua volta. Isto poderá ser o suficiente para o sentir;
  • Mexa-se, faça alguns movimentos com o corpo, de forma a estimular também os movimentos do bebé;
  • Toque na barriga, fale com o bebé;
  • Coloque uns fones na barriga e ligue a música;
  • Ingira algo doce, como um pedaço de chocolate, ou opte antes pela ingestão de bebidas doces (chocolate quente, sumo);
  • Beba ou coma alguma coisa gelada, já que a mudança de temperatura pode fazer com que o bebé se tente “desviar” da onda fria.

No caso de nenhuma das medidas referidas surtir qualquer efeito, deve contactar de imediato o seu médico. Este terá de fazer alguns exames para avaliar a vitalidade fetal.

4. Alimentação na gravidez

Quanto à alimentação, é importante que esta seja variada e equilibrada. Recorde-se que é através de si que o bebé recebe os nutrientes de que necessita para crescer e se desenvolver. Por essa razão, é fundamental que se alimente várias vezes ao dia, procurando fazer refeições pequenas e com intervalos regulares.

Durante a gravidez deverá, igualmente, garantir um adequado aporte energético e de macronutrientes, nomeadamente hidratos de carbono, proteína e fibra. Nesta fase, micronutrientes como o ferro e ácido fólico assumem especial importância.

Macronutrientes

As necessidades energéticas vão variar durante a gravidez, sobretudo de acordo com o trimestre de gestação. Por exemplo, no primeiro trimestre não se verificam necessidades aumentadas de energia. No segundo, terá um aumento de cerca de 330 kcal e, no terceiro, um aumento de 452 kcal. Isto claro, além das 2000 kcal recomendadas diariamente.

Assim, tenha especial cuidado com aumentos de peso excessivos, uma vez que é um dos fatores que mais se associa às complicações no parto. O aumento de peso ideal deverá ser dentro dos seguintes parâmetros:

Estado Ponderal Índice de Massa Corporal (IMC) Recomendação de aumento de peso Aumento de peso por semana a partir do terceiro trimestre
Magreza IMC < 19,8 12,5 – 18 kg 0,5 kg
Normoponderal IMC > 26-29 7 – 11,5 kg 0,3 kg
Obesidade IMC > 29 Até 7 kg
Gravidez de Gémeos 15,9 – 20,4 kg 0,7 kg

No que diz respeito à proteína, em princípio não será necessária suplementação, uma vez que, nesta fase, já irá consumir proteína de origem animal (carne, peixe e ovos) em quantidades superiores ao normal. Importa, contudo, saber que durante a gravidez as necessidades proteicas aumentam devido à formação da placenta.

Já para os hidratos de carbono, o seu consumo é fundamental durante a gravidez, já que são uma das fontes de energia do organismo. Boas fontes de hidratos de carbono são, por exemplo, pão integral, a batata, o arroz, a massa, aveia (grupo dos cereais derivados e tubérculos). Opte, sempre que possível, pelos cereais integrais, sobretudo por causa da obstipação.

Quanto à gordura, durante a gravidez, o consumo adequado de ácidos gordos essenciais – como o ácido linoleico, ácido linolénico, DHA e AA – são de grande importância para o desenvolvimento cerebral e sistema nervoso do feto. A melhor fonte alimentar deste tipo de gorduras é o peixe gordo.

Micronutrientes

Dois dos micronutrientes fundamentais durante a gravidez são o ácido fólico e o ferro.

As recomendações de ácido fólico para uma mulher adulta são de cerca 400 µg por dia, subindo para 600 µg durante a gravidez. É recomendado, por isso, o aumento do consumo de frutos e hortícolas ricos nesta vitamina, bem como a utilização de cereais integrais (pão integral, massa e arroz integrais) e leguminosas (ervilhas, feijão, grão-de-bico, favas), sendo adjuvante a toma de suplementos desta vitamina.

Já o ferro é um nutriente de extrema importância na gravidez, uma vez que é essencial para o crescimento e metabolismo energético do bebé. 

De acordo com a Associação Portuguesa de Nutrição, durante a gravidez, as necessidades de ferro aumentam de 18 mg/dia para 27 mg/dia, havendo necessidade de suplementação. 

A anemia por défice de ferro afecta cerca de 30% das mulheres grávidas, sendo que esta situação poderá aumentar o risco de baixo peso à nascença, nascimento de bebés pré-termo e mortalidade perinatal, podendo igualmente prejudicar a interação mãe-bebé.

Para garantir um correto aporte energético, de macro e micronutrientes, deverá incluir os seguintes alimentos no seu dia-a-dia:

  • Ovos, carne, peixe (fornecedores de proteínas);
  • Leite, iogurte, queijo e manteiga (fornecedores de cálcio);
  • Ervilhas, feijão, grão (fornecedores de proteínas vegetais indispensáveis ao feto);
  • Fruta e vegetais em todas as refeições (fornecedores de vitaminas e sais minerais);
  • Água (2 a 3 litros de água por dia).

grávida a comer iogurte

Se possível, opte por alimentos da época, com o menor grau de processamento possível. Por outro lado, é fundamental que evite ou reduza o consumo de:

  • Doces e bolos;
  • Café, chá, álcool e bebidas com gás;
  • Mariscos (risco de salmonelas);
  • Peixe cru, peixes ricos em mercúrio, como espadarte, tamboril ou tintureira;
  • Carne mal passada (risco de toxoplasmose);
  • Queijo fresco de leite não pasteurizado (risco de  brucelose).

Durante o primeiro trimestre estes são os alimentos que poderá incluir na sua dieta. Não deixe, contudo, de conversar com o seu médico e nutricionista  sobre o que deve ou não deve comer durante a gravidez.

1º mês de gravidez 2º a 3º mês de gravidez
Alimentação adequada para o primeiro trimestre de gravidez Aposte no reforço da suplementação em ácido fólico, vitamina b12 e ferro.

Poderá fazê-lo através dos seguintes alimentos: brócolos, ervilhas, espinafre, alface, nozes e amêndoas.

Altura de apostar na hidratação, devido à retenção de líquidos e à prisão de ventre.

Beba muita água ou infusões sem açúcar e coma muita fruta, cereais integrais, leguminosas e hortícolas de modo a ingerir uma quantidade de fibra significativa.

Continue a apostar em alimentos ricos em ácido fólico e também em alimentos ricos em vitamina B6 (para atenuar os enjoos): bananas, arroz integral, carnes magras, peixe, abacate e castanhas.

No segundo trimestre é perfeitamente natural que o seu apetite aumente, uma vez que esta fase é decisiva para o crescimento do bebé. Apesar de não ser necessário comer por dois, também não é recomendado nenhum tipo de restrição alimentar exagerada, exceto de substâncias nocivas como o álcool, enchidos e fumados, gorduras saturadas, como a manteiga e os óleos.

4º mês de gravidez 5º e 6º meses de gravidez
Alimentação adequada para o segundo trimestre de gravidez Tente aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro, para evitar possíveis anemias.

A carne, os legumes verde escuro e as leguminosas deverão ser alimentos sempre presentes.

Também os alimentos ricos em vitamina C facilitam a absorção do ferro e são excelentes aliados neste mês (citrinos, frutos vermelhos, entre outros).

Estes meses são importantes para o desenvolvimento do bebé e formação de novos tecidos.

Como tal, deve apostar em alimentos ricos em ómega-3 para promover o adequado desenvolvimento das membranas celulares. Frutos secos, peixe gordo, abacate e sementes são algumas das opções.

Também os alimentos ricos em cálcio e vitamina D são fundamentais visto que irá começar a perder as suas reservas para permitir a formação do bebé. Neste caso, lacticínios, ovos, legumes de folha verde escura, são alimentos muito importantes nesta fase.

No terceiro trimestre tente evitar alimentos muito condimentados e gordurosos, sobretudo porque esta será uma fase em que, provavelmente, terá de lidar com o desconforto causado pela azia. Além disso, este será um período bastante exigente para o seu corpo, uma vez que o bebé já está desenvolvido e a alimentar-se bem.

7º mês de gravidez 8º e 9º mês de gravidez
Alimentação adequada para o terceiro trimestre de gravidez Reforce a ingestão de alimentos ricos em vitamina A para promover um adequado desenvolvimento da pele e olhos do bebé.

Legumes e fruta de cor laranja ou amarela e batata-doce são algumas das opções.

Alimentos ricos em vitamina K devem ser reforçados de modo a promover uma adequada coagulação para o momento do parto e evitar hemorragias.

Legumes de folha verde escuro, melão e meloa, couve-flor, alimentos fermentados e cereais integrais são as melhores opções.

Mesmo depois do parto, deve manter uma alimentação rica em vitamina K, especialmente durante a fase de amamentação. O colostro, o primeiro líquido que sai antes do leite materno, contém bastante da vitamina K que a grávida ingere para passar para o bebé.

5. Exercício físico na gravidez

Regra geral, a prática de uma atividade física durante a gravidez ser-lhe-á sempre benéfica. O exercício físico melhora a circulação sanguínea, reduz a massa gorda e alguns dos sintomas incómodos da gravidez – como, por exemplo, a prisão de ventre e a fadiga. Além disso, ajuda-la-á a gerir melhor o stress e as tensões físicas e emocionais, pois ajuda a diminuir a probabilidade de surgimento de cãibras musculares, inchaços, mudanças de humor, diabetes e hipertensão gestacional.

De qualquer forma, é importante que converse com o seu médico sobre qual a atividade física mais adequada ao seu caso e faça questão de ser acompanhada por um profissional do exercício. Por norma, caminhar é um dos exercícios recomendados em qualquer fase da gravidez, mas importa saber que há exercícios aconselháveis para cada trimestre de gravidez.

Exercícios recomendados para o primeiro trimestre

No primeiro trimestre, a mulher grávida ainda não terá grandes limitações em termos físicos, apesar dos cuidados essenciais que importa não descurar quer neste período sensível, quer ao longo da gravidez. Referimo-nos sobretudo aos cuidados relativos à alimentação ou mesmo à necessidade de evitar hábitos prejudiciais à saúde do bebé (fumar, consumir drogas, álcool).

Nesta fase, e relativamente à frequência de treino, uma forma adequada de estruturar o seu treino será alternar dias de treino de força com dias de treino cardiovascular, apontando para treinos que não excedam os 30 minutos, cinco a seis vezes por semana.

Assim, poderá fazer uma variedade de exercícios: agachamentos, lunges, remadas, flexões, natação, caminhadas e ioga, não tendo obrigatoriamente de se cingir a estes. Deverá também ser feito um fortalecimento dos músculos do core – abdominais e zona lombar.

Músculos usualmente descurados e que deverão ser trabalhados o mais cedo possível, são os músculos do soalho pélvico. O pavimento pélvico é um conjunto de músculos e ligamentos que fecham a cavidade abdominal na sua porção inferior. Tem a função de manter os órgãos pélvicos (bexiga, uretra, útero e vagina; e reto) na posição adequada, prevenindo problemas como incontinência urinária, prolapso, disfunções sexuais ou dores lombares.

Exercícios recomendados para o segundo trimestre

Apesar de este ser um trimestre “mais fácil” de suportar do que o primeiro, uma vez que já terá menos enjoos e cansaço, fruto da adaptação do seu corpo à gravidez, é importante que mantenha a sua rotina de treino.

Mantendo a rotina de treino de força com dias de treino cardiovascular, deverá trabalhar os grupos musculares mais críticos nesta fase, incidindo maioritariamente sobre os músculos posturais, core e coxas.

Assim, aconselhamos a realização, por exemplo, de pranchas laterais, agachamentos com pesos, flexões inclinadas e exercícios de step-up.

grávida a fazer pilates em casa

Exercícios recomendados para o terceiro trimestre

Se tiver uma boa rotina prévia de exercício físico, então deverão ser feitos apenas alguns pequenos ajustes ao treino. No caso de não ter experiência de treino, a prioridade nesta fase deverá ser a realização de exercícios posturais e de fortalecimento do soalho pélvico.

Quer de uma forma, quer de outra, deverá evitar:

  • Evitar exercícios que tenha de estar deitada de barriga para cima ou deitada de barriga para baixo;
  • Realizar exercícios com impacto;
  • Exercícios que obriguem a permanecer longos períodos em pé;
  • Exercícios que aumentem o risco de queda ou contacto físico;
  • Evitar exercitar-se a altitudes acima dos 6000 pés e atividades como o mergulho.

Assim, no terceiro trimestre é aconselhável a realização de agachamentos, bicep curl e tricep francês, ioga e caminhadas.

Exercícios que não deve fazer durante a gravidez

  • Exercícios de alto impacto e muita intensidade;
  • Exercícios na posição de supino depois do primeiro trimestre de gravidez;
  • Exercícios que causem muito desequilíbrio: as alterações físicas e fisiológicas durante a gestação podem causar desequilíbrio e colocar em perigo a sua vida e a do feto, especialmente no terceiro trimestre;
  • Exercícios que possam causar ou potenciar algum trauma abdominal;
  • Modalidades de confronto direto;
  • Modalidades que a possam colocar em risco de queda ou esforços máximos (surf, ténis, futebol equitação);
  • Modalidades que exijam atividade física em altitude.

6. Relações sexuais na gravidez

Apesar de este ser ainda um assunto tabu, importa frisar que ter relações sexuais durante a gravidez não prejudica o bebé – seja qual for a fase de gestação. Ele está devidamente protegido no interior do útero.

Só em situações excepcionais, como a ameaça de parto pré-termo, por exemplo, é que poderá ser aconselhada a não ter relações sexuais. Ainda assim, tenha em mente que há sempre o risco de lhe serem transmitidas doenças que podem afetar o feto ou complicar a gravidez. Referimo-nos, por exemplo, à sífilis, hepatite e HIV/SIDA, entre outras doenças.

7. Cuidados de higiene na gravidez

Durante a gravidez, deve ter cuidados redobrados com a sua higiene em geral. Devido às alterações hormonais há uma tendência para transpirar mais, razão pela qual é aconselhável tomar pelo menos um duche diário, sendo que quando estiver a fazer a sua higiene íntima deve preferir sempre sabonetes neutros, líquidos e evitar os duches vaginais internos.

A seguir ao banho deve aplicar creme ou loções hidratantes no corpo, especialmente na região abdominal, glúteos e seios.

Deve também manter uma ingestão adequada de líquidos para manter a pele saudável e hidratada.

Nesta fase, também é importante não esquecer a sua higiene oral, dado que, durante a gravidez, há uma tendência para o aparecimento de cáries ou agravamento de problemas orais, em especial a inflamação das gengivas. É, por isso, aconselhável ir ao dentista para fazer um check-up geral, sobretudo no início da gravidez.

Lavar os dentes duas ou três vezes por dia, principalmente após as refeições é outro dos cuidados a ter ao longo da gravidez.

grávida saída do banho com uma tolha cor de rosa

8. O parto

Não existe um tipo de parto mais aconselhado para todas as mulheres. Existem sim, diferentes tipos de parto consoante as necessidades da mãe e do bebé.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) defender que o parto normal deve ser a primeira escolha no momento de dar à luz, cabe-lhe a si e ao seu médico decidir qual o melhor procedimento a seguir.

Ainda assim, importa saber quais os sinais de parto, como decorre um parto e como gerir a dor ao longo de todo o processo.

Sinais de parto

Os principais sinais de parto são as contrações e a rutura da bolsa de águas.

Relativamente às contrações, apenas quando estas tiverem um padrão regular, de forma rítmica, com intervalos de tempo certos (primeiro a cada de 15 minutos, depois a cada 10 minutos ou a cada 5 minutos) e com maior intensidade, é que devem ser consideradas como sintomas de parto. Neste momento, deve começar a preparar-se para ir para a maternidade.

A rutura da bolsa de águas é outro dos principais sintomas de parto. Quando se dá a rutura tente prestar atenção à hora em que a bolsa rebentou, para, assim, poder informar devidamente o seu médico. Por norma, depois da rutura da bolsa de águas sem contrações, o parto ocorre em 12 horas. Importa ainda frisar que esta rutura exige internamento imediato para evitar complicações.

Como gerir a dor do parto?

Um dos maiores receios das futuras mamãs é não saber como lidar com as dores de parto. Importa, contudo, saber que as dores dependem muito da sensibilidade de cada mulher e que, atualmente, existem técnicas que a podem ajudar a suportar o desconforto. Além disso, os profissionais que a acompanharão durante o parto estão familiarizados com a situação e sempre dispostos a ajudar.

A epidural, por exemplo, tem uma ação direta sobre os nervos responsáveis pela dor, aliviando-a. Assim que é colocado o cateter epidural e administrada a medicação, as dores de parto diminuem progressivamente de intensidade. Em cerca de 15 minutos as dores cessam e passa apenas a ser perceptível um “endurecimento” da barriga.

Aprender a controlar a respiração também é uma boa ajuda para aliviar eventuais dores. Existem algumas técnicas de respiração que podem ajudar, nomeadamente:

  • Concentrar-se na sua respiração: inspire calma e naturalmente e, ao expirar, liberte o ar junto com toda a sua tensão corporal;
  • Experimentar contar: ao inspirar, conte normalmente até três ou quatro e, quando expirar, conte de novo. Tenha em conta que, quando expirar, deve contar sempre mais um número do que ao inspirar. Ao contar, vai conseguir controlar melhor a respiração;
  • Inspirar pelo nariz e expirar pela boca;
  • Respirar com o seu companheiro: concentre-se na respiração do seu companheiro (ou do acompanhante que estiver consigo) e olhe-o nos olhos. Treinem a respiração juntos durante a gravidez. Quando chegar o momento do parto, será uma grande ajuda, para além de ser gratificante para os dois.

Como decorre o parto?

No caso do parto normal, a duração pode variar bastante, mas, por norma, pode durar entre 6 a 12 horas. O parto propriamente dito pode ser dividido em três estágios:

  1. Dilatação do colo do útero: começa com contrações que começam lentas e quase indolores, podem vir seguidas com dores acentuadas nas costas e algumas vezes acompanhada de diarreia. Essas dores são parecidas com cólicas e irão aumentar cada vez mais. Conforme o parto avança, o tempo entre cada contração diminui. Esta fase irá durar até a mulher dilatar 10 centímetros. Esta é a fase mais longa do parto.
  2. Expulsão do bebé: uma vez que o útero começa a empurrar o bebé para fora, através do canal vaginal. A cada contração, que têm uma duração de 60-90 segundos, com intervalos de 2 a 4 minutos, deverá empurrar para baixo (como se estivesse a evacuar), fazendo com que o bebé desça cada vez mais.
  3. Expulsão/saída da placenta: nesta fase do trabalho de parto, o útero descansa cerca de 15 minutos. Chama-se a esta fase a dequitação ou expulsão da placenta. Tem uma duração entre 10 a 20 minutos, mas pode ser ainda mais curta se houver um controlo ativo pela administração de fármacos de forma a reduzir as probabilidades de hemorragia excessiva.

9. Mala de maternidade

A partir do início do terceiro trimestre, convém que vá organizando a mala de maternidade, de forma a que, quando chegar a hora do parto, não tenha que se preocupar.

Estas são algumas sugestões de artigos a incluir:

Para a mãe:

  • Camisa de dormir;
  • Roupa interior;
  • Roupão;
  • Produtos de higiene;
  • Toalha de banho;
  • Estojo de aleitamento;
  • Roupa para quando sair.

Para o bebé:

  • Roupinhas para o bebé: babygrows, bodies, collants, meias/carapins, casaco de malha, gorro;
  • Uma manta quentinha;
  • Bolsa com produtos de higiene para o bebé: toalhitas, escova de cabelo macia, creme hidratante, creme contra assaduras, água de limpeza sem sabão;
  • Fraldas.
Unilabs Autor Unilabs

Presente em Portugal desde 2006, a Unilabs é líder nacional em Diagnóstico Clínico, com mais de 1000 Unidades de atendimento ao seu dispor. Serviços: Análises Clínicas, Cardiologia, Anatomia Patológica, Radiologia, Genética Médica, Medicina Nuclear, Gastrenterologia.