Evitar o desperdício alimentar deve ser uma prioridade de todos nós, sendo cada vez mais importante implementar estratégias que favoreçam este propósito.

É cada vez mais urgente reduzir o desperdício alimentar, não só devido ao impacto económico que provoca no orçamento individual, mas também devido às preocupações sociais e ambientais que lhe são inerentes 1. Partilhamos, por isso, algumas estratégias que pode implementar no seu dia a dia para ajudar a evitá-lo.

Como evitar o desperdício alimentar? Estratégias que pode implementar

1. Comprar de forma racional

Uma das principais estratégias para evitar o desperdício alimentar deve ser aplicada logo no momento das compras, comprando apenas os alimentos de que precisa, nas quantidades necessárias.

Neste sentido, o ideal é que, antes de ir ao supermercado, faça uma lista de compras, de modo a evitar cair nas tentações das promoções ou deixar-se levar pela fome.

Além disso, tenha atenção às quantidades que compra. Evite comprar quantidades elevadas de alimentos perecíveis ou com curto prazo de validade, como frutas, legumes, peixe, carne e lacticínios, que muito provavelmente não conseguirá consumir em tempo útil devido à maturação / deterioração ou término do prazo de validade.

Sempre que tiver a necessidade de comprar maiores quantidades de algum destes alimentos, garanta que pode proceder à sua congelação e que tem espaço disponível para armazenar esses alimentos de forma a que não se estraguem.

Mulher no supermercado a analisar prazo de validade de alimento

2. Atente aos prazos de validade

Muitas superfícies comerciais têm a política de baixar o preço de produtos (principalmente perecíveis) que se estejam a aproximar do fim do prazo de validade.

Adquirir este tipo de produtos é uma forma de ajudar a evitar o desperdício desses mesmos alimentos, que ainda se encontram em perfeito estado de consumo, sendo uma excelente opção para incluir na refeição do dia ou próxima do dia de compra.

No entanto, deve evitar comprar elevadas quantidades destes alimentos para evitar que se estraguem em casa e que os tenha de descartar.

No caso de alimentos que não são tão perecíveis, preste particular atenção ao prazo de validade, de modo a comprar aqueles com o prazo mais alargado possível 2.

3. Organize os alimentos por ordem de chegada

FIFO e FEFO parecem palavras estranhas mas vão ajudá-lo a organizar os alimentos em casa.

FIFO (first in, first out): isto significa que os alimentos que entraram primeiro, devem ser os primeiros a ser consumidos. É um método indicado para organizar alimentos que tenham um prazo de validade mais longo.

Por exemplo, se já tinha algumas conservas em casa e comprou mais, deverá trazer as mais antigas para a frente, colocando as novas atrás.

FEFO (first expire, first out): isto significa que o alimento com o fim de data de validade mais próxima deve ser consumido primeiro. Este método é particularmente interessante em alimentos frescos como laticínios, por exemplo.

Deve, portanto, organizar as suas refeições dando prioridade ao que já tinha em casa e ao que se está a aproximar do final do prazo de validade.

Variedade de alimentos na despensa

4. Armazenar os alimentos de forma correta

Os alimentos frescos são mais perecíveis e sujeitos a deterioração devido aos fungos e bolores que podem surgir. Deve, por isso, garantir que os armazena de forma correta para evitar esta situação.

Alimentos como batata, alho, cebola, pepinos e tomates, são alimentos que devem ser armazenados à temperatura ambiente, enquanto outros como couve, brócolos, alface, cenoura ou beringela devem ser mantidos no frigorífico.

No que toca às frutas, no momento do armazenamento, deve separar aquelas que libertam mais etileno (hormona que acelera a maturação dos frutos e que os torna mais sujeitos a deterioração) daquelas que o libertam em menores quantidades, de modo a controlar o amadurecimento destas últimas.

De entre as frutas que libertam mais etileno encontram-se as bananas, tomates, meloas, abacates, pêssegos e peras. Mantenha estes alimentos afastados de outros que são sensíveis à contaminação por fungos, como as maçãs, os frutos vermelhos, os pimentos, entre outros.

Além disso, deve verificar constantemente o estado de maturação das suas frutas. Se alguma começar a apodrecer, descarte-a imediatamente para que não haja contaminação das restantes.

Relativamente a outros alimentos frescos, devem ser colocados de forma organizada no frigorífico de acordo com o grau de frio que necessitam, nomeadamente o peixe, e a carne, nas zonas mais frias do frigorífico (perto do congelador), os alimentos cozinhados nas prateleiras do meio e nas zonas menos frias ficam os legumes e fruta 3.

4. Aproveitar as sobras das refeições

Quando sobrarem alimentos de refeições ou provenientes da preparação de alguma receita em concreto (por exemplo, claras ou gemas de um ovo utilizadas para um bolo), guarde-as no frigorífico, de modo a aumentar o seu tempo útil de vida e retardar a sua deterioração, e reutilize-as noutras preparações ou refeições.

Idealmente, guarde estas sobras em recipientes de vidro ou com película transparente, onde consiga visualizar claramente o seu interior, para não se esquecer do que tem guardado e consumir o mais rapidamente possível, assim como minimizar o contacto e contaminação cruzada com alimentos crus.

Consuma estas sobras no dia seguinte em casa ou utilize-as para as suas marmitas de trabalho.

Além dos alimentos que sobram das refeições principais, aproveite também a fruta já demasiado madura para fazer batidos, compotas ou purés, assim como os talos de legumes; ou a água da cozedura para fazer sopa. Pode tirar algumas ideias do ebook lançado pela Associação Portuguesa de Nutrição.

Sobras de refeições em frascos de vidro

5. Congelar alimentos

Outra das estratégias mais eficazes para minimizar o desperdício alimentar e aumentar o tempo de vida útil dos alimentos é através da congelação, um método que preserva, praticamente na totalidade, o valor nutricional dos alimentos 4.

Para uma correta congelação dos alimentos e para maximizar a sua conservação, deve congelar os alimentos no seu estado mais fresco (por exemplo, a carne / peixe do dia, refeições cozinhadas no dia) e o mais próximo do momento da compra, pois, à medida que o tempo passa, o risco de contaminação por microrganismos é maior e ocorrem perdas nutricionais que irão passar para o alimento congelado, limitando a potencialidade deste método de conservação.

Os alimentos devem ser embalados em sacos herméticos (“sacos de congelação”) ou tupperwares, de modo a garantir um melhor estado de conservação.

6. Recorrer a conservas e enlatados para evitar comprar frescos em excesso

Mais uma boa estratégia para uma melhor gestão do seu stock alimentar em casa: optar por ter conservas e enlatados no seu armário / despensa para não ter de comprar apenas carne e peixe frescos, que geram maior desperdício.

Isto porque, além de serem uma opção prática e versátil para qualquer dia, apresentam um prazo de validade longo e não requerem condições específicas de armazenamento (apenas local seco e fresco), podendo ser usados como salvaguarda quando se compra menor quantidade de peixe / carne fresca.

Enlatados em cima de mesa

7. Recorrer a aplicações que promovem a redução do desperdício alimentar

Dada a pertinência do tema, foram criadas várias aplicações que visam envolver os consumidores na redução do desperdício alimentar, a mais recente das quais a Too Good To Go.

Com esta aplicação gratuita pode ter acesso a alimentos / refeições provenientes de supermercados ou restaurantes, a um preço muito mais reduzido. Além de ser vantajoso para si, auxilia no aproveitamento destes alimentos / refeições que iriam ser desperdiçados.

Além da Too Good to Go, também a Phenix Portugal é um aplicação gratuita com o mesmo propósito. Possibilita a compra de refeições prontas assim como frutos frescos e de mercearia provenientes de mercados locais, como o mercado do Bolhão, restaurantes, pastelarias e até floristas.

Ao selecionar o local onde pretende comprar são lhe apresentados vários cabazes disponíveis e o tipo de refeições que contêm, com uma redução no valor até 50%. Após a utilização da aplicação são-lhe atribuídos pontos utilizáveis nas encomendas seguintes.

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+ Fontes

  1. Fundação Portuguesa de Cardiologia, nd. “Desperdício Alimentar”. http://www.fpcardiologia.pt/desperdicio-alimentar/
  2. Ligon, Victoria K., 2014. “Shop More, Buy Less: A Qualitative Investigation Into Consumer Decisions That Lead To Food Waste In U.S. Households”. https://repository.arizona.edu/handle/10150/332880
  3. Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, nd. “Como usar o frigorífico?”. https://www.asae.gov.pt/seguranca-alimentar/conselhos-praticos-para-os-consumidores/como-usar-o-frigorifico.aspx
  4. Joy C Rickman et al, 2007. “Nutritional comparison of fresh, frozen and canned fruits and vegetables. Part 1. Vitamins C and B and phenolic compounds”. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/jsfa.2825
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