Sentir as pernas pesadas pode estar associado ao mau funcionamento do sistema venoso. O tratamento inclui medicação e mudanças nos hábitos de vida.

A sensação de pernas pesadas e a dificuldade em caminhar são queixas comuns, e podem alterar a qualidade de vida de uma pessoa em qualquer idade.
O tratamento poderá ser algo tão simples como a adoção de novos hábitos de vida, uso de materiais de compressão elástica, medicação ou, nos casos mais graves, ser necessário uma cirurgia.
Para a escolha do tratamento ideal, é preciso conhecer a natureza da dor e observar os fatores a esta associados: as características da dor, os sintomas, os fatores de risco e antecedentes familiares, assim como os sinais detetados no exame físico.

Sensação de pernas pesadas: fatores de risco

Existem alguns fatores de risco associados a esta condição, tais como:(1, 2):

  • Tabaco;
  • Sedentarismo;
  • Obesidade;
  • Tensões altas sem controle;
  • Colesterol alto;
  • Açúcar no sangue sem controle.
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Sensação de pernas pesadas e má circulação

A má circulação das pernas é um sintoma comum nas seguintes patologias vasculares: Doença arterial periférica, Trombose venosa profunda e varizes.
Como pode verificar abaixo, embora o sintoma seja o mesmo as suas causas podem ser diferentes consoante o tipo de patologia. (1, 2):

1. Doença arterial periférica

A aterosclerose consiste na deposição progressiva, e ao longo do tempo, de uma placa constituída por colesterol, cálcio e tecido fibroso, na parede das artérias.
A dor nas pernas não cessa. O doente acorda de madrugada com dores. As artérias tendem a ficar rijas e cada vez mais estreitas, o sangue tem dificuldade em passar por um orifício cada vez mais pequeno. O exame de diagnóstico ideal é o Eco-Doppler (totalmente não invasivo e indolor).
Já o tratamento para a aterosclerose inclui fisioterapia, medicação (que impede a formação de trombos e estabiliza, ou reduz, as placas de aterosclerose) e cirurgia ou intervenções minimamente invasivas.

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2. Trombose Venosa Profunda

A trombose ocorre quando uma veia é obstruída por um coágulo de sangue. Por norma, os trombos formam-se nos vasos mais profundos, na região da pélvis, coxas, mas podem também surgir, raramente, noutras regiões do corpo.

Um coágulo de sangue formado, por exemplo, na zona da pélvis, tem a capacidade de viajar ao longo do sistema circulatório e alojar-se nas artérias pulmonares e impedir o fluxo normal de sangue a este órgão vital. O coração vai ser sobrecarregado, dificultando a oxigenação do sangue.

Para além da dor nas pernas , é normal os doentes sentirem:

  • Inchaço súbito de uma perna (com ou sem dor associada – depende se as veias mais profundas foram afetadas);
  • Vermelhidão, no caso de afetação das veias mais superficiais;
  • Calor localizado;
  • Sensibilidade ou dor ao toque na região afetada;
  • Alteração da coloração da pele (fica mais azulada).

Outras causas específicas para o surgimento da trombose, incluem:

  • Grandes cirurgias da anca, joelho, abdómen ou tórax;
  • Fraturas da anca ou da perna;
  • Viagens muito longas e em espaços reduzidos para as pernas;
  • Alterações hereditárias da coagulação sanguínea;
  • Cancro.

As pessoas obesas, as mulheres grávidas, a amamentar ou que tomam contracetivos orais também têm uma maior probabilidade de desenvolverem a trombose, principalmente se fumarem.
O diagnóstico é feito mediante o histórico clínico do doente e o exame físico. Para confirmar, pode ser pedido um Eco-Doppler. A medicação é, por norma, o tratamento de eleição. Raramente, os doentes com Trombose Venosa Profunda têm indicação para cirurgia.

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3. Varizes

As varizes surgem devido a uma anomalia nas paredes e válvulas das veias localizadas nas pernas. A circulação do sangue das zonas periféricas em direção ao coração torna-se mais difícil. Como resultado, as paredes das veias são alvo de uma tensão cada vez maior. Ao longo do tempo, tornam-se dilatadas e tortuosas.

Os sintomas variam:

  • Desconforto ou dor nas pernas;
  • Sensação de pernas pesadas;
  • Cãibras e dormência;
  • Pés e tornozelos inchados;
  • Comichão ou inchaço que tipicamente agrava ao final do dia

As varizes estão associadas a uma condição designada Doença Venosa Crónica. Devem ser tratadas não apenas por uma questão estética, mas porque podem ser o princípio de outras complicações, tais como:

  • Tromboflebites;
  • Edema;
  • Alterações da pele;
  • Úlceras de difícil cicatrização.

Existem diversos tratamentos eficazes para as varizes e derrames, como por exemplo, a Escleroterapia.

A Escleroterapia é conhecida como a “secagem das varizes”. Envolve a injeção local de, uma substância que colapsa e elimina as pequenas veias. Com este tratamento, não só desaparece a parte inestética, como a dor associada às varizes e derrames.
Existem 3 tipos de Escleroterapia:

  1. Escleroterapia de pequenos vasos: tratamento feito ao longo de várias sessões com cerca de 20 a 30 minutos, indicado para pequenos vasos.
  2. Escleroterapia com espuma: indicada para varizes de grande calibre; é injetada nas veias uma mistura de ar e líquido; não exige cirurgia, anestesia ou repouso; é preferível em doentes idosos, com úlceras venosas.
  3. Escleroterapia Ampliada: permite realizar várias sessões no mesmo dia e oferece um resultado estético mais rápido.
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Conselhos para quem sofre com a sensação de pernas pesadas

A Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular desenvolveu uma lista de 10 conselhos, para os doentes com problemas circulatórios (1) :

  1. Permanecer muitas horas de pé ou sentados, principalmente de pernas cruzadas, deve ser evitado. Este hábito poderá conduzir ao desenvolvimento de doença venosa. Caso o trabalho obrigue a permanecer longas horas sentados, os doentes devem procurar realizar movimentos circulares com os pés ou caminhar no horário pós laboral.
  2. A prática de exercício regular é determinante. O exercício estimula a contração muscular e consequentemente o retorno venoso. Devem ser preferidos desportos como a ginástica, natação, ciclismo, dança que promovem a circulação venosa e evitados desportos como basquetebol e ténis que obrigam a movimentos bruscos. Estes últimos induzem variações de pressão nas veias que provocavam a sua dilatação e a diminuição do retorno venoso.
  3. Lugares quentes devem também ser evitados. O calor dilata as veias e aumentam a estase. Exposição solar prolongada, banhos quentes, sauna, vestuário quente constituem fatores de risco.
  4. Passar água fria nas pernas, assim como permanecer em locais frescos é aconselhado. O frio estimula o funcionamento venoso e alivia a dor e sensação de pernas pesadas.
  5. A prisão de ventre e excesso de peso aumentam a pressão sanguínea venosa. Os doentes devem realizar uma alimentação rica em fibras (vegetais), com boa hidratação e redução da ingestão de gorduras saturadas (como, por exemplo, manteiga).
  6. Roupa muito apertada comprime as veias e dificulta a circulação pelo que deve ser evitado.
  7. O uso de sapatos apropriados é também extremamente importante. Devem ser preferidos saltos de 3-4 cm em detrimento de sapatos de salto e sapatos planos.
  8. Durante o sono, o sistema venoso não é estimulado. É aconselhada a realização de movimentos de pedalar antes de adormecer assim como a elevação dos pés (10 a 15cm da cama).
  9. Massajar as pernas de baixo para cima estimula o retorno venoso, pelo que deve ser efetuado.
  10. A gravidez e a contracepção oral podem agravar a doença venosa crónica, uma vez que os estrogénios aumentam a permeabilidade venosa e a progesterona promove a dilatação
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