Como podem os pais ajudar os filhos a lidar com as mudanças e novidades que os esperam neste regresso às aulas? Nós ajudamos.

O regresso às aulas aproxima-se e, este ano letivo, esperam-se ainda mais novidades, devido à pandemia por COVID-19 e às novas regras e hábitos que ela obriga a adotar. Muitas dessas alterações podem causar uma ansiedade e um nervosismo extra nas crianças e nos jovens, os quais, na sua grande maioria, já não vão à escola desde março! Saiba, então, como apoiar os seus filhos neste momento tão desafiante.

Regresso às aulas: orientações excecionais de organização e funcionamento

Comecemos por perceber as principais alterações que vão ocorrer nas escolas e no seu modo de organização e de funcionamento. A Direção-Geral de Educação e a Direção-Geral da Saúde já emitiram orientações sobre esta matéria para o ano letivo 2020/2021.

Algumas novas regras na organização e funcionamento da escola

Estas orientações assentam, essencialmente, em medidas de higiene e de segurança que visam, sobretudo, prevenir o contágio por COVID-19 e determinar como agir perante um caso suspeito ou positivo de infeção pelo novo coronavírus 1.

  1. Uso de máscara no acesso e permanência nos estabelecimentos de educação e ensino pelos alunos a partir do 2º ciclo do ensino básico, pelo pessoal docente e não docente e, ainda, pelos encarregados de educação, fornecedores e outros elementos externos.
  2. Desinfeção das mãos com uma solução antissética de base alcoólica (SABA) à entrada dos recintos escolares e lavagem frequente das mãos, assim como cumprimento da etiqueta respiratória.
  3. Organização dos alunos por grupos/turmas que devem partilhar os mesmos horários de aulas, intervalos e período de refeições.
  4. Definição de circuitos de circulação interna e circuitos de entrada e de saída.
  5. Criação de espaços “sujos” e espaços “limpos”.
  6. Realização das aulas sempre na mesma sala e com lugar/secretária fixo por aluno.
  7. Distanciamento físico, maximizando o espaço entre alunos também no interior das salas.
  8. Diminuição da duração dos intervalos.
  9. Impedimento da concentração e do ajuntamento de alunos nos espaços comuns da escola.

Professora e alunos na sala de aula com máscaras

Regresso às aulas: qual o papel dos pais?

O regresso às aulas em tempos de pandemia é ainda mais exigente para os filhos, mas também para os pais. Por isso, é essencial que os pais conversem abertamente com os seus filhos sobre as suas dúvidas e medos. Eis algumas dicas que os pais devem tentar pôr em prática:

  1. Assuma um papel de mediador e ajude o seu filho a adaptar-se a uma escola diferente e com mais regras. Neste regresso às aulas, todas as crianças terão de passar por um processo de (re)adaptação.
  2. Procure controlar os seus próprios receios, de modo a oferecer segurança emocional ao seu filho. Também é importante que sensibilize a escola e os professores do seu educando para o facto de que os direitos das crianças não devem ser postos em causa pelas regras sanitárias em vigor.
  3. É importante transmitir ao seu filho que a escola continua a ser um ambiente seguro e que ele continua a estar protegido.
  4. Explique ao seu filho que há novas regras a cumprir na escola, mas não permita que isso tenha um peso ou uma carga demasiado grande sobre a criança, principalmente se ainda for pequena. Caso contrário, isso pode causar-lhe ansiedade, medo, tristeza e angústia.
  5. Se tem um filho já mais crescido, deve encontrar espaço e tempo para que ele dê a sua opinião sobre estas novas medidas de organização e funcionamento da escola. É fundamental que os jovens possam verbalizar como se sentem em relação a todas estas mudanças.
  6. O uso de máscara na escola é um dos maiores desafios, sobretudo para as crianças com 10 ou 11 anos. Por isso, é essencial explicar ao seu filho o porquê daquela medida e tentar torná-la o mais atrativa possível para ele, associando essa regra a uma espécie de jogo ou de brincadeira.
  7. Se o seu filho ainda anda na creche ou na pré-escola, é fundamental que o acompanhe neste reinício e, de preferência, não deixe a criança ficar logo todo o dia no infantário, fazendo com que este seja um regresso gradual.
  8. Mais do que nunca, esteja atento às reações do seu filho e tente compreender como ele está a lidar com todas estas mudanças e novidades. Para isso, deve estar atento não só ao que a criança diz e verbaliza, como também aos seus comportamentos que são, muitas vezes, o principal meio dela transmitir medos, inseguranças ou frustrações. Para isso, é preciso haver tempo entre pais e filhos, tempo para conversar, para brincar e para conviver.
  9. É ainda fundamental privilegiar as atividades ao ar livre (enquanto o clima assim permitir) e evitar o recurso à tecnologia, o qual já foi algo excessivo nos últimos meses, por força das circunstâncias.
  10. Não sobrecarregue o seu filho com informação desnecessária sobre a situação que estamos a viver e muito menos com previsões relativamente àquilo que pode vir a acontecer, no que respeita à evolução da doença COVID-19, por exemplo. Transmita-lhe sim confiança e não estimule a ansiedade.

Novas regras da escola que podem interferir mais profundamente no bem-estar das crianças

  • Diminuição do tempo de duração dos intervalos;
  • Obrigação do distanciamento físico entre as crianças;
  • Impedimento da entrada dos pais nos estabelecimentos de ensino, sobretudo nas creches e pré-escolas;
  • Uso obrigatório de máscara pelos educadores/professores e pelos alunos a partir dos 10 anos;
  • Organização das aulas por turnos, o que pode comprometer o tempo que o aluno passa em família.

Mãe e filho com máscara

Regresso às aulas: a posição da Sociedade Portuguesa de Pediatria

A Direção da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), conjuntamente com a Direção da Sociedade de Infeciologia Pediátrica da SPP e a Direção do Colégio de Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos, também já se pronunciou acerca deste regresso às aulas, explicando que este arranque de ano letivo é “um motivo de preocupação para pais, crianças, educadores, professores e profissionais de saúde.”

Apesar da evidência até agora recolhida sobre a COVID-19 indicar que as crianças têm menor incidência da doença e desenvolvem, geralmente, apenas sintomas ligeiros e transitórios, no caso de infeção pelo novo coronavírus, o regresso às aulas não deixa de gerar alguma angústia e apreensão juntos dos encarregados de educação.

As consequências do confinamento

Segundo a SPP, o fecho das escolas em março e o período de confinamento tiveram grande impacto na saúde das crianças, “a nível da aprendizagem, da socialização e da saúde mental. As crianças, sobretudo as do 1º ciclo, sentiram insatisfação com as novas modalidades de ensino por videoconferência, dificuldades de concentração e na realização de tarefas, e saudades da escola e dos colegas.”

Além disso, com as novas regras, de acordo com a SPP, “a escola deixou de ser o espaço para brincar, processo essencial ao desenvolvimento infantil, e o espaço seguro, onde existe alimento e ternura, tão necessários (….).”

É importante voltar à escola, mas de que forma?

Se é praticamente unânime a urgência do ensino presencial, o regresso às aulas continua a suscitar muitas dúvidas e receios. Apesar de ser fundamental cumprir com as medidas propostas para as escolas, que visam a prevenção do contágio pelo novo coronavírus, é também essencial “não impôr medidas estritas que sejam impossíveis de cumprir, sobretudo pelas [crianças] mais jovens. É essencial que se retomem as brincadeiras nos intervalos das aulas e que estes tenham uma duração adequada.”

A SPP alerta, ainda, que “no início do ano escolar, para as crianças que vão contactar pela primeira vez com a escola, devem criar-se condições de segurança que permitam o acompanhamento de um familiar ao novo espaço, dando tempo à criação de vínculo afetivo” 2.

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+ Fontes

  1. Orientações ano letivo 2020/2021. Disponível em: https://www.dgeste.mec.pt/wp-content/uploads/2020/07/Orientacoes-DGESTE_DGE_DGS-20_21.pdf
  2. Sociedade Portuguesa de Pediatria. Início do ano escolar 2020. Disponível em: http://criancaefamilia.spp.pt/direitos-da-crianca/in%C3%ADcio-do-ano-escolar-2020.aspx
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