Muito se tem escrito sobre a COVID-19. Chegou o momento de atualizar e sistematizar a informação mais relevante e pô-lo ao corrente da mesma.

O surto do novo coronavírus teve origem na China, ainda no ano de 2019. Desde aí, propagou-se por todo o mundo, sendo declarada pela Organização Mundial da Saúde como uma pandemia e tendo a sua infeção já ganho um nome: COVID-19.

Ao longo dos últimos meses, tem-se falado sobre os seus sintomas mais prevalentes, os seus principais grupos de risco e, também, as medidas de prevenção a adotar para evitar a transmissão deste vírus. Porém, a informação está em constante atualização, pelo que importa fazer um ponto da situação e explicar o que se sabe, até agora, sobre a COVID-19.

COVID-19: o que se sabe até à data

Médico a verificar a febre de paciente com COVID-19

Sintomas mais comuns

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde, os sintomas mais frequentemente associados à infeção pelo novo coronavírus são1 :

  • Febre (temperatura ≥ 38.0ºC);
  • Tosse (normalmente seca);
  • Dificuldade respiratória (falta de ar).

Porém, há outros sinais, menos comuns, relacionados com esta doença, tais como: dor de garganta, corrimento nasal, dores de cabeça (cefaleia) e/ou musculares, cansaço/fraqueza, pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda, falência renal ou de outros órgãos, com possibilidade de desfecho mortal1 .

A Organização Mundial de Saúde destaca alguns sintomas associados ao novo coronavírus, como a tosse, normalmente seca e persistente, além de outros sinais como congestão nasal, garganta inflamada e diarreia2 .

O caso português

Em Portugal, até agora, os boletins epidemiológicos divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) dão conta de que os sintomas mais prevalentes no nosso país têm sido a tosse e a febre, seguidos das dores musculares, cefaleias (dores de cabeça), fraqueza generalizada e dificuldade respiratória3 .

Sintomas mais raros

Há, ainda, sinais menos comuns que podem estar relacionados com a infeção pelo novo coronavírus. As encefalopatias são exemplo disso4 . Na sua origem está uma infeção viral que causa um descontrolo nas citocinas, as quais prejudicam o tecido infetado, inflamam-no e provocam hemorragias severas5 .

A conjuntivite também é um sintoma, embora raro, da COVID-19. Porém, ele é mais comum em quadros mais críticos e avançados da doença6 .

Ainda sob investigação estão a perda de paladar e de olfato, como outro sintoma possível da infeção pelo novo coronavírus. A este propósito, a Universidade de Mons, na Bélgica, já levou a cabo um estudo com 417 doentes7 .

Porém, já outros países reportaram casos de pacientes com COVID-19 que também testemunham uma perda total do paladar e do olfato. Em todo o caso, a Organização Mundial da Saúde ainda não assumiu a relação entre estes efeitos e a infeção pelo novo coronavírus.

Grupos de risco

COVID-19 e diabetes: mulher diabética com caneta de insulina

No nosso país, há milhões de pessoas que fazem parte dos chamados grupos de risco da COVID-19. Esses indivíduos devem, de um modo especial, reforçar as suas medidas de higiene e de distanciamento social.

Em resumo, foram considerados grupos de maior risco, em caso de contágio pelo novo coronavírus: os idosos (com mais de 70 anos) e os doentes crónicos (por exemplo, imunocomprometidos, pessoas com diabetes, doenças cardíacas e pulmonares, hipertensão arterial). Estes grupos possuem um sistema imunitário mais débil e, muitas vezes, outras morbilidades associadas8 .

Ainda assim, não se devem esquecer outros indivíduos de risco, como os profissionais de saúde e pessoas com outras doenças pré-existentes (como, por exemplo, doenças respiratórias e/ou cardiovasculares)9 .

Quanto às grávidas, as mudanças no seu sistema imunitário e fisiológico podem, efetivamente, torná-las mais suscetíveis a infeções respiratórias, embora essa circunstância não as coloque nos grupos de risco.

Medidas de prevenção

Mulher com máscara de proteção contra COVID-19

Desde o início deste surto do novo coronavírus que as mais diversas autoridades de saúde, desde a Organização Mundial da Saúde à Direção-Geral da Saúde, emitiram diretrizes e recomendações que têm por objetivo definir quais as medidas de prevenção para evitar a transmissão da COVID-19.

As principais formas de prevenir o contágio pelo novo coronavírus são:

  • Lavar correta e frequentemente as mãos com uma solução de álcool-gel ou água e sabão;
  • Respeitar a distância social;
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca;
  • Praticar uma boa etiqueta respiratória, ou seja, tapar o nariz e a boca quando espirrar e tossir, usando um lenço de papel descartável ou a prega interna do cotovelo;
  • Usar máscara em espaços onde se verifique uma grande concentração de pessoas, nomeadamente em supermercados, transportes públicos, farmácias, espaços comerciais e outros serviços);
  • Evitar sair de casa sempre que possível.

Porém, importa reforçar a ideia de que o novo coronavírus não se transmite, apenas, ao tocar ou ao interagir de forma próxima com um indivíduo infetado. A COVID-19 pode ser transmitida através de objetos e de superfícies ou, mesmo, através do ar, como sugerem alguns estudos.

De acordo com um estudo do National Institutes of Health, publicado no The New England Journal of Medicine, o vírus pode permanecer durante dias em superfícies, como o plástico ou o aço inoxidável10 . Assim, é lícito assumir que o vírus pode ser encontrado em moedas, puxadores das portas, smartphones, comandos de TV, interruptores, máquinas de multibanco, corrimões e um sem número de outras superfícies, nas quais temos de tocar no nosso dia a dia.

Para encurtar o “tempo de vida” deste vírus nestas superfícies, deve ser utilizado álcool ou lixívia.

Sobrevivência estimada do vírus nas variadas superfícies

  • Plástico: até 72 horas;
  • Aço inoxidável: até 72 horas;
  • Papel: até 24 horas;
  • Cobre: até 4 horas;
  • Ar: até 3 horas;
  • Superfícies porosas, como por exemplo, a roupa, e de acordo com um estudo recente da Lancet, referem que o vírus pode permanecer até 2 dias11 .

Testes de despiste e de imunidade

Profissional de laboratório a analisar teste de COVID-19

Testes de despiste à COVID-19

De acordo com a Direção-Geral da Saúde, quem tiver tosse persistente ou agravamento da tosse habitual; febre (temperatura ≥ 38.0ºC); e/ou dificuldade respiratória pode ser considerado um caso suspeito de COVID-1912 .

Nessa circunstância, a linha SNS 24 ou o médico prescritor podem recomendar o teste laboratorial. Depois de receber a requisição do teste deve agendar telefonicamente a realização do mesmo, num dos centros de rastreio COVID-19.

Este teste consiste na colheita de uma amostra de produto nasal, por meio de uma zaragatoa.

Teste de imunidade

O teste de imunidade para a COVID-19 tem como finalidade aferir a imunidade de um indivíduo face ao novo coronavírus, através da pesquisa de anticorpos sanguíneos.

O teste só pode ser efetuado a pessoas não doentes e não sintomáticas, por meio de uma colheita de sangue. Esta análise é realizada nas nossas Unidades em funcionamento, sem necessidade de marcação prévia e, para já, não é comparticipada.

TESTE OS SEUS ANTICORPOS SANGUÍNEOS
Marque o seu teste numa das unidades Unilabs em funcionamento

MARCAR TESTE

+ Fontes

  1. Serviço Nacional de Saúde. COVID-19. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/covid-19/#sec-4
  2. World Health Organization. Q&A on coronaviruses (COVID-19). Disponível em: https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses
  3. Direção-Geral da Saúde. Ponto de Situação Atual em Portugal. Disponível em: https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal/
  4. Neurological Complications of Coronavirus Disease (COVID-19): Encephalopathy. Disponível: https://www.cureus.com/articles/29414-neurological-complications-of-coronavirus-disease-covid-19-encephalopathy
  5. COVID-19: consider cytokine storm syndromes and immunosuppression. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30628-0/fulltext
  6. Evaluation of coronavirus in tears and conjunctival secretions of patients with SARS‐CoV‐2 infection. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/jmv.25725
  7. Olfactory and Gustatory Dysfunctions as a Clinical Presentation of Mild to Moderate forms of the Coronavirus Disease (COVID-19): A Multicenter European Study. Disponível em: https://www.entnet.org/sites/default/files/uploads/lechien_et_al._-_covid19_-_eur_arch_otorhinolaryngol_.pdf
  8. Serviço Nacional de Saúde. Grupos de risco. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/covid-19/grupos-de-risco/#sec-0
  9. Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. Coronavírus e Diabetes. Disponível em: https://apdp.pt/coronavirus-e-diabetes/
  10. New coronavirus stable for hours on surfaces. Disponível em: https://www.nih.gov/news-events/news-releases/new-coronavirus-stable-hours-surfaces
  11. Stability of SARS-CoV-2 in different environmental conditions. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanmic/article/PIIS2666-5247(20)30003-3/fulltext
  12. Serviço Nacional de Saúde. Teste COVID-19. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/guia/teste-covid-19/
Unilabs Autor Unilabs

Presente em Portugal desde 2006, a Unilabs é líder nacional em Diagnóstico Clínico, com mais de 1000 Unidades de atendimento ao seu dispor. Serviços: Análises Clínicas, Cardiologia, Anatomia Patológica, Radiologia, Genética Médica, Medicina Nuclear, Gastrenterologia.