A mamografia é o método imagiológico mais importante na deteção e no diagnóstico precoce do cancro da mama. Saiba como funciona.

A mamografia é uma técnica radiológica específica que utiliza raios-x para gerar imagens da mama. É considerada internacionalmente como o método imagiológico mais importante na deteção e no diagnóstico precoce do cancro da mama.

O cancro da mama é um problema significativo de saúde pública, com alta incidência e alta mortalidade. É a neoplasia mais frequente do sexo feminino, afeta 1 em cada 9 mulheres e constitui a causa mais frequente de mortalidade na faixa etária entre os 35 aos 55 anos de idade na União Europeia.

Porque é que a mamografia é um exame tão importante?

Atendendo ao facto de ainda não existirem medidas efetivas capazes de prevenir ou curar a doença em qualquer estádio de diagnóstico e que mais de 90% das doentes com cancro da mama podem ser curadas se diagnosticadas num estádio precoce e adequadamente tratadas, não devem ser poupados esforços no diagnóstico precoce da doença1 .

Assim, os objetivos principais da mamografia são:

  • permitir o tratamento precoce do cancro da mama;
  • melhorar as taxas de sobrevivência;
  • reduzir a necessidade de tratamentos agressivos, como a mastectomia.

Pode ser realizada em ambiente de rastreio ou de diagnóstico1 .

Quando se deve fazer uma mamografia de rastreio?

A mamografia de rastreio é realizada em mulheres assintomáticas. O rastreio é realizado de uma forma periódica e tem como objetivo encontrar pequenos tumores antes de serem detetáveis através do exame clínico mamário.

A mamografia é realizada desde os 40-50 anos até aos 70-75, dependendo do programa nacional/regional de rastreio.

As recomendações europeias sugerem um intervalo de 2 anos entre exames para a população feminina geral entre os 50 e os 70 anos de idade, existindo alguma variabilidade relativamente ao escalão dos 40-50 anos e depois dos 70 anos.

O rastreio pode ser orientado individualmente pelo médico assistente, ou integrado nos programas de rastreio nacionais.

Quando se deve fazer uma mamografia diagnóstica?

A mamografia diagnóstica deve ser realizada em mulheres com sintomas, nomeadamente que apresentem:

  • tumefação palpável;
  • certas escorrências mamilares;
  • espessamento cutâneo e/ou retração mamilar.

Mulher a fazer exame mamário

Qual o procedimento da mamografia? Passo a passo

O exame é precedido por um questionário e uma inspeção que visa identificar tumefações ou outras queixas, cicatrizes ou sinais cutâneos, etc.

Para realizar o exame, a mulher deve despir a parte superior do corpo. Todos os objetos estranhos (como soutiens, colares, piercings, etc.) devem ser removidos antes do exame.

A mulher ficará na posição de pé em frente ao aparelho específico para o exame. A mamografia é então realizada por um técnico de radiologia. Para cada incidência, o técnico coloca a mama numa placa de compressão que faz a compressão da mama por 5 a 10 segundos de forma a obter imagens de alta qualidade com o mínimo de dose de radiação.

É prática padronizada obter duas incidências por mama e incidências adicionais em casos especiais.

As mulheres podem sentir alguma dor e desconforto durante a compressão mamária. É importante a imobilidade durante este curto período de tempo para evitar artefactos.

Imediatamente após a aquisição da imagem, a mama será libertada da compressão.

Quão dolorosa é a compressão da mama?

A mamografia é bem tolerada pela maioria das mulheres. Em particular, ela é indolor em 40-50% das mulheres, ligeiramente dolorosa em 40%, dolorosa em 12% e muito dolorosa em apenas 4%.

A dor desaparece imediatamente após o procedimento em 76% das mulheres, durando vários minutos em 13%, várias horas em 7% e mais de um dia em 4%. Contudo, as vantagens da compressão são claras e a dor pode por vezes ser evitada através dum agendamento na fase do ciclo mais apropriada1 .

Qual a duração do exame?

O procedimento padrão bilateral completo, incluindo a preparação, dura aproximadamente 5 a 10 minutos.

Dicas para reduzir o desconforto durante o exame

Para reduzir a dor ou desconforto relacionados com a compressão mamária e obter as melhores mamografias:

  1. Tente descontrair-se durante o procedimento; em particular os músculos peitorais devem estar relaxados.
  2. Siga exatamente as instruções do técnico de radiologia e tenha em mente que maior compressão significa menor dose de radiação-x, maior qualidade de imagem e um diagnóstico mais fácil.
  3. Se previamente experienciou uma mamografia dolorosa na fase pré-menstrual, tente agendar a próxima entre os 7º e 12º dias do ciclo1 de forma a reduzir o desconforto.

E o resultado do exame?

O resultado do exame virá descrito no respetivo relatório, com referência aos achados e sua valorização bem como as recomendações subsequentes. São habitualmente utilizados sistemas padronizados de classificação, nomeadamente a classificação ACR para a densidade mamária e a classificação BIRADS para o risco de cancro da mama.

Médica a mostrar resultados dos exames a paciente

Podem as mulheres com implantes ou reconstrução mamária realizar mamografia?

Sim, na maioria dos casos podem. Incidências especiais com deslocamento posterior do implante são frequentemente necessárias.

As reconstruções mamárias após remoção completa do tecido mamário constituem exceções, nas quais a mamografia não é realizada. Informe sempre o radiologista e/ou técnico se tiver implantes mamários1, 2 .

A radiação resultante da radiografia é perigosa?

A radiação x associada à mamografia é baixa. O risco de cancro da mama induzido pela radiação é infinitamente menor do que a redução de mortalidade por cancro da mama relacionada com a mamografia1 .

Nas grávidas deverá contudo realizar-se em alternativa a ecografia mamária.

Conselhos úteis

  1. O autoexame da mama é o primeiro passo na prevenção do cancro. Todas a mulheres podem e devem fazê-lo, sendo a melhor época, sete dias após o início da menstruação. Após a menopausa, deve escolher-se um dia fixo por mês para a sua realização. O autoexame da mama pode ser feito em frente ao espelho, em pé ou deitada. Caso detete algum nódulo, mudança na textura ou tamanho da mama, deve procurar o seu médico.
  2. Se tem sintomas e vai realizar uma mamografia de rastreio informe o técnico de radiologia relativamente às suas queixas.
  3. Se tiver realizado recentemente uma mamografia de rastreio que não revelou alterações suspeitas mas apresenta queixas persistentes ou de novo, deve procurar o seu médico assistente ou radiologista da mama.
  4. Sempre que for realizar um exame mamário deve fazer-se acompanhar pelos exames prévios de forma a permitir a análise comparativa.
  5. A mamografia não é um método de diagnóstico infalível e uma percentagem relevante de cancros da mama podem não ser visíveis na mamografia, sobretudo nas situações de elevada densidade mamária. Em todo o caso, a mamografia continua a ser o melhor método de imagem para rastreio do cancro da mama.

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+ Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Radiologia e Medicina Nuclear. Atualização das Recomendações e Informação à Mulher. 2017. Disponível em: https://www.sprmn.pt/pdf/EUSOBI_Mammography_1_Traduc_a_o.pdf .
  2. Direção Geral de Saúde. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0512011-de-27122011-jpg.aspx
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