Em Portugal, a anemia na gravidez é uma condição que afeta mais de 50% das gestantes, segundo o estudo EMPIRE, com variações regionais. Contudo, trata-se de um problema global de saúde pública, afetando cerca de um quarto da população mundial.

A anemia abrange alterações hematológicas fisiológicas da gravidez, com diminuição fisiológica da hemoglobina e do hematócrito, associada ao aumento das necessidades de ferro, principalmente durante o 2º e 3º trimestres de gravidez. Estas alterações propiciam o adequado desenvolvimento do bebé.

As grávidas com este problema não possuem eritrócitos suficientes no sangue para garantir o transporte necessário de oxigénio para os tecidos e órgãos do corpo e para o próprio bebé. Isso pode prejudicar o desenvolvimento do feto.

A anemia na gravidez é relativamente frequente, pois o corpo vê-se obrigado a produzir mais sangue, de modo a garantir o correto desenvolvimento do bebé. Deste modo, se o aporte de ferro e de outros nutrientes for insuficiente, é provável que surja um quadro de anemia.

Todavia, se diagnosticada e tratada atempadamente, a anemia na gravidez não costuma representar riscos nem para a gestante, nem para o bebé. Por outro lado, se esta condição não for detetada, nem tratada precocemente, então pode ter como consequências parto prematuro e restrição do crescimento fetal; morte da parturiente; e/ou baixo peso do recém-nascido.1

Tipos de anemia na gravidez

Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, existem vários tipos de anemia, nem todos relacionados com um défice em ferro.

Conheça alguns dos tipos de anemia na gravidez mais frequentes.2

Anemia ferropénica

Este é, sem dúvida, o tipo de anemia mais prevalente, ocorrendo em cerca de 15% das gravidezes. Caracteriza-se por uma carência em ferro, mineral responsável pela formação dos eritrócitos, necessários ao transporte de oxigénio pelo corpo.

O défice de ferro abrange desde o estado de ausência de reservas de ferro, com hemoglobina normal, até à anemia ferropénica. Tal condição aumenta o risco de de transfusão periparto, pré-eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta, falência cardíaca e até morte.

Anemia megaloblástica

É a segunda causa mais comum de anemia durante a gravidez. A deficiência de ácido fólico e de vitamina B12 (cobalamina) são ocasionadas por carência alimentar ou também pela má absorção desses nutrientes pelo organismo

grávida a fazer análises na Unilabs

Anemia por carência em ácido fólico

O ácido fólico, também conhecido como vitamina B9, atua como coenzima necessária no processo de formação do DNA e RNA, e exerce função na divisão celular. Além disso, é essencial para a formação de glóbulos vermelhos.

O défice de folato pode acarretar defeitos no desenvolvimento do feto e no tubo neural – estrutura embrionária que posteriormente dará origem a medula espinhal, vértebras, meninge, cérebro e crânio.

O defeito na formação do tubo neural pode dar origem a anencefalia (ausência parcial do cérebro e da calota craniana), e Espinha bífida (malformação da medula espinhal, o que permite que parte da medula se projete externamente). Dessa forma, mulheres que planeiam engravidar, devem iniciar a suplementação na fase pré-concepcional, e manter durante a gestação. A dose recomendada é individual e depende de cada caso.

Por esse motivo, durante a gravidez, a gestante deve consumir alimentos fortificados, como cereais, vegetais, bananas, melão e legumes, além de tomar um suplemento de ácido fólico.

Anemia por carência em vitamina B12

Outra vitamina que participa na formação dos eritrócitos é a vitamina B12. A deficiência desta vitamina pode estar relacionada quer com um consumo insuficiente da mesma, através da alimentação; quer com um mau processamento da mesma por parte do corpo, quer pela opção por uma alimentação vegetariana.

A carne, as aves, os laticínios e os ovos são os alimentos mais ricos em vitamina B12. A carência desta vitamina pode provocar problemas neurológicos nas crianças, nomeadamente, défices de memória e distúrbio cognitivo.

Causas e fatores de risco da anemia na gravidez

grávida de vestido com mãos na barriga

Como já adiantamos, a anemia na gravidez está, sobretudo, relacionada com um défice em ferro, ácido fólico e vitamina B12.

A explicação para isso está no facto das gestantes precisarem de mais ferro e de ácido fólico, além da expansão do volume plasmático e o maior número de eritrócitos provocarem uma baixa nos níveis de hemoglobina, principalmente durante o segundo e terceiro trimestre da gestação.

Paralelamente a estas circunstâncias, existem ainda outros fatores de risco que podem contribuir para a anemia na gravidez, como é o caso de ter:3

  • Gravidezes muito próximas no tempo;
  • Gestação múltipla;
  • Gravidez em idade adolescente;
  • Anemia, antes de engravidar;
  • Dieta pobre em ferro (como acontece nos regimes vegetarianos);
  • Problemas de absorção de ferro;
  • Muitos vómitos, devido aos enjoos;
  • Úlceras ou pólipos.

Sintomas de anemia na gravidez a que deve estar atento

Numa fase inicial, a anemia pode ser assintomática. Porém, com a passagem do tempo e, com a própria evolução da gravidez, ela costuma manifestar-se, geralmente por meio de:2

  • Fraqueza ou cansaço;
  • Tonturas;
  • Falta de ar;
  • Batimento cardíaco rápido ou irregular;
  • Dor no peito;
  • Pele, lábios e unhas pálidos;
  • Mãos e pés frios;
  • Dificuldade de concentração.

grávida deitada no sofá com dores de cabeça

Possíveis consequências

A anemia na gravidez pode ter algumas consequências tanto para a mãe, como para o bebé. Essas consequências podem variar em função do seu tipo.2

Possíveis consequências da anemia ferropénica:

  • Necessidade de transfusão de sangue, durante o parto;
  • Depressão pós-parto;
  • Recém-nascido prematuro, com baixo peso e/ou com anemia;
  • Atrasos no desenvolvimento do bebé.

Possíveis consequências da anemia por carência em ácido fólico:

  • Recém-nascido prematuro;
  • Recém-nascido com baixo peso ao nascer;
  • Recém-nascido com problemas na formação do tubo neural e cerebral.

Possíveis consequências da anemia por carência em de vitamina B12:

  • Recém-nascido com problemas neurológicos.

Anemia na gravidez: que cuidados deve ter?

grávida a falar com médica

Para controlar o risco de anemia na gravidez, é fundamental fazer testes de despiste.

Assim, logo na primeira consulta pré-natal, devem ser prescritas análises ao sangue, capazes de avaliarem a existência ou não de anemia, como é o caso dos testes de:

  • Hemoglobina;
  • Hematócrito (percentagem de eritrócitos);
  • Ferritina (reservas de ferro).

Níveis baixos de hemoglobina ou de hematócrito podem ser um sinal de anemia ferropénica. Se o diagnóstico se confirmar, há que controlar a evolução da anemia na gravidez, através da repetição das análises ao sangue.1

Tratamento

Para tratar a anemia na gravidez, é recomendável fazer uma alimentação rica em ferro e ácido fólico, através de alimentos como carne, ovos, laticínios, vegetais, cereais, frutos secos, entre outros ingredientes.

Além disso, podem ser tomados suplementos de ferro, de ácido fólico ou de vitamina B12, cuja dose deve ser individual e vista caso a caso, dependendo da gravidade do défice em questão.

Em situações mais complexas, pode ser ainda precisa a monitorização por um hematologista ou imunohemoterapeuta.1

Como prevenir a anemia na gravidez

É possível tentar evitar a anemia na gravidez, nomeadamente através da alimentação e, eventualmente, da toma de alguns suplementos.

Os alimentos a privilegiar vão variar em função dos nutrientes que se pretendem obter.

Anemia ferropénica

A forma mais eficaz de evitar a anemia ferropénica é garantir o aporte adequado de ferro, através da alimentação. Para isso, há que incluir na dieta alimentos ricos em ferro, de modo a que as gestantes ingiram, diariamente, cerca de 30 mg deste mineral.1

Alguns alimentos a privilegiar são:

  • Carne vermelha magra e de aves;
  • Peixes;
  • Ovos;
  • Legumes, principalmente espinafres, brócolos e couves;
  • Cereais e grãos, sobretudo se enriquecidos com ferro;
  • Feijões, lentilhas e tofu;
  • Nozes e sementes.

Os alimentos ricos em vitamina C também devem ser incluídos na dieta diária e combinados com os alimentos com mais ferro já que, em conjunto, favorecem a absorção de ferro.

Alguns exemplos de alimentos ricos em vitamina C são:

  • Citrinos;
  • Morangos;
  • Sumo de morango;
  • Kiwis;
  • Tomate.

grávida a comer uma salada

Anemia por carência em ácido fólico

Em caso de anemia por deficiência em ácido fólico, devem ser privilegiados alimentos como:1

  • Vegetais;
  • Citrinos;
  • Feijão;
  • Pães e cereais fortificados.

Em todos estes casos, inclusive se houver anemia por carência em vitamina B12 (o que é mais comum nas gestantes vegetarianas), pode ser necessária a toma de suplementos de ferro, ácido fólico e/ou vitamina B12, durante a gravidez e o período da amamentação.

Contudo, a sua toma deve seguir sempre todas as indicações médicas. Após o parto, é comum recuperar da anemia. No entanto, essa situação deve ser devidamente controlada, através da realização regular de análises ao sangue. Pode realizar as suas análises e exames ao longo da gravidez como se estivesse no conforto da sua casa, no Espaço Grávidas.

Siga as nossas recomendações e tenha uma gestação tranquila e livre de anemia.

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+ Fontes

  1. Anemia Working Group Portugal. (2019) Anemia na Gravidez. Disponível em: https://awgp.pt/anemia-na-gravidez/
  2. WebMD. (2020) Anemia in Pregnancy. Disponível em: https://www.webmd.com/baby/guide/anemia-in-pregnancy#1
  3. American Society of Hematology. Anemia and Pregnancy. Disponível em: https://www.hematology.org/education/patients/anemia/pregnancy
  4. Fonseca C, Marques F, Robalo Nunes A, Belo A, Brilhante D, Cortez J. Prevalence of anaemia and iron deficiency in Portugal: the EMPIRE study. Intern Med J. 2016;46(4):470-8.doi: 10.1111/imj.13020. PubMed PMID: 26841337.
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