O glúten é um conjunto de proteínas vegetais que conferem capacidade de absorção de água, viscosidade e elasticidade às farinhas que as contêm.
As proteínas do glúten são ricas em prolinas e glutaminas, as quais são deficientemente digeridas ao nível do trato gastrointestinal, sendo a gliadina a principal componente tóxica para indivíduos susceptíveis. A esta condição dá-se o nome de doença celíaca.
Sintomas da doença celíaca
A doença celíaca costuma dar os seus primeiros sinais entre o primeiro e terceiro ano de vida, período em que muitos dos cereais são introduzidos na dieta das crianças.
Contudo, em alguns casos, só acontece na vida adulta, quando o indivíduo já apresenta carências nutricionais graves, pela falta de sintomas específicos.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Diarreia prolongada (mais de 3 semanas);
- Desconforto abdominal;
- Vómitos;
- Irritabilidade;
- Falta de apetite;
- Má progressão de peso;
- Atraso de crescimento;
- Obstipação.
Dieta sem glúten: moda ou facto
Nos últimos anos tem-se falado um pouco mais da dieta sem glúten, mas não necessariamente da doença celíaca. Talvez por existir um maior acesso à internet e às redes sociais, a informação que muitas vezes é tida como certa não passa de um mito, e transforma-se rapidamente numa “moda” sem qualquer fundamento científico.
Importa recordar que a suspeita da presença da doença com base nos sintomas, não é suficiente para estabelecer o diagnóstico definitivo.
Os critérios para diagnóstico da doença celíaca estão definidos há vários anos e são periodicamente revistos. Estes passam pela realização de testes sanguíneos (determinação de anticorpos específicos para a doença celíaca) e confirmação com biópsia jejunal.
Doença celíaca: alimentos a evitar
A dieta isenta de glúten baseia-se na exclusão dos cereais trigo, cevada, centeio e aveia (ainda que seja isenta de glúten é frequentemente plantada nos mesmos terrenos e processada nas mesmas máquinas que outros cereais, podendo ocorrer contaminação cruzada) da alimentação.
Para além das fontes óbvias como o pão, as tostas, as massas ou os produtos de confeitaria e pastelaria, o glúten pode encontrar-se numa grande variedade de outros produtos alimentares, nomeadamente molhos e temperos, sopas instantâneas, sobremesas, cafés e chás aromatizados, queijos fundidos, produtos à base de carne (como por exemplo, produtos de charcutaria), de pescado ou frutos do mar (por exemplo, panados de peixe).
Qualquer referência na rotulagem aos cereais proibidos e aos seus derivados ou designações como, por exemplo, espessantes, malte, extrato de malte, amido modificado, emulsionantes, estabilizantes, proteínas vegetais, proteínas vegetais hidrolisadas e goma vegetal devem levar os doentes celíacos a rejeitar o produto.
Tratamentos adequados a doentes celíacos
O único tratamento cientificamente provado para a doença celíaca consiste em efetuar uma dieta isenta em glúten, que tem de ser cumprida de forma rigorosa durante toda a vida.
Há evidência de que pequenas quantidades de glúten na dieta não causam qualquer sintoma imediato no doente, embora lesem a mucosa intestinal, aumentando o risco de algumas doenças.
Conclusões
Nos últimos anos, a oferta e a variedade de alimentos específicos sem glúten têm aumentado, incluindo pão, tostas, bolos, bolachas, pizzas, massas, sobremesas, refeições pré-cozinhadas e também farinhas adequadas para confecção caseira.
Reconhece-se, atualmente, que a doença celíaca pode ser diagnosticada em qualquer idade e afeta múltiplos sistemas de órgãos.
Embora não se conheça a sua real prevalência, estima-se que, em Portugal, afete quase 1% da população, sabendo-se, todavia, que existirão vários casos por diagnosticar.

+ Fontes
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