A Anatomia Patológica é uma especialidade médica extremamente importante, com papel decisivo no diagnóstico de muitas doenças. É uma área transversal a toda a medicina com enorme responsabilidade e importância para a correta orientação terapêutica dos doentes, assumindo especial importância na oncologia.

Fique a conhecer o que pode ser analisado e os tipos de exames que podem ser realizados dentro desta especialidade médica.

O que é a Anatomia Patológica?

Esta especialidade médica analisa a morfologia (ou estrutura) dos órgãos, tecidos, células e fluidos corporais com o objetivo de diagnosticar lesões, através da observação por microscópico e macroscópico.

Quando necessário, este estudo é complementado com técnicas auxiliares ao diagnóstico, nomeadamente técnicas de Histoquímica, Imunohistoquímica e Biologia Molecular, de forma a produzir um diagnóstico correto e completo.

Para que seja elaborado um diagnóstico anatomopatológico correto e sustentado é fundamental a correlação com a informação clínica, dados laboratoriais e exames imagiológicos do doente.

O que pode ser analisado na Anatomia Patológica?

Nesta especialidade é possível analisar:

  • Órgãos completos ou parte de órgãos (por exemplo, o fígado ou parte dele);
  • Biópsias incisionais ou excisionais, isto é, pequenos fragmentos de tecido de um órgão colhidos por meios cirúrgicos, endoscópicos ou por agulha, com ou sem apoio imagiológico;
  • Fluídos corporais e secreções;
  • Células de uma lesão obtidas através de citologia aspirativa por agulha fina ou por raspado da lesão;
  • Corpo humano na sua totalidade, no caso de autópsia.

análise em laboratório

4 Tipos de exames que inclui a Anatomia Patológica

Os exames efetuados na anatomia patológica que incluem, por exemplo, biópsias, raspagens, aspirações e análises de fluidos e secreções. Fique a conhecer cada um dos exames que fazem parte desta especialidade médica e que podem ser prescritos pelo médico mediante diferentes necessidades de diagnóstico.

1. Histopatologia (biópsias, peças cirúrgicas e exames per-operatórios)

A Histopatologia é o estudo anatomopatológico de alterações morfológicas nos tecidos de peças operatórias (por exemplo, um órgão) ou biópsias. O principal objetivo deste exame é o diagnóstico de lesões nos tecidos para orientar o tratamento e prognóstico do doente.

Os exames per-operatórios (exames extemporâneos) são exames realizados durante o ato cirúrgico e têm como objetivo orientar a equipa cirúrgica quanto ao procedimento subsequente da intervenção.

Estes exames são solicitados quando existem dúvidas acerca da natureza de uma determinada lesão (se benigna ou maligna) ou para avaliação das margens cirúrgicas da lesão (ou seja, para garantir que a lesão foi totalmente retirada).

2. Citopatologia e Biologia Molecular

Através da análise citopatológica é possível estudar as alterações de células isoladas e/ou em pequenos grupos. As amostras biológicas podem ser obtidas por raspagem, descamação natural ou aspiração. Os exames citopatológicos realizados em Anatomia Patológica são:

Citologia Cérvico-Vaginal

Vulgarmente conhecida por teste de Papanicolaou, a Citologia Cérvico-Vaginal, é o exame de rastreio mais antigo de cancro do colo do útero. É o teste de rastreio mais antigo da história da medicina e ainda hoje continua a ser utilizado no seu formato original – citologia convencional.

Este exame consiste na obtenção de células do colo do útero (exo e endocolo) para análise laboratorial. Desde 2000 foi introduzida a citologia líquida que melhora significativamente a qualidade da amostra a observar e permite a utilização, a partir da mesma colheita, de diversas técnicas de Biologia Molecular.

Dependendo da técnica utilizada, a Citologia Cérvico-Vaginal pode ser:

  • Convencional: as células são recolhidas com uma escova e é realizado um esfregaço em lâmina de vidro, fixado com um spray adequado.
  • Meio líquido (Thinprep®): a colheita é feita da mesma forma, no entanto, a partir da amostra obtida é criada uma suspensão celular que posteriormente é processada no laboratório em equipamento específico. Este método permite obter uma amostra em condições ideais, e evita muitos dos inconvenientes da citologia convencional.
  • Teste de HPV: é um teste de Biologia Molecular também com o propósito de rastreio de cancro do colo do útero. O teste de HPV utilizado para rastreio pesquisa 14 tipos de HPV e faz uma genotipagem parcial, separando os HPV 16 e 18, e os restantes 12 tipos de alto risco. Pode ser utilizado como teste de primeira linha, em simultâneo com a citologia (co-teste), ou como teste reflexo.
  • Teste de genotipagem: este teste de Biologia Molecular deteta 28 tipos de HPV de alto (19 tipos) e baixo risco (9 tipos).
  • Teste de hipermetilação: a infeção persistente por HPV acumula alterações epigenéticas ao longo do tempo que serão responsáveis pelo silenciamento de genes específicos, cuja consequência será a desregulação da célula e a consequente evolução para cancro. Contudo, e como este fenómeno é relativamente raro, dentro do quadro de uma infeção bastante comum é necessário distinguir de entre as infeções, quais de facto estão a evoluir para cancro. Assim, este teste estuda simultaneamente 6 genes cujo estado de metilação foi associado ao cancro do colo do útero.
  • Painel de microorganismos: a partir da mesma amostra de ThinPrep® é possível fazer a identificação de alguns microorganismos entre os quais: Chlamydia trachomatis; Mycoplasma genitalium; Mycoplasma hominis; Neisseria gonorrhoeae; Trichomonas vaginalis; Ureaplasma parvum e Ureaplasma urealyticum.

A Citologia Cérvico-Vaginal não exige qualquer tipo de preparação específica. No entanto, alguns cuidados devem ser tidos antes da sua realização:

  • Ao agendar a sua consulta, deverá fazê-lo fora do período menstrual;
  • Dois dias antes do exame, não deverá ter relações sexuais (a presença destas células dificulta a preparação e leitura da citologia);
  • Dois dias antes, não deverá utilizar espumas, cremes, espermicidas ou qualquer medicação de aplicação vaginal.

exame laboratorial anatomia patológica

Citologia Aspirativa por Agulha Fina

Quando é detetada uma tumefação, por palpação ou por ecografia, em órgãos superficiais ou profundos, o médico precisa de saber qual a natureza da lesão para tomar as decisões adequadas.

A biópsia aspirativa é um procedimento simples, realizada através de uma agulha fina com ou sem aspiração, que permite obter algumas células para serem analisadas ao microscópio e caracterizar a lesão. É uma técnica pouco invasiva, com cerca de 95% de assertividade, dependendo da qualidade da amostra obtida.

Este exame demora apenas alguns minutos e de acordo com as características e localização da lesão que se pretende estudar pode ser guiada por palpação, ecografia, TAC ou ainda ser associada a técnicas de endoscopia.

Em seguida, o material é enviado para o laboratório de Anatomia Patológica para ser analisado e avaliado. Os resultados deste exame devem sempre ser enquadrados na avaliação clínica e interpretados em conjunto com os resultados de outros exames complementares.

Por ser um exame simples, em que o paciente sente apenas um desconforto ligeiro semelhante ao de uma injecção, não é necessário qualquer preparação. Recomenda-se apenas que o paciente não esteja em jejum.

3. Fluidos corporais e secreções

O exame citopatológico de fluidos corporais e secreções tem como principal objetivo identificar processos infecciosos, inflamatórios, hemorrágicos e neoplásicos. 

Na citologia de secreções respiratórias, as secreções vão desde a análise da expectoração, até ao material colhido dos brônquios durante uma broncoscopia. O principal objetivo é sempre a identificação de lesões neoplásicas.

No caso da citologia de fluidos corporais, outros fluidos corporais podem ser analisados nomeadamente: urina (quer de micção, quer de lavado vesical), líquido ascítico (para esclarecer a causa de acúmulo deste líquido na cavidade abdominal), líquido pleural (acumulação anormal de líquido na membrana fina que envolve o pulmão) e líquido das articulações.

4. Necropsia (autópsia)

A necropsia (necros= morte + scopion= observar), ou simplesmente autópsia, é um procedimento médico cujo objetivo é analisar as alterações do organismo após a morte.

As autópsias podem ser médico legais (realizadas em Centros de Medicina Legal) ou clínicas. A Anatomia Patológica apenas executa autópsias clínicas, que têm como objetivo esclarecer a causa da morte em doentes cujo quadro clínico que tinham não previa esse desfecho.

Qual é o papel da Anatomia Patológica na Oncologia?

Quando se está na presença de uma doença oncológica, a Anatomia Patológica é essencial uma vez que é o diagnóstico anatomopatológico que vai permitir a escolha adequada e específica do tratamento.

Esta especialidade médica também é crucial no seguimento de doentes, orientação terapêutica e monitorização da resposta aos tratamentos realizados.

Após a colheita de material biológico, processamento laboratorial e observação microscópica pelo médico Anatomopatologista, é efetuado o diagnóstico da lesão benigna ou maligna.

Caso se trate de uma lesão maligna, a Anatomia Patológica consegue efetuar o estadiamento da doença e prever qual a sua agressividade e que tipo de resposta irá ter aos tratamentos.

Atualmente, é possível através de técnicas de Biologia Molecular e Genética estudar o código genético de tumores malignos. Torna-se assim possível identificar mutações ou alterações genéticas específicas que potenciam o crescimento do tumor ou condicionam a sua resposta aos tratamentos.

A Anatomia Patológica na Unilabs

A Anatomia Patológica é uma especialidade fundamental e transversal a toda a medicina. Através do conhecimento da morfologia humana é possível identificar lesões, qual o seu grau e, assim obter um diagnóstico preciso em conjunto com outros exames complementares.

Em oncologia, esta especialidade assume extrema importância, uma vez que permite prever a resposta terapêutica que cada doente irá ter. Assim, é possível personalizar o tratamento oncológico de forma a este ser mais benéfico, eficaz e com menores custos.

Na Unilabs estamos na vanguarda da Anatomia Patológica e da Biologia Molecular, acompanhando os avanços tecnológicos e científicos para realizar os exames e análises mais exigentes. Estamos também mais próximos de si, realizando colheitas de citologia ginecológica em muitas das nossas Unidades de atendimento de norte a sul do país.

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+ Fontes

  1. Ordem dos Médicos (2020). Manual de Boas Práticas em Anatomia Patológica. Acedido a 8 de Novembro. Disponível em: https://ordemdosmedicos.pt/manual-de-boas-praticas-de-anatomia-patologica-2/
  2. Ordem dos Médicos (2020). Breve história da Anatomia Patológica. Disponível em: https://ordemdosmedicos.pt/wp-content/uploads/2018/10/Breve-histo%CC%81ria-da-Anatomia-Patolo%CC%81gica-v3.pdf
  3. Smith, ER. (2018). New Biological Research and Understanding of Papanicolaou’s Test. Diagn Cytopathol. 46(6): 507–15. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5949091/
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