O teste do cotonete para o Streptococcus β é fundamental para determinar a presença da bactéria e proteger o bebé recém-nascido.

O Streptococcus β ou Streptococcus do grupo B (SGB) é uma bactéria que habita o trato gastrointestinal e geniturinário. É encontrada na área vaginal ou retal em 10% a 35% de todas as mulheres adultas saudáveis.

Também denominado de Streptococcus agalactiae é, desde os anos 70, o agente que mais contribui para a infeção bacteriana perinatal nos países desenvolvidos, sendo também o agente mais frequentemente encontrado nas infeções neonatais precoces no nosso país 1.

Como ocorre a infeção pelo Streptococcus β?

A partir do reto, a bactéria coloniza a vagina e migra pelo colo do útero por via ascendente, desenvolvendo a infeção. Esta bactéria pode alterar o muco cervical e, numa grávida, pode provocar a rutura prematura de membranas e iniciar o parto. Pode, inclusivamente, provocar infeção do trato urinário, amnionite, endometrite e bacteriemia 1.

No recém-nascido, pode ser responsável por infeção sistémica ou focalizada, que em 75% dos casos é precoce (manifestando-se na primeira semana de vida, geralmente antes das 72 horas), mas que também pode ser tardia (entre a primeira e a quarta semanas de vida) ou muito tardia (entre o primeiro e o sexto mês de vida).

Após os 30 dias de vida, na criança, no homem adulto e na mulher não grávida, a infeção por SGB, embora rara, pode existir e está geralmente associada a estados de imunodeficiência 1.

Streptococcus b na gravidez

Quais os riscos para o bebé, se o exame da mãe for positivo para o Streptococcus β?

A colonização materna intraparto do Streptococcus β é o maior fator de risco para doença neonatal precoce. A transmissão vertical mãe-filho, principal responsável por esta forma de doença, ocorre fundamentalmente após o início do trabalho de parto ou da rutura de membranas, sendo o recém-nascido infetado in utero ou durante a passagem pelo canal de parto 3.

O espetro da infeção precoce vai desde a bacteremia assintomática ao choque séptico. Manifesta-se, por norma, nas primeiras 24 horas de vida como septicemia (25 a 40% dos casos), pneumonia (35 a 55% dos casos) ou meningite (5 a 10% dos casos).

A taxa de mortalidade varia entre 4 a 6% no recém-nascido de termo, sendo mais elevada nos prematuros: 10% entre as 34 e as 36 semanas de gestação e 30% abaixo das 33 semanas.

O choque séptico e a grande prematuridade são os fatores que mais influenciam a mobilidade a longo prazo, podendo surgir leucomalácia periventricular como sequela de choque séptico sem meningite. A cegueira cortical, espasticidade e atraso mental grave surgem como sequelas em 12 a 30% dos sobreviventes de meningite. Outras complicações incluem surdez, deficiências motoras e atrasos de desenvolvimento 1.

Consideram-se então fatores de risco para infeção neonatal precoce por Streptococcus β as seguintes situações 2:

  • Colonização materna por SGB detectada entre as 35 e 37 semanas de gestação;
  • Infeção do trato urinário por SGB, em qualquer altura da gestação;
  • Gravidez anterior com infeção neonatal precoce por SGB;
  • Prematuridade: IG;
  • Febre materna intraparto igual ou superior a 38º C;
  • Rutura prolongada de membranas (≥18horas).

Estima-se que até 65% dos casos de doença neonatal precoce surgem sem associação a nenhum fator de risco. Assim sendo, se as mães não realizarem o rastreio, não serão submetidas a antibioprofilaxia, acarretando os potenciais riscos que daí advêm.

streptococcus b placa de petri

Quando deve realizar o teste do cotonete para o Streptococcus β?

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde, o rastreio universal do Streptococcus β hemolítico do grupo B permite identificar as grávidas em risco de ter um recém-nascido com sépsis neonatal e deve ser realizado a todas as grávidas entre as 35 e 37 semanas, através da colheita de uma amostra única d0 1/3 externo da vagina e ano-retal.

Nas mulheres em que for identificada a colonização por Streptococcus β hemolítico do grupo B, deve ser realizada profilaxia intraparto 3.

Como é realizado o teste do cotonete?

Hoje, há testes rápidos de diagnóstico para o Streptococcus β. Os mais comuns consistem em técnicas mais rápidas para identificar SGB diretamente do caldo enriquecido ou depois de subcultura – incluindo testes de ADN e testes de amplificação de ácido nucleico (NAAT) como PCR 2.

O procedimento para a colheita da amostra pode ser feito no consultório médico ou no laboratório. Os passos são os seguintes:

  • Limpa-se com soro quantidades excessivas de secreções ou corrimento;
  • Retira-se duas cotonetes do tubo de transporte;
  • Insere-se cuidadosamente os cotonetes no canal vaginal. Colher secreções da mucosa do terço inferior da vagina, rodando as cotonetes três vezes para assegurar a uniformidade da amostra nas mesmas;
  • Insere-se as mesmas cotonetes aproximadamente 2,5 cm para além do esfíncter anal e roda-se suavemente para recolher amostras das criptas anais 2.

A Unilabs realiza o teste do cotonete com todos os critérios necessários. É de extrema importância que a colheita da amostra seja feita da forma correta, para minimizar o risco de resultados falso positivo ou falso negativo.

As grávidas devem ser informadas dos resultados e estes devem ser registados no boletim de saúde da grávida, assim como as intervenções recomendadas.

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Em caso de resultado positivo para o Streptococcus β, o que se deve fazer?

Com o resultado positivo em mãos, o médico tratará de fazer as recomendações e orientações para o parto.

De acordo com as guidelines de 2010, da autoria do Centers for Disease Control and Prevention, a profilaxia intraparto está indicada se houver 2:

  • Rastreio com cultura positiva durante a atual gravidez (exceto se se tratar de cesariana eletiva, na ausência de trabalho de parto ou ruptura de membranas);
  • Recém-nascido anterior com doença neonatal invasiva por SGB;
  • Bacteriúria (em qualquer concentração) por SGB durante a atual gravidez;
  • Estado de colonização desconhecido para SGB (culturas não efetuadas, incompletas ou resultados ainda desconhecidos) e presença de um ou mais fatores de risco: trabalho de parto antes das 37 semanas de gestação (algoritmo específico para trabalho de parto ou rutura de membranas.

A profilaxia antibiótica intraparto é tanto mais eficaz quanto mais próxima do início do trabalho de parto for a primeira administração de antibiótico:

  • Quando o nascimento se dá uma hora após o início de antibioterapia materna, a taxa de colonização do recém-nascido é de 46% (semelhante à da ausência de tratamento materno).
  • Se o intervalo for de duas a quatro horas, a taxa de colonização do recém-nascido desce para 2,9%;
  • Quando os antibióticos são iniciados para além das quatro horas antes do nascimento, apenas 1,2% dos recém-nascidos ficarão colonizados.

O antibiótico de eleição para a profilaxia intraparto é a penicilina. A via intravenosa é a única admitida para a administração dos fármacos, pois permite concentrações intra-amnióticas de antibiótico mais elevadas (válido para todos os antibióticos) 2.

+ Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Pediatria. Consenso Nacional de Neonatologia (2004). Disponível em: http://www.spp.pt/UserFiles/File/Consensos_Nacionais_Neonatologia_2004/Estreptococo_Hemolitico_GrupoB.pdf
  2. MOREIRA, Marisa et all, (2013). “Prevenção da doença neonatal precoce por Streptococcus do grupo B no século XXI: do passado ao futuro”. Federação das Sociedades Portuguesas de Ginecologia. Disponível em: http://www.fspog.com/fotos/editor2/07-aogp-d-12-00018.pdf
  3. Direção Geral da Saúde, Programa Nacional de Saúde Reprodutiva. Disponível em: https://www.saudereprodutiva.dgs.pt/normas-e-orientacoes/gravidez/norma-n-0372011-de-30092011-pdf.aspx
  4.  “Prevention of Perinatal Group B Streptococcal Disease” (2010). Centers for Disease Control and Prevention. Disponível em: https://www.cdc.gov/mmwr/pdf/rr/rr5910.pdf
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