Um ataque de pânico é um breve momento de medo ou ansiedade extremos sem causa aparente. Saiba como identificar e como ultrapassá-lo.

O ataque de pânico pode ser descrito como uma resposta exagerada do nosso corpo a uma situação de medo ou de stress súbita. Essa resposta exagerada pode traduzir-se em manifestações como batimento cardíaco acelerado, desmaio, transpiração excessiva, náuseas, dores no peito, dificuldade em respirar e perda de controlo do corpo.

Quem vivencia esta experiência pensa, muitas vezes, que está a ter um ataque cardíaco, tal é a intensidade dos sintomas experimentados.

Nem sempre é fácil compreender qual a causa subjacente ao ataque de pânico, até porque também existem ataques de pânico noturnos, ou seja, ataques de pânico que ocorrem enquanto a pessoa está a dormir, antes da fase mais profunda do sono.

Quando os ataques de pânico se repetem de forma frequente, então podemos estar perante aquilo a que se chama Perturbação do Pânico. Esta perturbação carateriza-se por um quadro de ansiedade em que o doente tem medo do próprio medo, o que acaba por favorecer a recorrência do ataque de pânico 1.

Mulher com sintomas de ataque de ansiedade

O que é um ataque de pânico?

A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e de Saúde Mental inclui o ataque de pânico na categoria das perturbações de ansiedade, as quais, grosso modo, se caracterizam por um sentimento de ansiedade exacerbado, que se prolonga durante meses 2. Convém, no entanto, explicar que esta é uma manifestação frequente, que afeta cerca de 11% dos adultos, todos os anos.

A maior parte dessas pessoas recupera do ataque de pânico sem necessitar de qualquer tipo de tratamento específico. Contudo, algumas podem evoluir para Perturbação do Pânico e carecer de outro tipo de acompanhamento.

Ainda assim, podemos considerar que o ataque de pânico assume uma maior prevalência quando há outros transtornos de ansiedade ou outros transtornos psiquiátricos, como a depressão.

Crise de ansiedade e ataque de pânico não são a mesma coisa, já que a crise de ansiedade tem uma duração mais prolongada e tem, quase sempre, origem em preocupações excessivas ou stress.

Já o ataque de pânico tanto pode ocorrer como reação a uma situação stressante, como pode começar de forma súbita, sem ter, aparentemente, qualquer fator desencadeante.

A duração do ataque de pânico pode variar mas, geralmente, não excede os 10 minutos 3.

Principais sintomas de um ataque de pânico

A sensação associada ao ataque de pânico pode traduzir-se por meio de um medo ou desconforto súbitos e intensos e por sintomas físicos e/ou emocionais, tais como 3:

  • dor ou desconforto torácicos;
  • vertigens, instabilidade postural ou desmaios;
  • medo de morrer;
  • medo de enlouquecer ou de perder o controlo;
  • sensações de irrealidade, estranhamento ou distanciamento do meio em que vive;
  • agitação ou arrepios;
  • náuseas, dores gástricas ou diarreia;
  • sensação de dormência ou formigueiro;
  • palpitações ou frequência cardíaca acelerada;
  • falta de ar ou sensação de asfixia/engasgamento;
  • sudorese
  • tremores ou espasmos.

Homem de olhos fechados a tentar acalmar sintomas de ansiedade

O que fazer num ataque de pânico?

Não é, propriamente, possível evitar o ataque de pânico ou mesmo antecipá-lo.

Quando estes episódios são recorrentes ou, pelo menos, quando não é a primeira vez em que ocorrem, o mais importante é que a pessoa se consciencialize de que está a ter um ataque de pânico e que, apesar dos sintomas exuberantes, este problema não constitui qualquer ameaça para a sua saúde e sobrevivência.

Saber como controlar um ataque de pânico e encurtar a sua duração também é essencial, sobretudo se a pessoa estiver sozinha. Siga o passo a passo sugerido pelo Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise do Instituto Nacional de Emergência Médica 4.

Distraia-se

Procure mudar o foco, pensando em algo que não esteja relacionado com a experiência que está a vivenciar. Telefone a alguém de quem goste, ouça uma música, conte uma história, olhe pela janela; qualquer coisa que faça desviar-se dessa sensação.

Inspire e expire lenta e profundamente

O controlo respiratório é fundamental para equilibrar os níveis de dióxido de carbono e de oxigénio. Isto vai ajudar a reduzir os sintomas associados ao ataque de pânico.

Para isso, deve colocar-se numa posição confortável, sentado ou deitado. Foque-se na respiração e inspire e expire lenta e profundamente.

Faça a técnica de controlo respiratório

Inspire, profundamente, através do nariz, enquanto coloca a mão na barriga e a sente encher. Depois, expire, lentamente, pela boca, esvaziando a barriga.

Repita esta técnica até sentir que está a ficar mais calmo.

Mulher com as mãos no peito por causa de batimento cardíaco acelerado

Experimente a técnica de relaxamento muscular

Esta técnica também pode ajudar a reduzir os níveis de ansiedade, que estão muito elevados quando se está a ter um ataque de pânico.

Para isso, deve contrair e descontrair os vários músculos do corpo, de modo a experimentar sensações ora de tensão, ora de relaxamento.

Nesse momento, o ambiente envolvente deve estar silencioso e com pouca luz. A pessoa deve estar sentada ou deitada, com a barriga para cima e de
olhos fechados.

Faça este procedimento, enquanto também põe em prática a técnica de respiração controlada e enquanto pensa em coisas que são agradáveis para si.

Tratamento e acompanhamento terapêutico

Dada a exuberância dos sintomas, pensar em eventuais problemas de saúde são muitas vezes motivo de alarme. Assim, consultar um médico pode ser importante para que tenha acompanhamento e as orientações necessárias para garantir que está tudo bem, deixando-o assim mais descansado.

Em alguns casos, sobretudo quando existe Perturbação do Pânico, o controle e a prevenção dos ataques de pânico podem passar por um acompanhamento especializado, nomeadamente através da psicoterapia, e pela toma de alguns fármacos, como os ansiolíticos, por exemplo 5.

Se se identifica com alguns dos sintomas descritos atrás e vive com medo de voltar a ter um ataque de pânico, não deixe de consultar um psicólogo ou psiquiatra. Estes profissionais de saúde serão uma ajuda muito importante e essencial na manutenção do seu bem-estar.

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