A vacina para a COVID-19 é a via mais segura e eficaz para que seja possível alcançar a desejada imunidade de grupo no mais curto espaço de tempo possível.

Perante a situação alarmante que se vive em todo o mundo, com mais de 116 milhões de casos de infeção por SARS-CoV-2 e ultrapassando a barreira de mais de 2,5 milhões de mortes por COVID-19, tornou-se necessário acelerar todo o processo de elaboração e autorização da vacina para a COVID-19.

Após um alívio das restrições durante a época natalícia, Portugal enfrentou uma nova vaga de casos de infeção e uma  sobrecarga no número de internamentos, razão pela qual foi imposto um novo confinamento. Recorde-se que, desde o início da pandemia, o país contabiliza mais de 800 mil casos e 16 mil óbitos. Além de medidas adicionais de contenção, o plano de vacinação terá de ser cumprido sem obstáculos, a fim de abranger toda a população no prazo de tempo estipulado, sendo que os efeitos de vacinação em massa não serão imediatamente visíveis.

Neste artigo respondemos às principais questões e dúvidas sobre o processo de vacinação em Portugal que irá decorrer ao longo do ano 2021.

Vacina COVID-19: esclareça as suas dúvidas

1. Qual é o mecanismo de ação da vacina contra COVID-19?

A vacina da COVID-19, nomeadamente a desenvolvida pela Pfizer/BioNtech, utilizam uma metodologia através de um tipo específico de ácido nucleico, sendo neste caso RNA mensageiro do SARS-CoV-2 (ou mRNA).

Após a inoculação no organismo humano o mRNA viral vai auxiliar na síntese da proteína Spike viral (que se encontra na superfície do vírus), o que leva a uma resposta imune específica contra esta proteína e posterior proteção em infeção por SARS-CoV-2.

2. A vacina é segura?

Sim. No desenvolvimento e aprovação das vacinas contra a COVID-19, tal como para qualquer outro medicamento, estão a ser garantidas a sua eficácia, segurança e qualidade, através de ensaios clínicos e de uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Importa ainda realçar que o tempo mínimo durante o qual os vacinados foram acompanhados após a toma da segunda dose, foi de oito semanas. Este período ultrapassa as 6 semanas, período durante o qual surgem habitualmente os efeitos adversos mais comuns após a toma de vacinas.

Nestas vacinas, não foram observados efeitos adversos significativos numa frequência ou gravidade que coloque em causa a sua segurança.

3. Como foi desenvolvida num curto espaço de tempo?

Em circunstâncias normais, o desenvolvimento de uma vacina face a um agente infecioso demora cerca de 10 a 15 anos.

No entanto, devido à situação pandémica que se estendeu à escala mundial, este processo foi acelerado, através de uma partilha compulsiva de informação entre laboratórios de investigação, assim como a disponibilidade de fundos financeiros globais dirigidos para a elaboração de uma vacina.

Homem a ser vacinado contra a COVID-19

4. Quem teve reações alérgicas a vacinas o que deve fazer?

De acordo com a informação disponível (ainda limitada), as reações alérgicas à vacina Pfizer-BioNTech são eventos raros.

No entanto, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica alerta para que não seja administrada em doentes com antecedentes de reações alérgicas graves a vacinas.

A vacinação deve ser efetuada por profissionais habilitados e respeitando o período de vigilância após esta ser administrada.

5. Quando se inicia o processo de vacinação?

Em Portugal, o processo de vacinação tem início a 27 de dezembro de 2020 (distribuído por fases) e vai estender-se até ao final de 2021.

6. Qual vai ser o plano de vacinação para os cidadãos portugueses?

Atendendo ao acesso limitado e faseado às vacinas contra a COVID-19 (pelo menos numa primeira etapa), é necessário definir grupos prioritários para a vacinação.

Este plano contempla três etapas, sendo essas:

Fase 1 (a partir de dezembro de 2020):

  • Profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados a doentes;
  • Profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços essenciais;
  • Profissionais e residentes em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e instituições similares;
  • Profissionais e utentes da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI);
  • Pessoas de idade ≥50 anos, com pelo menos uma das seguintes patologias (a partir de fevereiro de 2021):
    – insuficiência cardíaca;
    – doença coronária;
    – insuficiência renal (Taxa de Filtração Glomerular < 60ml/min);
    – Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração.

Fase 2 (a partir de abril de 2021):

  • Pessoas de idade ≥65 anos (que não tenham sido vacinadas previamente);
  • Pessoas entre os 50 e os 64 anos de idade, com pelo menos uma das seguintes doenças:
    diabetes;
    – neoplasia maligna ativa;
    – doença renal crónica (Taxa de Filtração Glomerular > 60ml/min);
    – insuficiência hepática;
    hipertensão arterial;
    obesidade;
    – outras doenças com menor prevalência que poderão ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico.

Fase 3 (em data a determinar após a conclusão da segunda fase):

  • Toda a restante população elegível, que poderá ser igualmente priorizada.

7. Quantas vacinas existem?

Portugal adquiriu cerca de 22 milhões de doses, no âmbito dos acordos entre seis empresas farmacêuticas e a União Europeia. As seis empresas são Astrazeneca, BioNTech/Pfizer, Moderna, Curevac, Janssen e Sanofi/GSK.

Atualmente existem mais de 200 vacinas a serem desenvolvidas, 50 das quais encontram-se na fase de testes em humanos (ensaios clínicos).

Conjunto de frascos de vidro com vacina COVID-19

8. Funcionam todas da mesma forma?

As principais diferenças entre as vacinas são a forma como induzem o corpo a adquirir imunidade (produzir anticorpos).

Atualmente, as vacinas mais adiantadas no processo de autorização utilizam o nucleósido modificado (vacinas de mRNA), e outras, em desenvolvimento, utilizam os métodos tradicionais, sendo inoculados componentes do vírus e o sistema imunológico reconhece como entidades estranhas, desenvolvendo defesas contra elas.

9. O que fazer quanto aos efeitos secundários?

Tal como qualquer outro medicamento, também a vacina contra a COVID-19 pode ter efeitos secundários.

As reações adversas reportadas por alguns participantes nos ensaios clínicos das vacinas têm sido ligeiras e passageiras e incluem, entre outros:

  • Dor no local de injeção;
  • Fadiga;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Calafrio;
  • Dores articulares;
  • Febre.

Outros efeitos como rubor, no local da injeção, e náuseas são menos frequentes. Geralmente estes efeitos desaparecem ao fim de 24 a 48 horas, embora possa surgir um estado febril por 2-3 dias.

Os sintomas após a vacinação duram, normalmente, menos do que uma semana, caso seja verificado o seu prolongamento contacte o seu médico assistente ou o SNS24.

10. Posso decidir não tomar?

Sim. A vacina contra a COVID-19 é voluntária e facultativa, ou seja, apenas toma a vacina quem o desejar.

Contudo, as autoridades de saúde recomendam fortemente a vacinação contra a COVID-19 como meio para controlar a pandemia.

11. Como funciona o processo de inscrição e onde posso tomar a vacina?

Deverá esperar pelo contacto do Serviço Nacional de Saúde.

Toda a logística da campanha de vacinação (desde o armazenamento central até à administração em todos os pontos de vacinação) está desenhada, por forma a que se possa começar a vacinar, utilizando a rede do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A vacinação contra a COVID-19 ocorrerá em pontos de vacinação definidos e adaptados de acordo com a fase de vacinação.

Nos lares e estruturas similares, os trabalhadores e residentes irão ser vacinados no local por profissionais do Serviço Nacional de Saúde que irão deslocar-se às instituições para o efeito e, eventualmente, com apoio de recursos do local.

Os profissionais de saúde e outros profissionais prioritários serão vacinados no âmbito dos Serviços de Saúde Ocupacional das instituições onde trabalham.

12. A vacina é comparticipada?

A vacina será gratuita para a pessoa vacinada.

13. A vacina é eficaz contra as novas mutações?

De acordo com os especialistas as vacinas até agora desenvolvidas induzem a uma resposta imunológica policlonal, produzindo vários anticorpos contra as diferentes partes virais (antigénios).

É expectável que com a alteração, por mutação, de alguns locais de ligação anticorpo-antigénio, o sistema imunitário seja capaz de induzir uma resposta de proteção. No entanto, esta informação carece de mais evidências científicas.

14. Posso ser infetado pela vacina?

Não. Não pode ser infetado através da vacina, pois as vacinas não contêm vírus que causam a doença.

No entanto, é possível ter contraído COVID-19 nos dias antes ou imediatamente após a vacinação e surgirem os sinais da doença poucos dias depois da vacinação.
Se tiver algum dos sintomas mais frequentes da doença, fique em casa e contacte o SNS 24.

15. Quantas doses é preciso tomar?

Atualmente a vacinação contra a COVID-19 inclui duas doses por pessoa, apesar de existirem vacinas em desenvolvimento cujo esquema vacinal pode consistir em apenas uma dose.

Técnicos laboratoriais a analisar o novo coronavírus

16. Posso tomar diferentes vacinas entre doses?

Atualmente, quem fez a primeira toma da vacina desenvolvida pela Pfizer deve fazer a segunda toma da mesma.

17. Depois de tomar a vacina posso viajar?

A toma da vacina não permite alterações nos cuidados de higiene e segurança, bem como o distanciamento físico, ou seja, pode viajar de acordo com as condições impostas.

18. Depois de tomar a vacina posso deixar de usar máscara?

Não. Mesmo após ser vacinado deve manter os mesmos cuidados de higiene e segurança pelo que o uso de máscara deve manter-se conforme das indicações da Direção Geral de Saúde.

19. Depois de tomar a vacina tenho de ter cuidados específicos?

Mesmo após ser vacinada, a pessoa deve continuar a observar todas as medidas estabelecidas para a sua proteção e contenção da transmissão, incluindo o uso de máscara.

20. Já tive COVID-19, posso tomar a vacina?

A grande maioria das pessoas que já tiveram COVID-19 adquiriram proteção contra a doença.

Atualmente, de acordo com a informação existente, essa imunidade pode durar pelo menos três ou quatro meses, mas só com o tempo se saberá por quanto tempo mais se prolonga.

A maioria dos especialistas considera ser seguro que quem já teve a doença possa tomar a vacina, no entanto, se o número de vacinas for muito limitado, as pessoas que tiveram COVID-19 não serão priorizadas.

21. Se estiver infetado sem o saber (assintomático), será perigoso tomar a vacina?

Não existem evidências científicas que sugiram que a vacinação representa um risco para uma pessoa com infeção assintomática por SARS-CoV-2.

22. Posso ter COVID-19 mesmo após ser vacinado?

Após a vacinação só se deve considerar protegido da doença sete dias após a toma da segunda dose da vacina, sendo o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário.

23. Posso estar em contacto com pessoas infetadas por COVID-19?

Ainda se desconhece se estar vacinado impede infeção assintomática. As vacinas conferem proteção contra a doença, mas desconhece-se ainda se protegem também contra a infeção e a possibilidade de mesmo sem sintomas transmitir o vírus a outro. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos portadores do vírus sem o saber.

Idosa a ser vacinada contra a COVID-19

24. Posso tomar a vacina se estiver grávida?

Uma vez que o desenvolvimento de vacinas não envolve o recrutamento nem de crianças nem de grávidas, ainda não há dados relativamente à vacinação em grávidas.

A administração da vacina em mulheres grávidas deve ser avaliada pelo médico assistente, de acordo com a relação benefício-risco.

25. A partir de que idade deve ser administrada? E as crianças devem tomar?

Os ensaios clínicos com crianças são ainda escassos e ainda não é possível dizer se a vacina é segura e eficaz, ou que dose deve ser dada a este grupo.

As crianças conseguem desencadear uma resposta natural, rápida e eficaz contra o vírus, apresentando esta doença um menor grau de gravidade nas crianças.

26. Após tomar a vacina quanto tempo fico imune?

Neste momento, não é possível avaliar por quanto a proteção se irá manter, se haverá necessidade de administrar reforços e qual a sua periodicidade. Esta informação será atualizada assim que mais dados forem ficando disponíveis.

É importante realçar que nesta crise pandémica, a opção de ser ou não vacinado é considerado um ato de altruísmo, sendo a via mais segura e eficaz para que seja possível alcançar a desejada imunidade de grupo no mais curto espaço de tempo possível.

É impreterível o uso da máscara, assim como as restantes medidas de higiene e segurança, mesmo após ser vacinado.

Vacinação na Unilabs

Assim que houver vacinas para as 2ª e 3ª fases do processo de vacinação, a Unilabs irá ajudar a cidade do Porto para um processo seguro e robusto de vacinação, em larga escala, num curto espaço de tempo.

O primeiro centro de vacinação COVID-19 em Drive Thru foi apresentado no dia 10 de Fevereiro e terá lugar no Queimódromo do Porto. Este projeto piloto contará com a Câmara do Porto para assegurar a gestão das pessoas a serem vacinadas e a sua mobilização, e o Centro Hospitalar Universitário de São João e o Centro Hospitalar Universitário do Porto.

Segundo o Presidente da Câmara Municipal do Porto, esta ação será essencial para que o processo de vacinação seja rápido, cómodo e eficaz.

+ Fontes

  1. WorldOmeter. COVID-19 Coronavirus Pandemic. Disponível em: https://www.worldometers.info/coronavirus/
  2. SNS. Vacina COVID-19. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/covid-19/vacina-covid-19/#sec-0
  3. Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica. Vacinação contra COVID-19: SPAIC. Disponível em:https://www.spaic.pt/noticias/vacinaocovid19
  4. STAT News. Scientists are monitoring a coronavirus mutation that could affect the strength of vaccines. Disponível em: https://www.statnews.com/2021/01/07/coronavirus-mutation-vaccine-strength/
  5. Nature. Could new COVID variants undermine vaccines? Labs scramble to find out. Disponível em:https://www.nature.com/articles/d41586-021-00031-0
  6. Medical News Today. How did we develop a COVID-19 vaccine so quickly. Disponível em: https://www.medicalnewstoday.com/articles/how-did-we-develop-a-covid-19-vaccine-so-quickly#Worldwide-collaboration
Unilabs Autor Unilabs

Presente em Portugal desde 2006, a Unilabs é líder nacional em Diagnóstico Clínico, com mais de 1000 Unidades de atendimento ao seu dispor. Serviços: Análises Clínicas, Cardiologia, Anatomia Patológica, Radiologia, Genética Médica, Medicina Nuclear, Gastrenterologia.