A citologia é o exame que avalia as características das células presentes numa determinada amostra. Saiba quando é pedido este exame.

A análise das células que constituem nódulos, líquidos e secreções corporais é feita através de citologia. Após recolhida uma amostra, o seu conteúdo é analisado ao microscópio. Este exame é utilizado em diversos contextos clínicos, que lhe explicamos em seguida.

Existem diferentes tipos de citologia, com diferentes propósitos. Fique a conhecer os seguintes tipos de citologia:

  1. Citologia Aspirativa por Agulha Fina (CAAF): são aspiradas células de lesões superficiais (palpáveis) ou profundas, através de uma agulha fina;
  2. Citologia Esfoliativa;
  3. Citologia cervico-vaginal: trata-se de um raspado de células do colo uterino e é o exame realizado no rastreio do cancro do colo do útero;
  4. Citologia de secreções, de lavados e escovados das vias respiratórias: serve para examinar as células existentes nas vias respiratórias ou nas secreções;
  5. Citologia de líquidos: é uma análise de células de fluídos corporais (urina, líquido ascítico ou pleural).

Citologia Aspirativa por Agulha Fina (CAAF)

A Citologia Aspirativa por Agulha Fina (CAAF) está indicada para o estudo de nódulos em órgãos ou tecidos, superficiais ou profundos (estes com apoio imagiológico), e tem como objetivo caracterizar o tipo de lesão e orientar a decisão terapêutica. É muito utilizada em nódulos da tiroide.

Como se realiza a CAAF?

Tal como o nome indica, a colheita das células é efetuada por aspiração, utilizando uma agulha de calibre fino que está acoplada a uma seringa.

Em alguns casos, a punção é guiada por ultrassonografia. A Citologia Aspirativa por Agulha Fina efetua-se com o doente deitado e não necessita de anestesia.

Quanto tempo demora a realização da CAAF?

A realização da Citologia Aspirativa por Agulha Fina demora apenas alguns minutos. Geralmente, a colheita de material é suficiente através de uma única punção, sendo que podem ser necessárias duas ou mais punções. Em seguida, o material é enviado para o laboratório de anatomia patológica para ser avaliado.

Este exame é doloroso?

Trata-se de um exame simples, em que o paciente sente apenas um desconforto ligeiro semelhante ao de uma injeção. Não é necessário qualquer preparação e recomenda-se que o paciente não esteja em jejum.

Os resultados deste exame, devem sempre ser enquadrados na avaliação clínica e interpretados em conjunto com os resultados de outros exames complementares prescritos pelo médico.

Técnica laboratorial a processar análise feita por citologia

Citologia cervico-vaginal (Teste de Papanicolau)

A citologia cervico-vaginal, também conhecida por Teste de Papanicolau, é o exame de rastreio do cancro do colo do útero mais divulgado. O teste foi criado em 1940 pelo médico grego Geórgios Papanicolau (daí a nomenclatura do exame).

Como se realiza a citologia cervico-vaginal?

A citologia cervico-vaginal, consiste na recolha de células da superfície externa do colo do útero (a parte inferior e mais estreita do útero, que faz a união com a vagina), para análise laboratorial. É realizado por um ginecologista ou médico de clínica geral.  O exame pélvico é feito em posição ginecológica, procedendo-se à “raspagem” dos tecidos.

Este exame é doloroso?

É rápido e indolor, embora possa causar algum incómodo, principalmente se existir tensão. Por isso, é indicado que a paciente esteja o mais descontraída possível.

Como pode ser feita a recolha das células?

A citologia cervico-vaginal pode ser:

  • Convencional: as células são recolhidas com uma espátula ou escovilhão específicos para realização de um esfregaço em lâmina de vidro, fixado com um spray adequado;
  • Meio líquido (Thinprep): atualmente é o método de eleição. A recolha é feita da mesma forma que o método convencional. No entanto, as células são guardadas num frasco para que, após tratamento laboratorial, possam ser observadas em lâmina no microscópio pelo citopatologista. Este método permite obter mais material para estudo e a realização de outros testes (nomeadamente moleculares) na mesma amostra.

Cuidados a ter

Este exame não exige qualquer tipo de preparação específica. No entanto, alguns cuidados devem ser tidos antes da sua realização:

  • Ao agendar a sua consulta, deverá fazê-lo fora do período menstrual;
  • Dois dias antes do exame, não deverá ter relações sexuais (a presença destas células dificulta a preparação e leitura das lâminas);
  • Dois dias antes, não deverá utilizar espumas, cremes, espermicidas ou qualquer medicação de aplicação vaginal.

Para que serve e quando se deve realizar o Papanicolau?

Na origem do cancro do colo do útero está o Papiloma Vírus Humano (HPV), um vírus sexualmente transmissível (também por contacto direto da pele das zonas genitais, mesmo quando não existe penetração).

As células do colo do útero infetadas pelo HPV podem sofrer alterações ligeiras que desaparecem espontaneamente sem tratamento. No entanto, quando em causa estão as estirpes de alto risco do HPV, estas podem originar lesões pré-malignas que se não forem detetadas atempadamente e removidas, evoluem para lesões malignas e cancro 1 .

Além da vacinação contra o HPV, que tem limitações etárias e apenas protege as mulheres contra as duas estirpes mais agressivas do vírus, o rastreio através da citologia cervico-vaginal é a forma mais eficaz de prevenir esta doença.

O programa Nacional para as Doenças Oncológicas 2 , organiza o rastreio do cancro do colo do útero da seguinte forma:

  • Exame: citologia cervico-vaginal em meio líquido (Thinprep) dos 25 aos 30 anos e com acréscimo do teste molecular ao HPV, dos 30 aos 65 anos. Se necessária, a aferição dos resultados deste rastreio é feita em unidades de patologia cervical localizadas nos hospitais centrais de cada região (se tiver HPV 16 ou 18 ou se tiver lesão).
  • População alvo: mulheres entre os 25 e os 65 anos de idade.
  • Periodicidade: 5 em 5 anos.

Mulher a preparar-se para fazer teste de Papanicolau

Citologia de secreções, de lavados e escovados das vias respiratórias

As secreções, os lavados e escovados das vias respiratórias, podem ser recolhidas geralmente por aspiração para que sejam analisadas em laboratório.

Este tipo de exame costuma ser solicitado para identificar a presença de células cancerígenas (tumorais) e microorganismo causadores de infeções como: fungos, bacilo da tuberculose, entre outros.

Citologia de líquidos

Outros fluidos corporais podem ser analisados por citologia, nomeadamente: urina (para pesquisa de infeções, inflamações ou tumores das vias urinárias), líquido ascítico (para esclarecer a causa de acúmulo deste líquido na cavidade abdominal), líquido pleural e líquido das articulações.

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+ Fontes

  1. Smith, ER. (2018). New Biological Research and Understanding of Papanicolaou’s Test. Diagn Cytopathol. 46(6): 507–15. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5949091/
  2. Direção-Geral da Saúde (2014). Programa Nacional para as doenças oncológicas: Avaliação e Monitorização dos Rastreios Oncológicos Organizados de Base Populacional de Portugal Continental. Disponível em: https://www.dgs.pt/estatisticas-de-saude/estatisticas-de-saude/publicacoes/avaliacao-e-monitorizacao-dos-rastreios-oncologicos-organizados-de-base-populacional-de-portugal-continental-pdf.aspx
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