Fique a par de todos os procedimentos envolvidos numa colonoscopia e como deve ser feita a preparação deste exame médico.

A colonoscopia é um exame médico que permite visualizar o intestino grosso (cólon) e o reto. Através deste exame é possível detetar algumas patologias, fazer biópsias, remover lesões e definir terapêuticas. É especialmente indicado para rastreio do cancro colo-retal e para diagnóstico de diversas doenças do intestino.

Apesar de relativamente comum, este é um exame que ainda suscita muitas dúvidas, especialmente para quem o precisa de fazer. Por isso, esclarecemos todas as suas questões 1.

Qual a indicação para fazer uma colonoscopia?

Sangue nas fezes, diarreia ou obstipação persistente, dor abdominal, são apenas alguns dos sinais ou sintomas que podem levar um médico a prescrever ao doente uma colonoscopia.

Este exame auxilia no diagnóstico de várias patologias e ajuda a reduzir até 40% o número de casos de cancro colo-retal. É que, além de diagnosticar lesões malignas, durante a colonoscopia podem ser removidas lesões benignas (pólipos), evitando a sua progressão para cancro 2.

Embora este ainda seja um exame temido por muitos, atualmente, ele pode ser feito com sedação, pelo que não implica qualquer dor ou incómodo.

A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelo médico, em função das características individuais de cada paciente e das suas queixas ou doença.

Médico a fazer colonoscopia a paciente

A colonoscopia é recomendada nas seguintes situações:

  1. Rastreio do cancro do colon e reto na população em geral ou em grupos com risco aumentado para o desenvolvimento desta neoplasia (história familiar de neoplasias colo-retais, doença inflamatória do intestino entre outras).
  2. Investigação de sintomas: dor abdominal, hematoquézias/retorragias (perda de sangue nas fezes), alterações do trânsito intestinal.
  3. Diagnóstico: causas de anemia e diarreia, colheita de biopsias em mucosa inflamada ou deteção de tumores.
  4. Para rever achados ou proceder a terapêutica de alterações detetada em colonoscopias realizadas anteriormente.
  5. Para esclarecer dúvidas surgidas noutros exames (radiografia, TC abdominal e pélvico, ecografia abdominal ou análises).
  6. Tratamento: a colonoscopia para além de diagnóstica é frequentemente um procedimento terapêutico e curativo, permitindo a excisão de pólipos, realização de dilatações cólicas, remoção de corpos estranhos, fulguração de vasos anómalos ou injeção endoscópica de fármacos para controlo de hemorragias digestivas.

De salientar que a decisão de realizar determinada terapêutica dependerá da avaliação clínica pois, em determinadas circunstâncias (pólipos volumosos; pólipos planos; múltiplos pólipos; posicionamento difícil do aparelho, entre outros) poderá ser mais seguro que a intervenção seja efetuada em ambiente hospitalar mais diferenciado.

Como é feita a preparação para a colonoscopia?

Este é um exame que requer que se tomem algumas medidas prévias, de modo a que o paciente fique realmente preparado para realizar este procedimento.

Uma dessas medidas é fazer uma limpeza total do intestino, que permita uma completa visualização das paredes internas deste órgão, na altura da realização do exame.

Para isso, o doente deve tomar uns preparados próprios (que lhe serão indicados pelo médico) e que consistem em vários tipos de laxantes, os quais vão ajudar na lavagem intestinal.

Antes do exame

Além destes laxantes, há outros procedimentos que deve começar a pôr em prática, já nos dias anteriores ao exame, tais como 1:

  • Na semana anterior ao exame: evitar sementes, fruta seca, leguminosas secas (feijão, grão, milho, etc), qualquer tipo de cereais e farelos;
  • Nos dois dias anteriores ao exame, seguir a seguinte dieta:
    • Pequeno-almoço – infusão de tília, cidreira ou chá. Iogurte. Biscoitos secos;
    • Almoço e jantar – sopas brancas passadas, caldos de carne. Carnes magras, cozidas ou grelhadas (vaca, vitela, galinha, peru, coelho). Peixes magros, cozidos ou grelhados (pescada, robalo, faneca, linguado, caparau). Arroz, puré de batata, ovo cozido. Pão branco, biscoitos secos. Queijo fresco, iogurte. Não coma fruta nem legumes.
  • Após o início da ingestão do preparado de limpeza intestinal: não poderá ingerir mais nenhum destes alimentos sólidos. Poderá apenas ingerir líquidos transparentes, como água, chá açucarado, sumos de fruta diluídos sem polpa e água de sopa. Se sentir fome, poderá ingerir, em quantidade moderada, gelatinas de cor clara (ananás, laranja, tuti-fruti);
  • Informar o médico acerca da medicação que está a fazer, particularmente se estiver a tomar anticoagulantes ou antiagregantes plaquetares;
  • Fazer hemograma e tempo de protrombina e ECG nos 6 meses anteriores à realização da colonoscopia (indivíduos com fatores de risco e co-morbilidades podem precisar de meios complementares de diagnóstico e de uma consulta de anestesiologia) 3.

Ilustração de remoção de pólipo

Procedimento da colonoscopia

  1. Um endoscópio flexível (colonoscópio) é introduzido através do ânus. Este aparelho é equipado com uma pequena câmara na extremidade, que transmite as imagens ampliadas para um monitor presente na sala onde o exame é realizado.
  2. No início do exame o doente é colocado em decúbito lateral esquerdo, com os joelhos dobrados sobre o abdómen, mas em caso de necessidade esta posição pode ser alterada a fim de facilitar a progressão do colonoscópio.
  3. Durante o exame o médico vai insuflando ar ou dióxido de carbono através do colonoscópio, o que permite a distensão do cólon, a progressão e a correta observação da mucosa. À medida que se insufla ar e que o colonoscópio vai progredindo o doente pode sentir algum desconforto abdominal, nomeadamente cólicas, embora em geral este exame seja bem tolerado.
  4. Além da visualização da mucosa do cólon, também podem ser executados procedimentos diagnósticos e terapêuticos durante este exame, nomeadamente a remoção de pólipos e a colheita de biópsias. O exame pode demorar de 20 minutos a 1 hora, dependendo da maior ou menor dificuldade na progressão ao longo do cólon e da necessidade de efetuar procedimentos adicionais (por exemplo, remoção de pólipos).
  5. Antes da colonoscopia, pode ser administrada (pelo médico anestesista) medicação sedativa/analgésica por via oral ou endovenosa ao paciente, de forma a tornar o procedimento menos desconfortável para o doente. No final do exame, a recuperação é habitualmente rápida (alguns minutos), mas pode implicar um recobro de cerca de 1 hora nos casos em que se aplicou sedação endovenosa. Nestas circunstâncias, o doente deverá estar acompanhado e não poderá conduzir ou trabalhar no dia do exame 1.

Pólipos

Os pólipos são resultado do crescimento anormal de uma massa no cólon, a qual é normalmente benigna. Eles variam em tamanho e aparência, pelo que, geralmente, o médico retira-o para análise e, também, porque esta é uma forma de prevenir o cancro colo-retal. Há diferentes maneiras de proceder a esta remoção, a qual não implica dor 4.

Complicações pós-colonoscopia

Após a realização do exame, há alguns efeitos secundários que se podem fazer sentir, mesmo já tendo passado alguns dias sobre o exame. Para evitar alguns deles, deve seguir todas as recomendações médicas, especialmente no que toca à dieta alimentar a pôr em prática após o exame 3.

Frequentes:

  • Dor/desconforto abdominal (até 5 dias após a realização da colonoscopia);
  • Reação vagal (bradicardia, náuseas, vómitos, lipotímia).

Raras:

  • Perfuração;
  • Dor e distensão abdominais persistentes;
  • Hemorragia (imediata e tardia);
  • Lesão transmural do cólon;
  • Febre (até 5 dias após a realização do exame);
  • Complicações cardiopulmonares.

Muito raras:

  • Rotura do baço, diverticulite, apendicite, isquémia intestinal;
  • Morte.

Contra-indicações da colonoscopia

Há indivíduos a quem não é recomendada a realização da colonoscopia. É o caso de quem reúne uma das seguintes condições) 3:

  • Perfuração intestinal;
  • Diverticulite aguda;
  • Megacólon tóxico;
  • Enfarte agudo do miocárdio < 6 meses;
  • Doença cardiorrespiratória aguda;
  • Embolia pulmonar;
  • Instabilidade hemodinâmica;
  • Gravidez (2º e 3º trimestres).

Conclusão

Em resumo, a colonoscopia não só é um exame de diagnóstico, como é também um procedimento que pode ajudar a resolver alguns problemas como pólipos ou outras lesões. O facto de poder ser feito sob sedação, reduz os anseios ou medos, relacionados com dor ou desconforto.

É o método de rastreio mais eficaz que permite prevenir o aparecimento ou progressão de doenças, como o cancro do colo-retal. Apesar de ser um procedimento invasivo, é na maior parte dos casos considerado de baixo risco, apesar de alguns efeitos secundários/ eventos adversos possíveis.

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+ Fontes

  1. Folheto Informativo proposto pela Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, 2019. Disponível em: https://www.sped.pt/images/Consentimentos/Colonoscopia-documento-informativo.pdf
  2. Rute Carvalho. Colonoscopia. Disponível em: http://metis.med.up.pt/index.php/Colonoscopia
  3. Maria Ana Rafael, Rita Carvalho. Colonoscopia diagnóstica e terapêutica no adulto. Disponível em: https://repositorio.hff.min-saude.pt/bitstream/10400.10/2309/1/Sess%C3%A3o%20HFF%202019_Colonoscopia.pdf
  4. American Society for Gastrointestinal Endoscopy. Understanding Colonoscopy. Disponível em: https://www.asge.org/home/for-patients/patient-information/understanding-colonoscopy
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Unilabs Autor Unilabs

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