Os sinais de mal-estar emocional nem sempre são valorizados, levando a que o sofrimento psicológico se mantenha no tempo.

As tarefas e as obrigações não param de chegar e o tempo de descanso e relaxamento parece sempre curto. Acusamos o cansaço, adiamos as pausas e evitamos reconhecer que o nosso limite está próximo.

O bem-estar emocional precisa de ser cuidado e estimulado. Uma boa forma de o proteger e manter passa por estar alerta aos sinais de mal-estar emocional.

Bem-estar emocional vs. Mal-estar emocional

O bem-estar emocional está presente quando predominam as emoções positivas. Por outro lado, quando são as emoções negativas as mais prevalentes, estamos perante uma situação de mal-estar emocional.

Para ser possível distinguir estes estados emocionais, importa conhecer as diferentes emoções. Eis alguns exemplos:

  1. Exemplos de emoções positivas: satisfação; entusiasmo; otimismo; alegria; alívio; serenidade; segurança; tranquilidade; atração; reconhecimento; agradecimento.
  2. Exemplos de emoções negativas: aborrecimento; frustração; culpa; tristeza; insegurança; solidão; ansiedade; angústia; desespero; stress; apatia; desconfiança; repulsa; raiva (1).

Estamos perante uma situação de mal-estar emocional quando vivenciamos uma experiência emocional desagradável que interfere com o nosso dia-a-dia. Outros termos são, com frequência, utilizados com o intuito de descrever a mesma experiência, tais como: sofrimento, stress, angústia ou sofrimento psicológico.

O mal-estar emocional é marcado pela presença de sentimentos subjetivos que variam em intensidade. Podem ocorrer sentimentos variados, tais como tristeza, vulnerabilidade, medo, insegurança, confusão e preocupação ou sintomas mais severos como a ansiedade, a depressão, a raiva, o isolamento social e a desesperança (2).

sinal de mal-estar em jovem pensativa a olhar pela janela

Formas de reconhecer os seus limites e sinais de mal-estar

Gostamos de nos sentir bem. Somos mais felizes quando sentimos que estamos num lugar e num momento bom. Queremos estar confortáveis e satisfeitos com a maioria dos aspetos das nossas vidas. Mas nem sempre nos sentimos assim.

Como saber se estamos realmente bem e saudáveis? Como saber se os nossos problemas, pensamentos e sentimentos são normais? Como saber quando procurar ajuda? Como reconhecer os nossos próprios limites? O Prof. Dr. Júlio Machado Vaz, especialista em Psiquiatria e Sexologia, clarificou algumas destas perguntas numa conversa sobre saúde mental em tempo de pandemia.

Procurar ajuda especializada quando se depara com sinais acentuados de mal-estar é essencial e um ato de coragem e amor próprio. Saiba distinguir quando algo já não está bem:

1. Isolamento social

Cancelar os compromissos/eventos (virtuais), passar demasiado tempo sozinhos, fechar-se apenas sobre si mesmo é um importante sinal de alerta de potenciais problemas de saúde mental e emocional.

2. Estados de humor atípicos

Mudanças abruptas e significativas de humor devem ser motivo de alarme, sobretudo se forem persistentes. Exemplos dessas mudanças podem ser mau humor fora do comum, raiva/ira ou ansiedade excessiva e incontrolável.

Também mudanças ao nível dos comportamentos devem ser valorizadas. Por exemplo, quando alguém manifesta mudanças na sua personalidade e age como se fosse uma pessoa totalmente diferente.

3. Falta de autocuidado

Um dos principais sinais de mal-estar é a perda de preocupação com a própria saúde e bem-estar.

A falta de autocuidado é visível através do descuido ao nível da higiene e imagem. Esta auto-negligência tem, algumas vezes, como consequência o envolvimento em comportamentos de risco (por exemplo, consumo de álcool ou drogas).

4. Apatia

Outro dos sinais de mal-estar aos quais importa estar atento é a apatia excessiva, ou seja, a sensação de estar desligado do mundo, de não sentir ansiedade, tristeza, alegria ou qualquer outra emoção ou sentimento.

5. Alterações no padrão de sono

Sejam noites sem dormir, seja dormir muito mais horas que o habitual, as alterações do padrão de sono habitualmente dizem muito sobre a saúde mental e o estado emocional.

É igualmente importante atender a alterações significativas ao nível do apetite e da saúde física, que podem ser afetadas pela saúde psicológica.

6. Dificuldade em estabelecer/manter relações

As relações pessoais e/ou profissionais podem ser prejudicadas quando se atravessa um período de maior mal-estar emocional.

Nesses períodos, o humor menos agradável e o isolamento podem ganhar terreno e afetar as interações sociais.

Quando alguém não se sente bem e feliz é mais difícil manter relações sociais saudáveis e de qualidade (3, 4).

avó a falar com a neta

Encontrar ajuda nos amigos, família e profissionais de saúde mental

Os sinais de mal-estar acima descritos devem ser levados em consideração, sobretudo quando surgem associados, ou seja, quando mais que um sinal de alerta está presente.

Nessas circunstâncias, importa compreender que ninguém está sozinho e que a ajuda pode ser encontrada junto de amigos e familiares, mas também junto dos profissionais de saúde mental.

Para o ajudar nesta fase, o Sistema Nacional de Saúde criou um serviço de aconselhamento psicológico integrado na linha 808 24 24 24 para dar apoio às preocupações e desafios psicológicos dos utentes e também dos profissionais de saúde.

Porque mais do que nunca, investir e cuidar da sua saúde mental deve ser uma prioridade.

+ Fontes

  1. Runa, A., Miranda, G. (2015). Validação Portuguesa das Escalas de Bem-estar e Mal-estar Emocional. RISTI, N.º 16, 12/2015.
  2. Pinto, F. (2013). Contributo para o estudo de Adaptação e Validação do Instrumento: Detección de Malestar Emocional para a população Portuguesa (Avaliação de Mal estar Emocional-AME). Disponível em: https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/17234/1/Tese%20final.pdf
  3. Morin, A. (2020). 7 Signs You Should Talk to a Therapist. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/what-mentally-strong-people-dont-do/202009/7-signs-you-should-talk-therapist
  4. Riggio, R. (2015). 5 Warning Signs of Mental Health Risk. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/cutting-edge-leadership/201505/5-warning-signs-mental-health-risk
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