Exercício físico e saúde mental estão intimamente ligados. A prática desportiva regular pode ajudar na prevenção e no controlo de algumas patologias do foro mental, e influencia o bem-estar geral.

Exercício físico e saúde mental partilham uma relação estreita, na medida em que a prática regular de atividade física pode ter um impacto muito positivo na nossa saúde quer física, quer psicológica.

Já são vários os estudos científicos a evidenciar esta relação, demonstrando que os benefícios do exercício físico se estendem para lá da melhoria de doenças como a hipertensão ou a diabetes, por exemplo.

Mas quais as doenças do foro psicológico que mais podem beneficiar da atividade física? E quais os tipos de exercício físico mais adequados a cada perturbação? Vamos explicar-lhe tudo em seguida.

Qual a relação entre exercício físico e saúde mental?

Os benefícios da prática da atividade física ao nível da saúde física são já sobejamente conhecidos (nomeadamente no sistema cardiovascular, obesidade e osteoporose). Apesar de haver menor consciência da população geral acerca do impacto do exercício físico ao nível da saúde mental, a investigação tem vindo a mostrar que esta relação não pode ser ignorada.

Os benefícios da atividade física ao nível da saúde mental são cada vez mais estudados e reconhecidos. O exercício físico, sobretudo quando associado à psicoterapia e ao tratamento farmacológico, parece contribuir para:

  • Reduzir a ansiedade e o stress;
  • Aumentar a sensação de bem-estar geral;
  • Níveis mais elevados de qualidade de vida;
  • Melhorias ao nível das funções cognitivas (nomeadamente, diminuição do tempo de reação, aumento dos níveis atencionais, diminuição do estado de confusão mental);
  • Diminuição dos sintomas depressivos.

Naturalmente, a procura dos efeitos da atividade física na saúde mental está também dependente da personalidade de cada pessoa. Alguns estudos mostram que pessoas com maior intenção de serem ativas revelam um humor mais positivo, maior otimismo e, de forma geral, melhor saúde mental 1, 2, 3.

Mulher a fazer atividade física em casa

De que forma é que o exercício impacta a saúde mental?

Como vimos, exercício físico e saúde mental têm uma estreita relação. A prática de atividade física regular pode não só provocar melhorias ao nível do bem-estar psicológico e qualidade de vida, como também ser parte integrante do processo de prevenção e tratamento das perturbações mentais.

Mas como? De forma simples, porque o exercício físico afeta diretamente o cérebro. Eis alguns exemplos disso mesmo:

Contribui para a manutenção e crescimento dos neurónios

A sigla BDNF refere-se ao fator neurotrófico derivado do cérebro, que é responsável pela manutenção e crescimento dos neurónios e pela neuroplasticidade (capacidade do cérebro se adaptar a diferentes estímulos).

De forma sucinta, importa reter que este está associado aos processos de crescimento, diferenciação e sobrevivência das células neuronais, desempenhando um papel fundamental na organização das redes neuronais e na plasticidade sináptica, principalmente a nível do hipocampo.

Como efeito do aumento dos seus níveis, há um maior desenvolvimento do hipocampo, que tem uma importância crítica para a saúde mental, na medida em que está envolvido na memória, na aprendizagem e na regulação das emoções.

Este fator, ao estar envolvido nos processos de regeneração neuronal dos neurónios seretoninérgicos, o seu aumento parece desencadear um efeito antidepressivo 4, 5.

Aumenta a quantidade de neurotransmissores

O aumento dos níveis de neurotransmissores, como a serotonina, a endorfina, a dopamina e a noradrenalina, tem o potencial de contribuir para 6:

  • Diminuição da dor;
  • Melhoria do estado de humor;
  • Maior capacidade para lidar com situações de stress;
  • Sensações de bem-estar e de recompensa mais intensas;
  • Maior capacidade de perceção, atenção e motivação.

Ajuda-nos a aceitar novas informações

A prática de atividade física parece aumentar a flexibilidade mental, permitindo-nos reconhecer e aceitar novas informações, não repetir comportamentos inúteis e procurar novas soluções para problemas antigos.

Assim, a prática de exercício físico torna-se capaz de contribuir para a mudança de atitudes ao nível da saúde, do reforço social e das estratégias para enfrentar os problemas 5, 7.

Contribui para uma melhor irrigação do cérebro

A sigla VEGF, em português fator de crescimento endotelial vascular, diz respeito a um fator que promove o crescimento de vasos sanguíneos, contribuindo assim para uma melhor irrigação do cérebro.

Dito de forma mais simples, a prática de exercício regular contribui para um maior aporte de sangue, oxigénio e nutrientes, ou seja, para uma melhor saúde neuronal, tornando o cérebro mais funcional e mais protegido 5, 8.

Mulher a fazer prancha de antebraços em casa

Que tipo de treino escolher para obter maiores ganhos ao nível da saúde mental?

A prática de atividade física favorece a saúde mental. Mas qual o melhor treino? Qual a duração e periodicidade indicada? Estas questões são pertinentes e a ciência encontra-se constantemente à procura das melhores respostas.

Eis aquilo que já sabemos: diferentes tipos de exercício ativam diferentes regiões do nosso cérebro.

Partindo desta premissa, faz sentido que a investigação procure compreender que tipo de treino pode trazer maiores benefícios a determinada doença mental específica 9.

Perturbações de ansiedade

A atividade física parece contribuir para a diminuição dos níveis de ansiedade, tensão e irritabilidade, bem como parece impactar ao nível da frequência dos ataques de pânico.

De um modo genérico, qualquer exercício físico (aeróbio e anaeróbio) pode ser realizado tendo como objetivo baixar os níveis de ansiedade.

Perturbações Depressivas

O exercício físico combinado (aeróbio + anaeróbio) e de resistência tem mostrado efeitos muito positivos em doentes com perturbação depressiva, diminuindo o humor deprimido, o afeto negativo e os distúrbios de sono presentes.

Perturbações Bipolares

Alguns estudos mostram que pessoas que sofrem de doença bipolar tendem a cansar-se mais rapidamente durante a prática de atividade física moderada. Todavia, a prática de atividade física é recomendada nestas perturbações, na medida em que parece ter um impacto positivo ao nível do controlo das flutuações de humor, da redução do stress e dos sintomas depressivos e ansiosos.

Perturbações do Espectro da Esquizofrenia

Em algumas pessoas que sofrem destas perturbações, o treino aeróbio, combinado com o treino de força, tem contribuído para o aumento da sua capacidade funcional e bem-estar psicológico.

A prática de ioga bem como a prática de treino aeróbio moderado têm-se mostrado opções interessantes para quem sofre de perturbações do espectro da esquizofrenia e outras perturbações psicóticas.

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A importância de fazer um check-up, antes de iniciar o exercício físico

Entendido o papel fulcral do exercício físico para a saúde mental, é importante destacar a importância de fazer um check-up médico, antes de começar a treinar.

O facto da atividade física não fazer parte da rotina diária ou o facto do praticante do desporto ter algum problema de saúde torna imprescindível a realização de um check-up médico, de modo a aferir qual a prática desportiva mais adequada e, também, de maneira a detetar eventuais limitações físicas do indivíduo.

Assim, é possível garantir que o exercício físico é efetuado em segurança e sem riscos para o bem-estar do praticante.

+ Fontes

  1. Direção-Geral da Saúde. Vantagens da atividade física. Disponível em: https://alimentacaosaudavel.dgs.pt/vantagens-da-atividade-fisica/
  2. Saúde Mental. Exercício. Disponível em: http://www.saudemental.pt/exercicio/4594065735
  3. Mota, M., Cruz, J. (1995). Efeitos de um programa de exercício físico na saúde mental. Psicologia: Teoria, Investigação e Prática. 3, 299-326. Disponível em:  https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/19497/3/mota%20e%20cruz-p-tip-efeitos%20programa%20exercicio%20na%20saude%20mental-poms.pdf
  4. Seifert, T., et al (2010). Endurance training enhances BDNF release from the human brain. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19923361/
  5. Gingell, S. (2018). How Your Mental Health Reaps the Benefits of Exercise. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/what-works-and-why/201803/how-your-mental-health-reaps-the-benefits-exercise
  6. Fumoto, M., et al (2010). Ventral prefrontal cortex and serotonergic system activation during pedaling exercise induces negative mood improvement and increased alpha band in EEG. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20412817/
  7. Stathopoulou, G. et al (2006). Exercise Interventions for Mental Health: A Quantitative and Qualitative Review. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/j.1468-2850.2006.00021.x
  8. Soares, José. (2020). Exercício físico e cérebro: os efeitos do exercício a nível cerebral. Disponível em: https://blog.unilabs.pt/saude/exercicio-fisico-e-cerebro/
  9. Zschucke, E. et al (2013). Exercise and physical activity in mental disorders: clinical and experimental evidence. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23412549/
  10. Oliveira, T., Pontes, M., Neto, F. (2010). Avaliação da expressão do gene BDNF em doenças neurodegenerativas. Proc. 1 st ICH Gaia-Porto, Portugal. Disponível em: https://recipp.ipp.pt/bitstream/10400.22/1302/1/COM_TaniaOliveira_2010.pdf
Unilabs Autor Unilabs

Presente em Portugal desde 2006, a Unilabs é líder nacional em Diagnóstico Clínico, com mais de 1000 Unidades de atendimento ao seu dispor. Serviços: Análises Clínicas, Cardiologia, Anatomia Patológica, Radiologia, Genética Médica, Medicina Nuclear, Gastrenterologia.